Artigo

ESG: o tripé de uma nova era na logística, por Claudete Borges Ferreira

Empresas do setor devem investir em práticas mais sustentáveis para mitigar os impactos no meio ambiente

Redação TN Petróleo/Assessoria
17/10/2022 07:31
ESG: o tripé de uma nova era na logística, por Claudete Borges Ferreira Imagem: Divulgação Visualizações: 2253

A nova face dos negócios tem uma sigla que se tornou recorrente no vocabulário de executivos, investidores e sociedade: ESG (Environmental, Social, Governance, ou Meio Ambiente, Social e Governança, na tradução livre). 

Trata-se da incorporação de boas práticas socioambientais e de governança na cultura corporativa, visando a perenidade dos negócios em sinergia com o bem-estar social e o compromisso do Brasil de se tornar uma nação net zero até 2050. Empresas de diversos segmentos precisam, mais do que nunca, fazer parte dessa agenda para validar que são sustentáveis, responsáveis socialmente e administradas de forma correta. Neste contexto, o setor de logística não poderia ficar de fora, haja vista que sua atividade é carbono intensiva. 

No Brasil, a logística apresenta uma alta dependência do transporte rodoviário, de baixa eficiência energética e que, quando usado para trajetos de longa distância, implica em maiores custos e maiores emissões de gases de efeito estufa. De acordo com dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), divulgado em 2021 pelo Observatório do Clima, que todo ano calcula quanto o Brasil gerou de poluição climática, os dez municípios campeões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil emitem juntos 172 milhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e). O setor de transportes é o principal fator de emissão nas grandes cidades. 

Segundo dados do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na tradução para o português) sobre mitigação das mudanças climáticas, divulgado em abril deste ano, a projeção é que as emissões de CO2 do segmento de transporte aumentem 50% até 2050. 

Por isso, a harmonia de ESG com a logística é um fator imprescindível para evitar ainda mais impacto negativo sobre a gestão das empresas, afetando o rendimento das atividades de toda a cadeia logística. 

Logística reversa

A logística reversa é um conjunto de ações que visa o reaproveitamento de produtos por meio de reciclagem ou restauração de matéria-prima para retornar ao processo produtivo. A adoção de tais práticas pode agregar valor para a imagem da empresa, além de gerar vários benefícios para o meio ambiente, como reduzir o desperdício de insumos, evitar o descarte inadequado de resíduos que provoca contaminação de rios e, principalmente, minimizar a exploração de recursos naturais. 

A finalidade de aplicar esse conceito é criar um novo modelo de negócio que leve em consideração a redução dos impactos ambientais e sociais, aliado às questões econômicas. Vejo como uma medida necessária quem busca um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais acirrado. Também é uma maneira de construir uma cadeia logística mais inteligente e consciente de suas responsabilidades, promovendo, assim, um melhor atendimento para clientes e maior proteção do meio ambiente. 

De olho no ecossistema

O termo ESG, como vimos, promove uma conscientização para a criação de mundo mais justo e sustentável. Mas como alavancar o engajamento das companhias se essas não olharem com atenção para os seus fornecedores? 

A pressão de assumir um compromisso público com agenda ESG exige uma abordagem integrada que contemple toda a cadeia logística, a fim de garantir a efetividade dos esforços em torno da causa. 

Um dos aspectos que chama atenção aqui é a importância de identificar e calcular as emissões de CO2 para além dos muros da organização. Dividindo os Escopos 1, 2 e 3, essa atividade é essencial para poder realizar a coleta das informações sobre emissões, que nem sempre estão estruturadas dentro da empresa, além de pressionar os seus fornecedores às exigências do mercado e da sociedade em relação ao seu impacto no meio ambiente. 

Na compra de matéria-prima, por exemplo, é importante que as organizações estejam atentas em relação à procedência de cada insumo. Além disso, outra dica é identificar se as empresas do ecossistema respeitam as legislações trabalhistas e tributárias vigentes no país.

Maior governança, menor impacto 

A vantagem de integrar a agenda ESG no planejamento estratégico da empresa é fundamental para que ela trabalhe bem os seus pontos fortes e vulnerabilidades. Porém, o sucesso de algumas empresas nesse processo esbarra na dificuldade de mensurar e analisar indicadores de impacto social e ambiental. Esse contexto, para evoluir, depende e muito de uma boa governança corporativa.  

As grandes companhias precisam contar com suporte de relatórios bem estruturados, que forneçam dados e controle sobre indicadores de sustentabilidade (emissões de CO2, consumo de energia, água, resíduos etc), além de sugerir acompanhamentos sobre planos de ações bem definidas e que visam a mitigação do seu impacto ambiental.   

Por fim, ao avaliar o impacto do ESG na logística, devemos repensar o negócio de forma macro, desde a compra de insumos, passando pela fabricação, distribuição e comercialização dos produtos. Cada uma dessas etapas possui riscos e pontos de atenção diferentes que precisam ser acompanhados de perto. A grande transformação provocada pelo tripé ESG não é apenas mudar a maneira de fazer negócio. É necessário gerar ganhos sociais e ambientais e só se consegue atingir esse patamar com atitude. 

Sobre a autora: Claudete Borges Ferreira, Gerente de Produtos da Atech 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Segurança Cibernética
Fraudes em infraestruturas críticas acendem alerta globa...
13/04/26
Energia Renovável
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Cana Summit
Juros elevados e crédito mais restrito colocam fluxo de ...
07/04/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Preço médio da safra 25/26 supera o da tem...
07/04/26
Hidrogênio Verde
Estudo no RCGI mapeia regiões com maior potencial para p...
06/04/26
Comunicação e Cultura
Livro reunirá 55 autores para contar a história do movim...
02/04/26
Etanol
Produtor de cana avança com novas estratégias para reduz...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
IBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
IBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
IBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
IBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
ESG
O "Selo Verde" e as Exigências ESG no Acordo UE-Mercosul
24/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23