Pré-Sal

ANP vai furar dois poços em área da União ainda este ano

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai usar R$ 600 milhões de seu orçamento para furar pelo menos dois poços em áreas não concedidas do pré-sal, que são da União. O tema foi antecipado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,

Valor Econômico
14/09/2009 07:00
Visualizações: 692

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai usar R$ 600 milhões de seu orçamento para furar pelo menos dois poços em áreas não concedidas do pré-sal, que são da União. O tema foi antecipado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista ao Valor no mês passado. Dependendo do resultado, outros dois serão perfurados pela Petrobras, como prestadora de serviços, para a agência reguladora. O dinheiro virá do orçamento para pesquisa e desenvolvimento da própria ANP. A diretora Magda Chambriard explicou que os técnicos ainda vão decidir o local do primeiro poço, mas quer começar a perfuração ainda este ano. As áreas mais prováveis são a sudoeste ou nordeste de Tupi e a área adjacente a Caramba (BM-S- 21).

Na primeira entrevista desde a publicação, pelo Valor, de uma estatística mostrando que 9 em 28 poços do pré-sal tinham resultados ruins, Magda disse que o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da ANP, que está sob sua responsabilidade, errou ao atribuir resultados a áreas que ainda estão em período exploratório, com base na portaria 76 da ANP.

De acordo com o levantamento mais atualizado da ANP, já foram perfurados 45 poços no pré-sal brasileiro desde 2004. Destes, cinco foram declarados secos pelas próprias operadoras. A lista de cinco poços inclui os dois anúncios recentes de perfuração frustradas da Esso (ExxonMobil) e da BG e três poços da Petrobras perfurados na área dos campos Marlim Leste (dois poços) e PapaTerra, todos no pré-sal da bacia de Campos.

Magda explica que a área do pré-sal de Santos é muito grande e existem poucos poços perfurados ali. Comparando-se com as informações disponíveis hoje sobre a bacia do Recôncavo, que tem 10 mil quilômetros quadrados de extensão e aproximadamente 96 campos em produção, a bacia de Santos ainda é muito pouco explorada. Somente a área do platô de São Paulo, onde fica o chamado cluster de Tupi, tem quase duas vezes o tamanho do Recôncavo baiano. A diretora diz que a única maneira de mudar isso é furar mais, e a função da ANP é justamente adquirir conhecimento geológico e geofísico. Tanto que, se pudesse, a agência faria 15 poços no pré-sal de Santos, mas eles são muito caros para o orçamento, explica.

"Quanto mais conhecimento tivermos, mais valor vamos dar à área da União. Aqui o objetivo não é comercial e sim a valorização de ativos para a sociedade brasileira. Na Petrobras, o objetivo é valorizar ativos para os acionistas. Por acaso, a sociedade brasileira tem uma parcela da companhia", pondera. Na perfuração desses poços, a estatal vai apresentar preços que serão auditados. "A Petrobras terá que provar, com contrato, que o valor cobrado é o que ela efetivamente paga nos contratos dela", explica.

Ao descrever a visão da ANP sobre o pré-sal, Magda, engenheira civil com pós-graduação em engenharia química e especializações em engenharia de reservatórios, disse que, sob o ponto de visto geológico, ele é, sim, um sucesso exploratório. Segundo ela, os resultados mais importantes são os dos poços pioneiros (os primeiros numa área), já que os demais têm o objetivo de delimitar o tamanho do reservatório.

Magda menciona o exemplo da bacia de Campos, onde dez campos são responsáveis por 74% da atual produção do Brasil. Ali, diz, o resultado entre poços pioneiros perfurados dividido pelo número de descobertas comerciais foi de cinco erros para cada acerto. E na bacia de Santos, diz, todos os poços pioneiros tiveram 100% de acerto. Isso explica, ainda segundo ela, os resultados ruins da Esso e da BG no segundo poço perfurado por cada uma, sempre nos poços de extensão ou adjacentes. No caso da BG, a nomenclatura do poço indica que a companhia foi buscar a mesma estrutura depois de uma falha ou algo similar. No caso do poço Guarani, da Esso (um dos informados como seco), a diretora da ANP explica que esse segundo poço foi perfurado para delimitar a extensão do reservatório encontrado na primeira descoberta (Azulão).

"Em geologia, por mais conhecida que seja a área, não existe risco zero. O que existe é uma força de expressão, uma área onde o risco exploratório é substancialmente menor que de outras. Quando falamos que o risco é zero estamos dizendo que a chance de sucesso aqui é substancialmente maior. Se você achou 32% (de insucesso no pré-sal), significa 68% de sucesso. E isso é risco zero", disse Magda.

A diretora da ANP explica que os dados sugerem diferenças entre as bacias de Campos e Santos. Na primeira, diz, a interpretação da agência sobre os resultados das perfurações em áreas onde a Petrobras já produz é que o petróleo gerado no pré-sal encontrou "saídas", seja por uma falha geológica, seja porque o sal não é contínuo na área ou porque tem só um domo. Com isso, ele migrou para cima, para o pós-sal. Já na bacia de Santos, ou pelo menos no chamado "cluster de Tupi" e platô São Paulo, todo o petróleo ficou retido embaixo de montanhas de sal de até dois quilômetros. E ainda está lá.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ROG.e 2026
Oil States destaca integração entre engenharia, fabricaç...
23/09/26
ROG.e 2026
Mayekawa apresenta soluções para óleo, gás e energia na ...
23/09/26
Negócios
Avanço acompanha expansão da cadeia de petróleo e gás e ...
23/09/26
ROG.e 2026
A energia inteligente no poço
23/09/26
ROG.e 2026
IBP lança caderno de Projetos e Iniciativas de Responsab...
23/09/26
ROG.e 2026
Gigantes do setor e produtores independentes aceleram pr...
22/09/26
ROG.e 2026
PPSA publica pré-edital do 1º Leilão de Gás Natural da União
22/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e Perenco Brasil assinam acordo para primei...
22/09/26
ABPIP
ABPIP terá programação própria de debates durante a ROG....
22/09/26
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
22/09/26
ROG.e 2026
MODEC debate desafios para um offshore mais eficiente na...
22/09/26
ROG.e 2026
Cladtek foi selecionada para desenvolver tecnologia que ...
22/09/26
ROG.e 2026
Abertura da ROG.e 2026 destaca transição energética just...
22/09/26
ROG.e 2026
Lideranças globais apontam Brasil como polo de estabilid...
22/09/26
ROG.e 2026
Firjan marca presença na abertura da ROG.e 2026 e firma ...
22/09/26
ROG.e 2026
ABB apresenta na ROG.e 2026 portfólio integrado para ope...
22/09/26
ROG.e 2026
Vallourec apresenta novas tecnologias que respondem aos ...
22/09/26
ROG.e 2026
Grupo Forship consolida liderança nacional em O&M (opera...
21/09/26
Brandend Content
Integridade de ativos offshore: como a integração entre ...
21/09/26
BOGE 2027
Bahia Oil & Gas Energy 2027 conecta negócios, inovação e...
21/09/26
Brandend Content
Descoberta e confiança: os dois tempos da venda industrial
21/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25