Artigo Exclusivo

Sobre o Plano Trump para Energia nos EUA, por Armando Cavanha

Armando Cavanha F.
31/01/2017 09:07
Sobre o Plano Trump para Energia nos EUA, por Armando Cavanha Imagem: Divulgação Visualizações: 1399

A Administração Trump lançou o seu plano para energia nos primeiros dias de governo. O texto é curto, direto e claro. Chama-se “Plano de Energia da América, colocada em primeiro lugar”. Trata-se de tradução livre, não oficial.

“A energia é uma parte essencial da vida americana e um elemento básico da economia mundial.”

(Comentários: Não há muita dúvida da importância da energia de modo geral como elemento chave da qualidade de vida e desenvolvimento de uma nação. Em especial a norte americana, que já atingiu, nas duas variáveis citadas, um diferencial significativo se comparada as demais sociedades civilizadas. Parece que tal essencialidade se dará por muito tempo ainda.)

“A Administração Trump está comprometida com políticas energéticas que reduzam os custos para os americanos trabalhadores e que maximizem o uso de recursos americanos, libertando-nos da dependência do petróleo estrangeiro.”

(Comentários: Interessante a afirmação, porém não se pode esquecer que se trata de um país que consome quase 20% do petróleo mundial diariamente (aproximadamente 19 milhões bbl/dia, enquanto o mundo consome perto de 100 milhões de bbl/dia). Mas sua produção doméstica de óleo convencional é de cerca de 9 a 10 milhões de bbl/dia, shale de 3 a 5 milhões de bbl equivalentes, portanto ainda insuficiente para confrontar com o consumo interno. Suas reservas são bastante altas, mas com muita incerteza produtiva ainda. E seus custos de desenvolvimento e extração são relativamente altos, a produtividade dos campos e poços não é comparável às melhores ocorrências mundiais.)

“Durante muito tempo, fomos impedidos por regulamentos onerosos em nossa indústria de energia. O presidente Trump está empenhado em eliminar políticas prejudiciais e desnecessárias, como o Plano de Ação para o Clima e as Águas aplicado nos EUA. Levantar essas restrições ajudará muito os trabalhadores americanos, aumentando os salários em mais de US$ 30 bilhões nos próximos 7 anos.”

(Comentários: Conceito bastante adaptável ao Brasil, como país, não considerando visões ideológica e partidária. A regulação, quando excessiva e confusa, com forte presença individual nas decisões, fragiliza e afugenta investidores, operadores e provedores.)

“Uma política de energia sólida começa com o reconhecimento de que temos vastas reservas energéticas domésticas inexploradas aqui mesmo na América. A Administração Trump vai abraçar a revolução do petróleo e gás de xisto para trazer empregos e prosperidade para milhões de americanos. Devemos aproveitar os estimados US$ 50 trilhões em reservas de xisto, petróleo e gás natural inexploradas, especialmente aquelas em terras federais que o povo americano possui. Vamos usar as receitas da produção de energia para reconstruir nossas estradas, escolas, pontes e infraestrutura pública. Menos energia cara será um grande impulso para a agricultura americana, também.”

(Comentários: Com todas as restrições do shale, ambientais, por exemplo, não deixa de ser uma visão de explorar ao máximo reservas conhecidas, apostando em novas tecnologias que virão e substituirão o atual modelo energético sobre hidrocarbonetos em geral. A imprevisibilidade da chegada das novas soluções de energia e o quanto serão disruptivas encoraja o uso das reservas atuais ao máximo racional possível.)

“A Administração Trump também está comprometida com a tecnologia limpa do carvão e com a revitalização dessa fonte na América, que tem sofrido por muito tempo.”

(Comentários: Se existe tecnologia limpa do carvão com custos compatíveis, e se for dada esta ênfase a sua exploração, realmente isto mudaria o perfil energético americano, causando uma revolução na produção, logística e preços mundialmente.)

