Política

Brasil usa preços do petróleo para controlar inflação, diz FMI

Estudo foi divulgado na quarta-feira (27).

Valor Econômico
28/03/2013 12:02
Visualizações: 428

 

A reforma da política de subsídios aos preços de combustíveis promovida pelo Brasil entre o começo dos anos 1990 e 2001 foi bem sucedida, diz estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas notando que, embora as cotações sejam oficialmente definidas pela Petrobras, “na prática o governo as utiliza como uma ferramenta para controlar a inflação”. Segundo o relatório divulgado na quarta-feira (27), as mudanças fizeram o país, que gastou o equivalente a 0,8% do PIB na metade dos anos 90 para subsidiar combustíveis, a gerar receitas desde 2002.
O estudo não entra em detalhes sobre a fixação recente de preços dos combustíveis para o consumidor. Não menciona, por exemplo, as críticas de especialistas à demora do governo em permitir a elevação das cotações cobradas pela Petrobras na venda de gasolina e do óleo diesel para as refinarias. Ao comentar a duração das reformas dos subsídios, o FMI diz que o governo tem utilizado os preços como instrumento para segurar a inflação, citando a redução de impostos sobre a gasolina e o diesel em 2004 a remoção das taxas sobre o gás de cozinha e o óleo combustível para manter constantes os preços para os consumidores finais.  Em junho de 2012, o governo zerou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre gasolina e o diesel, para neutralizar o aumento dos preços desses produtos (episódio não mencionado pelo estudo).
“Como resultado de uma taxa mais baixa e de uma cobertura menor, o volume total de impostos relacionados ao petróleo não subiu, apesar do crescimento do consumo”, diz o relatório, observando  que isso implica perdas operacionais para a Petrobras em parte de seus negócios.
De modo geral, porém, o estudo trata de modo positivo as reformas dos subsídios ao consumo de derivados do petróleo empreendidas pelo Brasil a partir do começo do anos 1990. Ele começa pela análise da situação do mercado brasileiro de petróleo nos anos 1980, dominado pela Petrobras. O FMI lembra que um fundo de estabilização foi adotado para amortecer a volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional. “O preço do petróleo vendido às refinarias era ajustado para manter os custos para as refinarias num preço determinado pelo governo”.
O fundo acumulava débitos com a Petrobras quando as cotações do petróleo no mercado internacional estavam elevadas, sendo compensados quando estes preços estavam baixos. Com a alta dos custos de importação do produto, o fundo de estabilização e a Petrobras tinham déficits enormes, segundo o FMI. “Para pagar as perdas acumuladas, isso levou o governo a transferir R$ 5,8 bilhões (0,8% do PIB de 1995) para a Petrobras no meio dos anos 1990 e a empresa teve que absorver perdas que nunca estavam registradas de modo transparente no orçamento”.
Para enfrentar o problema, o Brasil adotou uma estratégia gradual, importante para diminuir a resistência da retirada dos subsídios por grupos que se beneficiavam dos subsídios. “A remoção em estágios dos subsídios no Brasil foi cuidadosamente concebida para garantir que o processo fosse politicamente aceitável”, diz o estudo. Os produtos que primeiro perderam os subsídios foram aqueles em que era mais fácil retirá-los, como asfalto, lubrificantes e combustível para aviação. Os mais delicados, como combustíveis usados para transporte e pela indústria ficaram por último.
O estudo nota que reformas liberalizantes têm mais chance de serem bem sucedidas quando o governo é popular. “Depois de controlar a hiperinflação, que tinha sido crônica por uma década, a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu capitalizar apoio político para promover a sua agenda de liberalização”, diz o FMI. Outro ponto importante, para o Fundo, foi a adoção de programas sociais direcionados aos mais pobres, de modo a reduzir a oposição à reforma e aumentar a sua duração. Depois do fim do subsídio ao gás de cozinha, o governo criou o Vale-gás em 2002, para que as famílias mais pobres pudessem comprar o produto. Em 2001, havia sido criado o Bolsa Escola. Os dois programas foram unidos em 2003 no Bolsa Família.

A reforma da política de subsídios aos preços de combustíveis promovida pelo Brasil entre o começo dos anos 1990 e 2001 foi bem sucedida, diz estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas notando que, embora as cotações sejam oficialmente definidas pela Petrobras, “na prática o governo as utiliza como uma ferramenta para controlar a inflação”. Segundo o relatório divulgado na quarta-feira (27), as mudanças fizeram o país, que gastou o equivalente a 0,8% do PIB na metade dos anos 90 para subsidiar combustíveis, a gerar receitas desde 2002.


