Artigo

Top Risks 2026 Eurasia Group – Análise estratégica considerando o Brasil, a agenda ESG e o setor de petróleo & gás, por Augusto Cruz

Redação TN Petróleo/Assessoria
07/01/2026 15:46
Top Risks 2026 Eurasia Group – Análise estratégica considerando o Brasil, a agenda ESG e o setor de petróleo & gás, por Augusto Cruz Imagem: Divulgação Visualizações: 1133

Introdução

Top Risks 2026 (Eurasia Group) indica que o ambiente global entra em um ciclo de instabilidade estrutural, marcado por:

• enfraquecimento institucional,

• maior interferência geopolítica em cadeias produtivas,

• fragmentação das regras multilaterais,

• aceleração tecnológica sem governança.

Para o Brasil, país exportador de energia, alimentos e minerais críticos, esse cenário gera riscos relevantes, mas também janelas estratégicas, especialmente no debate sobre ESG, transição energética e o setor de petróleo & gás.

1 Estados Unidos instáveis e impactos para o Brasil

A “revolução política” nos EUA reduz a previsibilidade da política externa americana e tende a:

• enfraquecer compromissos climáticos globais;

• aumentar o uso de sanções, tarifas e coerção econômica;

• politizar agendas ESG e ambientais.

Impactos diretos para o Brasil

• ESG deixa de ser consenso global e passa a ser instrumento geopolítico;

• Pressão seletiva sobre cadeias produtivas (agronegócio, mineração, óleo & gás);

• Risco de exigências ambientais assimétricas contra países emergentes.

Implicação estratégica:

Empresas brasileiras precisam antecipar compliance ESG robusto, não apenas por convicção ambiental e social, mas como mecanismo de proteção geopolítica.

2 Energia, eletrificação e o papel do petróleo & gás brasileiro

O relatório aponta que a disputa EUA × China será decidida pela infraestrutura energética, não apenas por tecnologia digital.

O que isso significa para o Bras

  • • O país possui uma matriz elétrica limpa, mas:
    • • depende fortemente de petróleo e gás para estabilidade energética,
    • • precisa ampliar investimentos em infraestrutura, armazenamento e redes.

Petróleo & gás: risco ou ativo estratégico?

• O relatório não prevê eliminação rápida dos fósseis;

• Pelo contrário: países com produção segura e estável ganham relevância.

Leitura para o Brasil:

O petróleo & gás brasileiro, se operado com boas práticas ambientais, sociais e de governança, pode ser:

• um instrumento de transição energética justa;

• fonte de financiamento para descarbonização;

• fator de segurança energética regional e global.

 3 ESG deixa de ser “agenda moral” e vira gestão de risco

O relatório mostra que, em 2026:

• ESG perde uniformidade global;

• países e blocos adotam critérios próprios;

• cresce o risco de greenwashing regulatório e disputas comerciais.

Para empresas brasileiras do setor de energia como um todo (considerando toda a cadeia produtiva) ESG passa a ser:

• ferramenta de acesso a mercados,

• condição para financiamento,

• critério para integração em cadeias globais.

Recomendação prática:

Migrar de ESG declaratório para ESG operacional, com:

• rastreabilidade,

• indicadores auditáveis,

• gestão ativa de riscos socioambientais,

• governança sólida da cadeia de fornecedores;

• transparência a partir da publicação de relatórios de sustentabilidade com base em normas reconhecidas.

4 América Latina sob pressão geopolítica

A chamada “Doutrina Donroe” indica maior intervenção dos EUA na América Latina.

Para o Brasil:

• pressão por alinhamento político: menos ideologia e mais inteligência e estratégia comercial;

• disputas por recursos estratégicos (energia, minerais, biodiversidade);

• risco de sanções indiretas via cadeias de suprimentos.

Oportunidade brasileira:

Posicionar-se como:

• fornecedor confiável de energia,

• país com governança regulatória estável,

• polo de investimento sustentável;

• Liderar o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Isso exige instituições fortes (ANP, Ibama, BNDES, CVM), marcos regulatórios previsíveis e adoção das melhores práticas em governança.

De outro lado, o risco de instabilidade política é crescente na América Latina, em face da querela EUA e Venezuela (ainda não tratada no relatório) e eleições para Presidente da República e Congresso no Brasil com elevada polarização, causando insegurança econômica, fiscal e jurídica.

5 Risco institucional global e lições para governança corporativa

A mensagem central do relatório é clara: O maior risco não é o conflito direto, mas o enfraquecimento das instituições que evitam conflitos.

Reflexo para empresas brasileiras:

• Governança corporativa passa a ser ativo estratégico

  • • Empresas com:
    • conselhos independentes e/ou estruturas decisórias bem definidas (empresas médias e de pequeno porte),
    • compliance estruturado,
    • políticas anticorrupção efetivas,
    • gestão de riscos climáticos e sociais tendem a resistir melhor à volatilidade global.

Atenção: Governança forte = resiliência em 2026.

Quadro síntese para o Brasil

Tema

Risco

Oportunidade

ESG

Fragmentação global

Diferencial competitivo

Energia

Pressão por eletrificação rápida

Papel estratégico do óleo & gás

Geopolítica

Instabilidade EUA/Europa

Neutralidade ativa brasileira

Governança

Enfraquecimento institucional global

Empresas com compliance forte ganham valor

Conclusão

Empresas que:

• operarem com responsabilidade,

• investirem em governança,

• tratarem ESG como gestão de risco,

• e alinharem energia, desenvolvimento e inclusão social estarão mais bem posicionadas para navegar um cenário global mais instável, porém cheio de oportunidades estratégicas.

O setor de petróleo & gás brasileiro tem uma grande oportunidade de desenvolvimento e crescimento, em face da exploração da Margem Equatorial e das Bacias de Caxias, Campos e Santos, com recentes novas descobertas. No entanto, o setor precisa evidenciar (e comunicar) uma robusta e importante agenda de gestão de riscos ESG e também com ações compensatórias, em face das críticas e do forte discurso de transição energética justa.

Sobre o autor: Augusto Cruz, advogado, escritor, professor, mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas, sócio da AC Consultoria, consultor do Polo SEBRAE Onshore de petróleo e gás natural. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gugacruz/

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