“Além de ser bom para a nossa economia, o aumento da produção de energia doméstica está no interesse da segurança nacional dos EUA. O presidente Trump está empenhado em alcançar a independência energética do cartel da OPEP e de quaisquer nações hostis aos nossos interesses. Ao mesmo tempo, vamos trabalhar com os nossos aliados do Golfo para desenvolver uma relação de energia positiva como parte de nossa estratégia antiterrorismo.”

(Comentários: Visão estratégica e ligada a segurança nacional. O Brasil não é hostil e esta próximo dos EUA, podemos supostamente exportar o excedente de nossa futura produção de pré-sal para os EUA, se necessitarem. Provavelmente, com uma compensação de investimentos e tecnologias para o Brasil.)

“Por fim, a nossa necessidade de energia deve ir de mãos dadas com uma gestão responsável do meio ambiente. Proteger o ar limpo e a água limpa, conservar os nossos habitats naturais e preservar as nossas reservas naturais e recursos continuarão a ser uma prioridade. O presidente Trump irá reorientar o EPA (U.S. Environmental Protection Agency) sobre a sua missão essencial de proteger o nosso ar e nossa água."

(Comentários: Enorme desafio, compatibilizar o desenvolvimento energético com o meio ambiente. Ainda mais com as novas ondas mundiais de proteção ambiental. E os investimentos para isto são enormes, conceitos científicos e requisitos técnicos novos aparecem diariamente.)

“Um futuro brilhante depende de políticas energéticas que estimulem a nossa economia, assegurem a nossa segurança e protejam a nossa saúde. Sob as políticas energéticas da Trump Administration, esse futuro pode se tornar uma realidade.”

(Comentários: Visão positiva, empreendedora. Basta saber o tamanho da briga que poderá comprar e se todos aceitarão estas diretivas de forma passiva. Partidos contrários, ambientalistas em ascensão, provedores eternos redutores de custos, companhias de petróleo olhando reservas em países mais fáceis de operar, etc. Finalizando, deixa clara a direção produtiva e esboça proteção ao meio ambiente.)

Boa sorte, Americanos.

 

Sobre o autor: Armando Cavanha F. é consultor e professor da FGV-Fundação Getúlio Vargas

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
ANP aprova relatório de estudo sobre controle de queima ...
24/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 impulsiona inovação e investiment...
24/07/26
Gás Natural
ANP aprova participação no Pacto Nacional para o Desenvo...
24/07/26
Combustíveis
ANP aprova Avaliação de Resultado Regulatório sobre ativ...
24/07/26
Evento
BR Aviation apresenta seu portfólio de soluções personal...
23/07/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de maio foram d...
23/07/26
Combustíveis
Setor de combustíveis e lubrificantes registra queda 1,8...
22/07/26
Gestão
Constellation alcança paridade de gênero pela segunda ve...
21/07/26
IBP
Estudos apontam redundância do imposto de exportação e e...
21/07/26
Combustíveis
Queda do diesel puxa recuo dos combustíveis em julho e e...
21/07/26
PPSA
7º Leilão Spot: PPSA comercializa cargas de Atapu e de B...
20/07/26
Fenasucro
Bioenergia amplia aporte econômico e energético do Brasil
20/07/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em queda, mas mercado dá sinais de...
20/07/26
Negócio
ENGIE Brasil Energia conclui oferta subsequente de ações...
17/07/26
Resultado
Produção de petróleo da União chega a 244 mil barris por...
17/07/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana gera cerca de 18 mil empregos e mov...
16/07/26
ANP
Oferta Permanente: empresas inscritas têm até 21/7 para ...
16/07/26
Ceará
Gás natural chega ao Cariri (CE) e fortalece desenvolvim...
16/07/26
Terminais
Vast anuncia extensão de contrato com a PETRONAS Brasil ...
15/07/26
Biogás
GGT passa a integrar associação global de biogás e ampli...
14/07/26
Reconhecimento
Porto Sudeste recebe selo ouro do GHG Protocol pelo terc...
14/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.