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O que fazer para minimizar os quadros de ansiedade? por Mauro Felix

Redação TN Petróleo/Assessoria
30/06/2022 09:01
O que fazer para minimizar os quadros de ansiedade? por Mauro Felix Imagem: Divulgação Visualizações: 1585

Ansiedade é um recurso importante para a vida, podendo nos salvar de ameaças futuras, pois é uma reação do organismo ao avaliar que existe um risco a caminho. Ela é uma apreensão que temos frente a uma situação desconhecida que reverbera em alterações químicas e orgânicas por todo o corpo, fazendo com que ele entre em estado de alerta para se proteger. Assim como a emoção do medo, podemos dizer que a ansiedade é uma resposta de luta e fuga do nosso organismo em que o nosso cérebro comanda a liberação de mais adrenalina, levando o coração a palpitar mais forte, a pressão sanguínea aumentar e outras alterações em nosso organismo para que tenhamos a energia necessária para enfrentar ou fugir de um perigo e ameaça futura. Algo similar acorre quando experimentamos a emoção de medo, mas, diferentemente da ansiedade, ele é experimentado diante de uma ameaça do presente.
 

Mesmo não sendo uma experiência agradável para a maioria das pessoas, é possível afirmar que nem toda ansiedade vivida é patológica, pois ela pode estar agindo para nos beneficiar. Por exemplo, sentir-se ansioso ao fazer uma prova pode nos ajudar a nos prepararmos mais para ela e fazer com que tenhamos resultados mais positivos. É neste sentido que ela pode ser muito útil para as nossas vidas, à medida que age como um alarme que sinaliza a ameaça de um assalto, nos levando a criar estratégias para nos protegermos, como chamar a polícia e fugir do local.
 

O grande problema é quando este alarme da casa está desregulado e toca a todo tempo, capturando ameaças irreais, como a folha da árvore que cai no chão, a bola que quica no quintal ou o cachorro do vizinho que late. Quando o nosso cérebro começa a perceber perigos e ameaças onde não há, liberando alarmes intensos, prolongados e desproporcionais à causa, a ansiedade deixa de ser positiva e passa a ser patológica, gerando problemas para as nossas vidas.
 

É chamado de transtorno de ansiedade este estado patológico que tem impactos negativos na vida do indivíduo, podendo gerar em algum nível sintomas cognitivos como receio de perder o controle ou ter algum dano na vida, sintomas emocionais como ficar nervoso, assustado ou apreensivo e sintomas comportamentais como agitação física ou evitação de situações ameaçadoras. Esses sintomas, quando manifestados de forma aguda, intensa, prolongada e desproporcional à realidade, geram estados de sofrimento e improdutividade no sujeito.
 

Por não existir uma divisão clara do que pode ser entendido como uma ansiedade normal ou patológica, o diagnóstico feito por um especialista é muito importante. Em caso de transtornos de ansiedade, o diagnóstico também servirá para identificar o tipo que está acometendo o sujeito. De acordo com a versão mais atual do Manual Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), os transtornos de ansiedade podem ser classificados em sete tipos (transtorno do pânico, transtorno de ansiedade social, fobias específicas, agorafobia, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade de separação e mutismo seletivo), o que torna o diagnóstico correto importantíssimo para que o tratamento possa ser adequado e gerar efeitos positivos.
 

Pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno de ansiedade devem procurar um tratamento especializado de acordo com a intensidade e tempo de como os sintomas estão se manifestando. Mesmo sendo importante o tratamento para reversão do quadro, somente um terço das pessoas que sofrem de ansiedade procura tratamento adequado com a ajuda de um profissional especializado.
 

Além da ajuda profissional de um médico psiquiatra e de um psicólogo, recomenda-se a pessoas que sofram de algum tipo de ansiedade patológica a inclusão de novos hábitos na rotina. Por mais que em alguns casos a terapia medicamentosa. Ou seja necessária, o medicamento por si só não será capaz de trazer efeitos significativos para mudança do quadro patológico, tendo o sujeito que realizar outras ações. Esse processo é similar a uma pessoa que deseja ganhar massa muscular e resolve ingerir diariamente suplementos de proteína para ter mais facilidade de ganhar músculos. Mesmo que estes suplementos tenham sido recomendados e o uso acompanhado por um profissional especializado da área, se associado a eles não houver a prática de treinos físicos adequados, a simples ingestão do suplemento alimentar não terá efeitos para o crescimento dos músculos. Ou seja, o suplemento pode facilitar o ganho de músculo, mas se o indivíduo não realizar os exercícios adequados o desenvolvimento não ocorrerá. Da mesma forma acontece com a terapia medicamentosa. Ela facilitará o treino agindo no cérebro para desligar o circuito da ansiedade para que a pessoa esteja pronta para desenvolver novas habilidades, mas não tratará o quadro por si só.
 

Neste sentido, é importante que sejam incluídos como estratégias para mudança do quadro de ansiedade patológica tratamentos complementares à psicoterapia e a terapia medicamentosa, como a prática de exercícios físicos aeróbicos, mudança de hábitos alimentares e mindfulness. Há evidências científicas que comprovam o quanto uma caminhada de 30 minutos, três vezes na semana, depois de 16 semanas tem a mesma eficácia que alguns medicamentos. Já o mindfulness atua na prevenção e na melhora da atenção e foco, que costumam estar comprometidos em casos de ansiedade patológica, pois tira o sujeito do circuito automático, trazendo-o para se conectar com o presente.
 

Por fim, no campo da alimentação, recomenda-se a ingestão de água, pois nosso cérebro é composto por mais de 90% de água; carboidratos complexos (integrais), pois eles mantêm o nível de glicemia mais estável durante o dia, evitando o pico; inserir na dieta o magnésio (espinafre, legumes e nozes), zinco (ostras, gema de ovo e castanha de caju), probióticos (iogurtes e picles) e aspargos. Deve-se evitar grandes quantidades de café, pois aumenta os níveis de dopamina e de álcool, que na hora pode até diminuir a ansiedade, mas tem um efeito rebote no dia seguinte. Deve-se também não pular refeições, pois o jejum leva a uma diminuição da glicose e o aumento da adrenalina. Ter um café da manhã rico em proteína (abacate, ovos, iogurtes com lactobacilos, misturado com granola e aveia) também ajuda no combate e prevenção de quadros patogênicos de ansiedade.
 

Sobre o autor: Mauro Felix é professor de psicologia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio.

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