O estudo não entra em detalhes sobre a fixação recente de preços dos combustíveis para o consumidor. Não menciona, por exemplo, as críticas de especialistas à demora do governo em permitir a elevação das cotações cobradas pela Petrobras na venda de gasolina e do óleo diesel para as refinarias. Ao comentar a duração das reformas dos subsídios, o FMI diz que o governo tem utilizado os preços como instrumento para segurar a inflação, citando a redução de impostos sobre a gasolina e o diesel em 2004 a remoção das taxas sobre o gás de cozinha e o óleo combustível para manter constantes os preços para os consumidores finais.  Em junho de 2012, o governo zerou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre gasolina e o diesel, para neutralizar o aumento dos preços desses produtos (episódio não mencionado pelo estudo).


“Como resultado de uma taxa mais baixa e de uma cobertura menor, o volume total de impostos relacionados ao petróleo não subiu, apesar do crescimento do consumo”, diz o relatório, observando que isso implica perdas operacionais para a Petrobras em parte de seus negócios.


De modo geral, porém, o estudo trata de modo positivo as reformas dos subsídios ao consumo de derivados do petróleo empreendidas pelo Brasil a partir do começo do anos 1990. Ele começa pela análise da situação do mercado brasileiro de petróleo nos anos 1980, dominado pela Petrobras. O FMI lembra que um fundo de estabilização foi adotado para amortecer a volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional. “O preço do petróleo vendido às refinarias era ajustado para manter os custos para as refinarias num preço determinado pelo governo”.


O fundo acumulava débitos com a Petrobras quando as cotações do petróleo no mercado internacional estavam elevadas, sendo compensados quando estes preços estavam baixos. Com a alta dos custos de importação do produto, o fundo de estabilização e a Petrobras tinham déficits enormes, segundo o FMI. “Para pagar as perdas acumuladas, isso levou o governo a transferir R$ 5,8 bilhões (0,8% do PIB de 1995) para a Petrobras no meio dos anos 1990 e a empresa teve que absorver perdas que nunca estavam registradas de modo transparente no orçamento”.


Para enfrentar o problema, o Brasil adotou uma estratégia gradual, importante para diminuir a resistência da retirada dos subsídios por grupos que se beneficiavam dos subsídios. “A remoção em estágios dos subsídios no Brasil foi cuidadosamente concebida para garantir que o processo fosse politicamente aceitável”, diz o estudo. Os produtos que primeiro perderam os subsídios foram aqueles em que era mais fácil retirá-los, como asfalto, lubrificantes e combustível para aviação. Os mais delicados, como combustíveis usados para transporte e pela indústria ficaram por último.


O estudo nota que reformas liberalizantes têm mais chance de serem bem sucedidas quando o governo é popular. “Depois de controlar a hiperinflação, que tinha sido crônica por uma década, a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu capitalizar apoio político para promover a sua agenda de liberalização”, diz o FMI. Outro ponto importante, para o Fundo, foi a adoção de programas sociais direcionados aos mais pobres, de modo a reduzir a oposição à reforma e aumentar a sua duração. Depois do fim do subsídio ao gás de cozinha, o governo criou o Vale-gás em 2002, para que as famílias mais pobres pudessem comprar o produto. Em 2001, havia sido criado o Bolsa Escola. Os dois programas foram unidos em 2003 no Bolsa Família.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Naturgy, Agenersa e Governo do Estado assinam acordo sob...
02/10/26
Margem Equatorial
Nova descoberta de petróleo em águas ultra profundas na ...
02/10/26
Biometano
Corredor Verde com 100 caminhões a biometano e pontos de...
02/10/26
Gasodutos
Acesso de terceiros a gasodutos de escoamento e instalaç...
02/10/26
Margem Equatorial
ANP aprova delimitação de 11 novos setores exploratórios...
02/10/26
Agronegócio
Agro diversifica matriz energética e busca alternativas ...
02/10/26
Firjan
Manifesto Firjan defende o voto consciente em 4 de outubro
02/10/26
PPSA
ExxonMobil e TotalEnergies vencem o 9º Leilão Spot de Pe...
02/10/26
Workshop
Petrobras, Shell, ArcelorMittal e IBRAM discutem desafio...
01/10/26
Resultado
Produção de petróleo e gás em agosto de 2026 alcançou 6,...
01/10/26
Normas
ANP recebe contribuições sobre revisão da norma para reg...
01/10/26
ROG.e 2026
Petrobras e Petronect levam nova solução para compras de...
30/09/26
Premiação
Mirante Tecnologia vence prêmio da Petrobras de melhor f...
30/09/26
ROG.e 2026
Empresa Piracicaba apresentou lançamentos em um dos prin...
30/09/26
Combustíveis
Diesel S-10 acumula alta de 15,1% em 12 meses, aponta Mo...
30/09/26
Segurança + IA
CTO da Oakmont é um dos representantes brasileiros no en...
29/09/26
Gás Natural
ANP realiza 2° Workshop para debater Gas Release
29/09/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: conheça as empresas e...
29/09/26
Etanol de milho
Produtores de etanol de cana investem em usinas híbridas...
29/09/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de julho foram ...
29/09/26
ROG.e 2026
Vencedor do RSE Award e destaque na ROG.e, o Programa de...
28/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25