Panorama

Alta do álcool equilibra custo da produção

Só agora que doeu no bolso do consumidor, com o aumento dos preços do etanol nas bombas de gasolina, que os holofotes se voltaram para o setor sucroalcooleiro. De acordo com o gestor de riscos Arnaldo Luiz Corrêa, apesar da enorme dificuldade de crédito pela qual passou muitas usinas e da traves

Redação
27/10/2009 12:56
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Só agora que doeu no bolso do consumidor, com o aumento dos preços do etanol nas bombas de gasolina, que os holofotes se voltaram para o setor sucroalcooleiro. De acordo com o gestor de riscos Arnaldo Luiz Corrêa, apesar da enorme dificuldade de crédito pela qual passou muitas usinas e da travessia penosa na entressafra de parcos recursos disponíveis, decorrente da crise econômica mundial, o cenário é alentador, pois os mercados internacional e doméstico de açúcar remuneram acima do custo de produção.


"O problema é o etanol, que sofre com o desequilíbrio do mercado de petróleo e da falta de caixa das usinas que empurram os preços para baixo mesmo na entressafra, fazendo com que o hidratado - que é mais de 70% da produção total de etanol - esteja no limite do custo de produção", avalia.


Para se ter uma ideia, "se for considerada a média de preço do álcool hidratado, usado pelos veículos flex, comercializados nos últimos 100 dias (tomando como base o índice ESALQ), verificaremos que as usinas venderam o produto, em média, 3% abaixo do custo de produção, sem contemplar o custo financeiro de carregar estoques", completa Arnaldo.


No último ano o hidratado foi negociado 8% abaixo do custo de produção, em média. No início deste ano, muitas usinas, pressionadas pela crise de crédito, chegaram a vender o hidratado 31% abaixo do custo de produção. "O aumento do preço do etanol, agora, vem equilibrar essa conta que as usinas vinham assumindo para atender aos compromissos financeiros de longo prazo para a nova safra", pondera.


Já o açúcar vive um período favorável em termos de preços no mercado internacional em função do déficit de produção na Índia, maior consumidor mundial. Para Arnaldo, o fato é que o setor precisa de expansão constante nos próximos três anos, com crescimento de 10,24%, se quiser atender a demanda.
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