Gás natural

Aposta pelo gás atrai investimento das multinacionais

As empresas estrangeiras que atuam na exploração e produção de petróleo e gás continuam a olhar o Brasil com interesse, apesar de não terem ocorrido grandes descobertas de óleo no país desde 1999, quando iniciou-se a a abertura do setor. A principal aposta das multinacionais petroleiras no

Valor Econômico
24/05/2004 00:00
Visualizações: 642

As empresas estrangeiras que atuam na exploração e produção de petróleo e gás continuam a olhar o Brasil com interesse, apesar de não terem ocorrido grandes descobertas de óleo no país desde 1999, quando iniciou-se a a abertura do setor. A principal aposta das multinacionais petroleiras no país aponta para o segmento de gás natural, no qual há expectativas promissoras de novas descobertas, afirma Sebastião do Rego Barros, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O apetite das companhias estrangeiras pelo gás natural cria condições favoráveis para a próxima rodada de licitações para exploração e produção de áreas de petróleo e gás (Brasil Round 6), que será promovida pela ANP nos dias 17 e 18 de agosto. Barros avalia que a descoberta de reservas prováveis de 14,8 trilhões de pés cúbicos de gás (TCFs) na bacia de Santos, anunciada em 2003 pela Petrobras, está estimulando os investidores do setor. "O gás é algo promissor em termos de descobertas (no Brasil) e o mercado no mundo é demandante", diz ele.
O diretor-geral da ANP lembra que, antes da descoberta, as reservas provadas de gás do Brasil eram de 8,66 TCFs (cada TCF equivale a 28,3 bilhões de metros cúbicos). Agora as reservas provadas e prováveis pularam para 22,3 TCFs, o que corresponde a um salto de 231 bilhões de metros cúbicos para 631 bilhões. "As últimas cinco, seis empresas que recebi falam em gás. Porque todas as análises indicam que a sede de gás dos Estados Unidos é irrefreável", diz Rego Barros.
Ele levanta, inclusive, a possibilidade de o Brasil exportar gás natural no futuro, hipótese que por enquanto é negada pela Petrobras. "O Brasil poderá exportar (gás) ou não, não se sabe, mas o que é certo é que há muitas empresas do setor com interesse de operar no Brasil, de associar-se (com a Petrobras) e até de exportar gás no futuro", analisou Barros.
Ele avaliou como positiva a proximidade da Bacia de Santos, onde houve a descoberta das megasreservas de gás, com os principais mercados consumidores do país (São Paulo e Rio). Na semana passada, o diretor-geral da ANP participou de uma conferência sobre energia na América Latina, em Los Angeles, na Califórnia.
No encontro, especialistas opinaram que as gigantescas reservas de gás da Bolívia permitiriam, no futuro, não só suprir o Brasil mas permitir exportações desse gás via mercado brasileiro. A conferência também permitiu a Barros concluir que há espaço para redução de preços do petróleo a curto prazo. Mas a médio e longo prazos o consumo no mundo continuará crescendo.
Além de ser otimista com o cenário para o gás natural no Brasil, Barros identifica uma chance no petróleo: "O Brasil entrou no buraco por causa do petróleo já que, a partir dos choques (do petróleo) na década de 70, a dívida (do país) disparou. Então agora eu fico pensando se o país não encontrará o caminho do crescimento e do desenvolvimento via petróleo", filosofa o diretor da ANP.
Uma das expectativas do mercado, no Brasil Round 6, são as áreas exploradas e devolvidas à ANP pela Petrobras. "São áreas onde a empresa trabalhou muito e sobre as quais há muita informação", diz Barros. Essas áreas estão entre as que mais chamam a atenção das empresas interessadas na licitação. Esso, Shell, Chevron e BP, que não participaram do leilão no ano passado, podem estar voltando a disputar lances em 2004. Barros considerou negativa, porém, a decisão da Petrobras de não licitar os campos de produção "maduros", que poderiam permitir a entrada na atividade de um grande número de pequenas e médias empresas.
Barros também mostrou preocupação com alguns fatores que inibem o investimento estrangeiro. O principal são as leis impostas pelo Estado do Rio - a lei Noel, que taxa a atividade de extração de petróleo, e a lei Valetim, que prevê incidência de ICMS sobre a importação de bens e equipamentos para plataformas. O diretor-geral da ANP disse que seria adequado que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgasse as ações de inconstitucionalidade contra as duas leis.
Barros avaliou ainda que o risco regulatório no Brasil é menor e ponderou que a discussão sobre o papel das agências no atual governo não esvaziou, na prática, a atuação da diretoria da ANP. Citou como exemplo a recondução de Nilton Reis Monteiro, indicado por Barros, para o cargo de diretor da agência, em processo ainda em tramitação.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Margem Equatorial
ANP aprova delimitação de 11 novos setores exploratórios...
02/10/26
Agronegócio
Agro diversifica matriz energética e busca alternativas ...
02/10/26
Firjan
Manifesto Firjan defende o voto consciente em 4 de outubro
02/10/26
PPSA
ExxonMobil e TotalEnergies vencem o 9º Leilão Spot de Pe...
02/10/26
Workshop
Petrobras, Shell, ArcelorMittal e IBRAM discutem desafio...
01/10/26
Resultado
Produção de petróleo e gás em agosto de 2026 alcançou 6,...
01/10/26
Normas
ANP recebe contribuições sobre revisão da norma para reg...
01/10/26
ROG.e 2026
Petrobras e Petronect levam nova solução para compras de...
30/09/26
Premiação
Mirante Tecnologia vence prêmio da Petrobras de melhor f...
30/09/26
ROG.e 2026
Empresa Piracicaba apresentou lançamentos em um dos prin...
30/09/26
Combustíveis
Diesel S-10 acumula alta de 15,1% em 12 meses, aponta Mo...
30/09/26
Segurança + IA
CTO da Oakmont é um dos representantes brasileiros no en...
29/09/26
Gás Natural
ANP realiza 2° Workshop para debater Gas Release
29/09/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: conheça as empresas e...
29/09/26
Etanol de milho
Produtores de etanol de cana investem em usinas híbridas...
29/09/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de julho foram ...
29/09/26
ROG.e 2026
Oil States destaca integração entre engenharia, fabricaç...
28/09/26
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
28/09/26
ROG.e 2026
Vencedor do RSE Award e destaque na ROG.e, o Programa de...
28/09/26
ROG.e 2026
Empresários do Norte Fluminense prospectam negócios na R...
25/09/26
ROG.e 2026
ANP participou de mais de 40 palestras em evento que reú...
25/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25