Energia Nuclear

A russa Rosatom debateu aplicações não energéticas das tecnologias nucleares no Brasil

Redação/Assessoria
25/04/2017 18:28
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A Rosatom, estatal russa de energia nuclear, reuniu lideranças da indústria nuclear no Brasil para debater o uso das tecnologias nucleares para fins não energéticos, seus benefícios sociais e seu estágio de desenvolvimento na América Latina. O foco do debate foi o desenvolvimento das tecnologias de irradiação em países latino americanos e seu uso na indústria, medicina a agricultura.

O crescente interesse por esse mercado em expansão que utiliza fontes nucleares como os raios x, gama, beta, e feixes de elétrons, entre outros, para esterilização e desinfecção reuniu representantes de empresas como Eletronuclear, Eletrobrás, Nuclep, Amazul, Tecnatom e também especialistas da Comissão de Energia Nuclear, da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), do Instituto de Qualidade Nuclear (IBQN), da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) e da Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Vice-Presidente da Rosatom América Latina, Sergey Krivolapov, falou sobre as soluções integradas na área de irradiação e sobre como a empresa vem cooperando em diversos projetos em toda a região. Ele lembrou o Memorando de Entendimento, firmado entre a Corporação Unida para Inovações (UIC), subsidiária da Rosatom, e a empresa brasileira CK3 no final de 2016, para a construção de um Centro de Irradiação no Brasil: “Este Centro permitirá combinar as competências e conquistas russas no campo da tecnologia de radiação com a experiência da empresa brasileira CK3 no mercado interno”.

O Conselheiro da CK3, Arminak Cherkezian, explicou que o projeto é desenvolver uma planta de irradiação para esterilização de materiais médicos, que pretende ser uma opção de qualidade e viável para o mercado que hoje depende apenas de um fornecedor. Cherkezian acredita que com experiência sólida do CK3 em grandes projetos de infra-estrutura e a experiência da Rosatom em irradiação, o Centro será capaz de atender a demanda estimada de um crescimento de 30% no mercado de medicina de irradiação até 2018. "Depois deste debate, estou ainda mais convencido da necessidade desta planta. Este projeto vai ser um grande marco da Rosatom no Brasil. "

Na agricultura, o uso da tecnologia de irradiação em alimentos já é uma condição fundamental para a exportação para países como os Estados Unidos, sinalizou Anna Lúcia Villavicenco, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Os benefícios vão desde a deseinfestação e descontaminação microbiana até a uma menor taxa de decomposição dos alimentos, aumentando os níveis de segurança alimentar dos produtos. “É preciso que haja um amlo programa de divulgação das técnicas tanto para conscientização do consumidor como para as indústrias”, ressalta.

Já para mostrar a aplicação das tecnologias nucleares à medicina, Konstantin Panin, da Rusatom Healthcare, destacou a construção de instalações multifuncionais para o processamento de radiação de alimentos e produtos médicos, das quais os países podem experimentar benefícios econômicos e melhoria da saúde da população. "A Rosatom investe mais de 1 milhão de euros por dia em pesquisa na área e somos capazes de oferecer soluções integradas que podem ajudar em cada etapa de um centro de Medicina Nuclear, desde o projeto e design em si até gerenciar o centro e treinar pessoas para trabalhar. Nós também somos suficientemente flexíveis para gerenciar e ajudar com equipamentos de outros fornecedores. Alekzandr Zykin, chefe do laboratório do Instituto de Pesquisa Científica de Física Técnica e Automação (NIIFTA), destacou que “para todas as tarefas sob as leis da física existe uma solução de engenharia disponível à espera de ser implantada. Isso é o que fazemos há mais de 60 anos.”

A oferta da Rosatom vem atender a uma demanda reprimida no Brasil. Na área de radiofármacos, por exemplo, Luis Alberto Pereira Dias, do IPEN/CNEN, destaca que já está em andamento uma parceria com a Rosatom para baratear a produção nacional de Lutécio (LU) para a terapia de câncer de próstata. Sérgio Altino de Almeida, da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), engrossa o coro para a urgência de se ampliar o acesso das pessoas à medicina nuclear, que tem a capacidade única de gerar soluções personalizadas em caso de tratamento de câncer. Ele cita que das centenas de radiofármacos existentes, hoje somente 23 são usados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A distribuição de tratamentos com PET-Scan, outro exemplo, é assimétrica no país, ficando concentrada no Sudeste. “O uso das tecnologias de medicina nuclear é 6,5 vezes menor no Brasil do que nos Estados Unidos, para se ter ideia. É preciso um plano coordenado interministerial com o apoio da sociedade para expandir a prática no Brasil”, informa.

O workshop foi promovido pela Rosatom e aconteceu na semana passada no Rio de Janeiro.

Referências:

Em junho de 2015, a Rosatom International Network JSC registrou uma empresa chamada Rosatom América Latina no Rio de Janeiro, sede da Rosatom na América Latina.

Em 1º de dezembro de 2016, a United Corporation for Innovations (subsidiária da Rosatom) e a empresa brasileira CK3 assinaram um Memorando de Entendimento para o desenvolvimento, construção e operação de um Centro de Irradiação no Brasil. Em nome da Rússia, o documento foi assinado pelo Diretor Geral da United Corporation for Innovations, Denis Cherednichenko, e em nome do Brasil, pelo diretor-geral da CK3, Renato Cherkezian. O Centro prestará serviços de tratamento de radiação de produtos médicos, farmecêuticos, cosméticos e outros prudutos usando aceleradores de elétrons.

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