Artigo Exclusivo

Redução de novas descobertas. E o Brasil com isso?, por Armando Cavanha

Armando Cavanha F.
19/01/2017 09:26
Redução de novas descobertas. E o Brasil com isso?, por Armando Cavanha Imagem: Divulgação Visualizações: 1332

Houve uma redução significativa no volume de óleo descoberto em 2016 ao redor do mundo. Os números anunciados nos balanços do ano giram na casa de 6 bilhões de barris de óleo equivalente (bboe), segundo a Rystad Energy de Oslo. Estudos indicam que o esperado anual seria de cerca de 40 bilhões de boe, como manutenção dos patamares anteriores.

Houve menos sísmica, menos perfurações, menos descobertas.

Não que haja uma relação direta destas variáveis, muito menos em causa e consequência em tempos curtos.

Mas há sim certa influência dos últimos anos menos atrativos em termos de preços do produto final produzido e isto afeta principalmente o humor de investidores, empresas de petróleo e até o supply chain de bens e serviços de óleo e gás.

Além disto, perfurar e encontrar óleo é o melhor dos mundos, mas não achar significa pelo menos ganhar conhecimento, aumentando as chances das “apostas” futuras.

No mundo foram perfurados 431 poços em 2016, cerca da terça parte do ano de 2014. No Brasil estima-se que a queda tenha sido ainda maior proporcionalmente.

As consequências

Isto certamente trará consequências pelos próximos anos, independentemente de qualquer retomada de atividade. Há um efeito defasado dos investimentos, suas descobertas e mais ainda da cadeia produtiva consequente.

A geofísica também se ressentiu desta redução de interesse, já que ela vem antes da perfuração, quando mapeia as estruturas e as oportunidades com os navios de air gun e hidrofones passeando pelos mares.

E o Brasil neste contexto?

Um tema complexo, arriscado de se analisar, ideal de ser feito por geólogos, geofísicos, mais ainda com aqueles com visão de reservatórios. Mas não há dúvidas de que estamos reduzindo nosso interesse em áreas nem tão atrativas, que no passado recente tinham grande apetite exploratório no país. E, adicionalmente, desativando com velocidade alta reservatórios mais antigos, como na Bacia de campos mais inicial, que poderiam estar sendo recuperados com as novas tecnologias e investimentos de parceiros internacionais, multiplicando a produção de óleo ainda lá existente. Toda a estrutura está pronta nestes locais, obviamente carece de estudos de viabilidade para reinvestimentos campo a campo com base na história e revisão técnica caso a caso.

Os 12 ou 15 bilhões de boe de reservas provadas do Brasil e as muitas dezenas de bboe potenciais com a chegada do pré-sal nos fazem razoavelmente bem posicionados, no que diz respeito aos números já existentes.

Apenas considerando as reservas provadas, teríamos, com um consumo de 2,5 milhões de boe/dia, mais de 10 anos de "estoque". Claro, a depender de investimentos de processos de produção, escoamento, estrutura, quase que totalmente focalizados na Petrobras, que hoje não se encontra em uma fase de caixa capaz de suportar desafios muito desconcentrados.

"Timing"

Ocorre que estamos, nós brasileiros, perdendo o "timing" da retomada.

Como provavelmente o mundo irá necessitar de grandes volumes de hidrocarboneto pelo futuro próximo, incluindo o gás, que é uma história a parte, e como não há clareza de nenhuma tecnologia substituta para breve, ter "estoques" produtivos significaria ter recursos financeiros certeiros à frente. As conquistas sociais em todo o mundo não tem muita chance de retroceder, como o consumo de energia, o bem estar conquistado, transporte, tendências de inclusão social, portanto uma demanda em processo de crescimento sobre estes “poucos” 100 milhões de boe/dia de consumo global.

Brasil exportador

Além disto, ter um “excesso” de produção em relação ao consumo para breve significaria poder exportar um pouco, quem sabe 1 milhão de boe por dia, e com um consumidor faminto e insaciável como os EUA aqui do lado. Consomem perto de 19 milhões de boe por dia, de forma crescente. Produzem metade em casa, importam muito, teríamos a chance de uma parceria de alto valor com pouco volume, mas com logística “vertical” atrativa e sem ter de passar petróleo por regiões perigosas.

O Brasil ainda tem tempo de fazer um bom trabalho, arrumar a casa rapidamente, com agenda fixa de bids, simplificação dos contratos, conteúdo local competitivo, Repetro desburocratizado. Porém, o mais importante, com regras duradouras, num acordo interno, que permitisse aos diversos investidores a segurança de que não iríamos mudar tudo a cada eleição presidencial vindoura.

Hora de um movimento organizado e positivo, hora de se preparar para ganhar o jogo.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
ANP aprova relatório de estudo sobre controle de queima ...
24/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 impulsiona inovação e investiment...
24/07/26
Gás Natural
ANP aprova participação no Pacto Nacional para o Desenvo...
24/07/26
Combustíveis
ANP aprova Avaliação de Resultado Regulatório sobre ativ...
24/07/26
Evento
BR Aviation apresenta seu portfólio de soluções personal...
23/07/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de maio foram d...
23/07/26
Combustíveis
Setor de combustíveis e lubrificantes registra queda 1,8...
22/07/26
Gestão
Constellation alcança paridade de gênero pela segunda ve...
21/07/26
IBP
Estudos apontam redundância do imposto de exportação e e...
21/07/26
Combustíveis
Queda do diesel puxa recuo dos combustíveis em julho e e...
21/07/26
PPSA
7º Leilão Spot: PPSA comercializa cargas de Atapu e de B...
20/07/26
Fenasucro
Bioenergia amplia aporte econômico e energético do Brasil
20/07/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em queda, mas mercado dá sinais de...
20/07/26
Negócio
ENGIE Brasil Energia conclui oferta subsequente de ações...
17/07/26
Resultado
Produção de petróleo da União chega a 244 mil barris por...
17/07/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana gera cerca de 18 mil empregos e mov...
16/07/26
ANP
Oferta Permanente: empresas inscritas têm até 21/7 para ...
16/07/26
Ceará
Gás natural chega ao Cariri (CE) e fortalece desenvolvim...
16/07/26
Terminais
Vast anuncia extensão de contrato com a PETRONAS Brasil ...
15/07/26
Biogás
GGT passa a integrar associação global de biogás e ampli...
14/07/26
Reconhecimento
Porto Sudeste recebe selo ouro do GHG Protocol pelo terc...
14/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.