Gás natural

Bolívia diminui pedido de reajuste do gás à Petrobras

Folha de São Paulo
14/07/2006 00:00
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A negociação começou esta semna e pode durar até dezembro, segundo fontes oficiais. A petrolífera estatal boliviana YPFB apresentou proposta para o aumento do gás natural que vende à Petrobras, com preço menor do que o que havia sido aventado anteriormente pelo governo do país.

A negociação, que começou esta semana, pode durar até dezembro, segundo fontes oficiais.

A proposta foi apresentada na quarta-feira (12/07) em uma reunião técnica das petroleiras estatais da Bolívia e do Brasil em Santa Cruz de la Sierra, disse o presidente da YPFB, Jorge Alvarado.

"Segundo a nova fórmula, o preço será agora de US$ 5 (por milhão de BTU, a unidade-padrão)", disse ele.

Esse valor substituiria os US$ 4 em vigor desde o começo de julho, de acordo com a atual fórmula, que se baseia em cesta internacional de combustíveis.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse ontem, porém, que a fórmula atual será mantida até 2019.

Um porta-voz da YPFB acrescentou que a reunião de Santa Cruz durará dois dias e que não está previsto o anúncio imediato do acordo, pois há uma reunião posterior programada para acontecer no Brasil.

Alvarado admitiu que, embora esteja correndo desde o fim de junho prazo de 45 dias para que a YPFB e a Petrobras cheguem a um acordo sem arbitragem, "é provável que ambas as partes decidam prolongar suas conversações até dezembro".

Isso adiaria a definição do novo preço do gás boliviano até depois das eleições, em 1º de outubro, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é candidato à reeleição.

"A negociação é complicada, Lula se coloca de forma dura porque não quer perder votos", disse anteontem o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz, segundo quem a Bolívia quer valor mínimo de US$ 7,50 por milhão de BTU.

Petrobras

"Não levamos em conta a possibilidade de quebra de contrato. A fórmula para cálculo do preço do gás permanece até 2019", disse Gabrielli a investidores e analistas do mercado financeiro em Nova York.

"Tudo é possível. Estou negociando com a Bolívia. Vou continuar negociando em termos técnicos. Não há por que mudar. O contrato diz, de forma muita clara, que as partes podem pedir para negociar qualquer assunto. Não vou dizer que há impasse", afirmou.

Na semana passada, o governo boliviano disse não temer que o impasse seja levado à corte internacional de arbitragem, em Nova York.

Gabrielli disse ainda que o poço de óleo leve descoberto pela empresa na bacia de Santos ainda deve demorar de seis a sete anos anos até que esteja apto para extração.

Ele afirmou que a estatal pode ter dificuldades num cenário de alta demanda por álcool.

"Poderemos ter problema na oferta se a demanda subir muito rapidamente. O Brasil consome a maioria de sua produção atual, sem mencionar que as capacidades de exportação teriam de ser reajustadas."

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