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Achado histórico no fundo do mar

Jornal do Brasil
06/09/2005 00:00
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Petrobras encontra óleo leve em Santos, a 6 mil metros de profundidade.

A ousadia de ir mais fundo rendeu à Petrobras o que deverá se tornar a mais valiosa reserva de petróleo e gás já encontrada no país. A petroleira encontrou óleo leve – de excelente qualidade – a 6 mil metros de profundidade, na Bacia de Santos, numa prévia da jazida gigante que avista. O gerente executivo de Exploração e Produção da estatal, Francisco Nepomuceno, revela a expectativa que a companhia passou a viver nos últimos dias, depois da descoberta de petróleo nos confins do mar.
– É uma nova província petrolífera no Brasil. Não está concluído o poço; vamos perfurar mais para fazer o teste de produtividade (volume) do óleo e confirmar a existência de um reservatório – comemora, ainda com cautela.
Ele prefere não falar em quantidade de óleo antes dos testes de confirmação, mas admite que pode ser volume suficiente para revolucionar os planos de exploração da estatal.
– Só digo que, confirmando a descoberta e a produtividade dessa área, cresce muito o potencial petrolífero da Bacia de Santos. É o grande potencial do Brasil hoje – disse.
Na semana passada, a Petrobras comunicou ao mercado a descoberta de indícios de hidrocarbonetos no seu poço mais profundo, no bloco BMS-10, na Bacia de Santos. O poço RJ-S-61 fica bem em frente de Paraty, no Rio de Janeiro, na divisa com São Paulo.
A Petrobras é a principal detentora do bloco que vai explorar a região, com 65% de participação, num consórcio formado com a Partex (10%) e Bristish Gas (25%). As companhias notificaram a descoberta no dia 21 de agosto à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
– Se a gente descobre gás e óleo leve nesse horizonte, toda a área em volta fica com esse potencial – acrescenta Nepomuceno.
Confirmadas as expectativas de reservas gigantes de petróleo leve em águas ultraprofundas, Santos passa a ser a principal opção da estatal ao esgotamento dos atuais campos da Bacia de Campos.
Mais perto do mercado consumidor, com óleo de excelente qualidade, além de gás, a região possui, até agora, reservas da ordem de 2,5 bilhões de barris (com o gás do Campo de Mexilhão (BS-400 e o óleo leve do BS-500).
Analistas especulavam, até então, a existência de uma bacia petrolífera debaixo da Bacia de Campos.
Para Nepomuceno, é mais provável que em Santos – e não em Campos – exista uma nova fronteira com tamanho potencial. Isso porque na Bacia de Santos há uma camada de sal espessa, que separa os reservatórios de petróleo e gás das rochas e do material orgânico que geram esses hidrocarbonetos. A crosta de sal, situada a cerca de 6 mil metros, “prendeu” o óleo e o impediu de subir, ao contrário do que aconteceu na Bacia de Campos.
Na Bacia de Campos, essa crosta de sal se rompeu durante a formação de montanhas, como a Serra do Mar. A abertura da camada de sal em buracos chamados de janelas permitiu a constituição de importantes campos de petróleo como Marlim, Roncador, Marlim Sul e Albacora, localizados a 2 mil metros de profundidade. Na Bacia de Santos, o petróleo e o gás ficaram presos a 6 mil metros, suscetíveis a elevada temperatura e pressão.
Os desafios de se chegar a essa profundidade, por incrível que pareça, não são muito diferentes dos obstáculos de uma perfuração a 2 mil metros. Segundo Nepomuceno, os equipamentos são os mesmos, a dificuldade está na maior pressão e nos gases hostis que são atravessados no caminho.
A perfuração a 6 mil metros de profundidade do BM-S-10 levou seis meses, o triplo do tempo que se leva num poço padrão na Bacia de Campos.
Quanto mais tempo se gasta, mais dinheiro se vai com aluguel de sondas. Mas, segundo o diretor da estatal, o tempo de perfuração tende a diminuir com a prática da empresa. Mesmo com o custo adicional, o desafio de alcançar tamanha profundidade compensa.
Se por um lado a profundidade torna mais demorada a perfuração do poço, o calor do fundo da Terra melhora a qualidade do óleo e viabiliza a exploração.
– Quando se fura profundo, tem que produzir mais para compensar o investimento. Mas como o óleo é leve, tem mais valor do que o pesado e uma coisa compensa a outra – afirmou Nepomuceno.
Tanto compensa que a Petrobras vai perfurar o segundo poço em águas ultraprofundas assim que terminar os testes no então BM-S-10. O BM-S-11 será o próximo, com a mesma sonda que identificou indícios de óleo no bloco anterior.
– A Petrobras está no limiar de uma nova província. Óleo já sabemos que tem, gerador sabemos que tem. Falta confirmar o reservatório.
Além do potencial que a história geológica indica, a Bacia de Santos conta ainda com o tamanho, destacado pelo próprio executivo da Petrobras.
– A bacia de Santos é, em área, três vezes maior que a Bacia de Campos.
A Bacia de Santos engloba todo o litoral que vai de Cabo Frio (RJ) a Florianópolis.

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