Gás Natural

Banco do Sul dará prioridade à construção de gasoduto

A criação do Banco do Sul – reunindo 12 países da América do Sul – está marcada para o dia 3 de novembro e um dos primeiros projetos a ser analisado pela nova instituição será o de construção do Gasoduto do Sul, que liga a Venezuela à Argentina, passando pelo Brasil.

Agência Brasil
09/10/2007 00:00
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A informação foi divulgada pelo ministro de Finanças da Venezuela, Rodrigo Cabeza, que participou ontem (8), com outros seis ministros de Economia e Finanças da região, da reunião que aprovou a ata de criação do banco, cujo texto pode ser conferido no endereço eletrônico www.fazenda.gov.br.

A cerimônia de criação oficial do banco deverá contar com a presença dos presidentes dos países integrantes da nova instituição, em Caracas (Venezuela), e os primeiros projetos deverão ser financiados já no próximo ano. "O banco terá entre suas orientações financiar aqueles programas que apontem para a integração entre nossos países. A Venezuela tem uma reserva muito grande de gás e acredita que é possível unir a América do Sul com um grande gasoduto, que passe pelo Brasil e termine na Argentina”, afirmou Cabeza.
Segundo ele, a construção do gasoduto é viável e depende de vontade política. “No sentido da integração solidária e complementar, um país como o nosso, que não tem problemas energéticos, coloca parte de sua capacidade a serviço de outros países que têm alguma dificuldade neste setor”, explicou.

O ministro disse que a criação do Banco do Sul será fundamental para viabilizar a construção do gasoduto, atuando como um articulador financeiro. “Além da vontade política e da disposição dos países, é necessário um investimento para tornar isso realidade. O Banco do Sul, juntamente com o Banco de Desenvolvimento da Venezuela e com o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], do Brasil, pode formar um conglomerado para assumir o desafio de construir o gasoduto”, detalhou Cabeza.

As críticas à construção do gasoduto, disse, são mais políticas do que econômicas: “Vêm do mundo conservador, que não acredita no processo de integração. E este é o desafio que temos na América do Sul – dar passos largos neste setor. Se os europeus nos deram o exemplo de se integrar e ter uma moeda comum, quando todos diziam que não era possível e que era um absurdo, nós também podemos”.

O projeto do gasoduto prevê o transporte de gás por mais de 12.500 quilômetros, passando pelos principais centros econômicos do Brasil. Em janeiro, a Petrobras e a PDVSA, empresa petrolífera venezuelana, assinaram uma carta de intenções para desenvolver o projeto. Numa primeira fase, o gasoduto interligaria Guiria, na Venezuela, ao porto de Suape, em Recife, num total de 5 mil quilômetros de extensão. E seria alimentado com metade da produção do campo venezuelano de Mariscal Sucre, com 17 milhões de metros cúbicos por dia e capacidade de escoamento de 50 milhões de metros cúbicos diários.

Segundo os entendimentos entre as duas petrolíferas, a engenharia básica do projeto deve estar concluída até dezembro de 2008. O projeto total prevê a interligação com Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, confirmou que a prioridade do novo banco, que terá sub-sedes em La Paz (Bolívia) e em Buenos Aires (Argentina), serão os projetos de infra-estrutura regional. “Certamente os projetos de infra-estrutura são prioritários porque são aqueles que fazem uma integração e, ao mesmo tempo, permitem o desenvolvimento econômico e social dos países. A infra-estrutura, como geração de energia elétrica, logística de transporte e comunicação, é fundamental para o crescimento dos países”, disse.

De acordo com o ministro brasileiro, a composição do capital do Banco do Sul ainda não está definida: “O Brasil vai definir qual parcela colocará. É claro que não é dos países que vai colocar menos capital e está entre o que vai dar mais. Mas quanto e de que forma, ainda não está definido”.

Participaram do encontro hoje os ministros Guido Mantega, do Brasil; Miguel Gustavo Peirano, da Argentina; Luis Alberto Catacora, da Bolívia; Fausto de La Cadena, do Equador; Manuel Alarcón Säfstrand, do Paraguai; Mario Bergara, do Uruguai, e Rodrigo Cabeza, da Venezuela.



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