Petroquímica

Braskem irá manter projeto de pólo gás-químico na fronteira com a Bolívia

Valor Econômico
18/05/2005 00:00
Visualizações: 900

O projeto do pólo gás-químico da fronteira Brasil-Bolívia, um investimento de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, não será prejudicado com o aumento da tributação sobre produção de hidrocarbonetos decidida pelo Congresso boliviano.
De acordo com o vice-presidente de Planejamento da Braskem, José Mauro Carneiro da Cunha, o projeto continuará em fase de estudos e detalhamento até que surjam condições que viabilizem o investimento. A Braskem, maior petroquímica privada do Brasil, e a Petrobras são as parceiras no projeto do pólo gás-químico da fronteira, cuja matéria-prima está prevista para ser gás natural boliviano, em parte produzido pela Petrobras.
"Não morre. A gente continuará estudando, mesmo que não coloque em execução agora", disse Carneiro da Cunha. A Petrobras também mantém o projeto nas suas estimativas de investimentos para os próximos anos. Ontem, durante seminário sobre o futuro da petroquímica no Brasil, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Patrick Horback Fairon, diretor da Petroquisa (subsidiária da Petrobras para a área petroquímica), citou o projeto ao apresentar o portfólio da estatal, mas disse que ele "precisa ser repensado em razão da turbulência na Bolívia".
Na semana passada, a ministra de Minas e Energia brasileira, Dilma Rousseff, disse que os projetos brasileiros na área de petróleo e gás na Bolívia estavam "recuados". De acordo com ela "o governo brasileiro já fez todas as gestões no sentido de sinalizar isso, que é preciso ter cuidado senão chega a um ponto de oneração do investimento que o torna inviável", disse a ministra.
O Brasil importa hoje cerca de 24 milhões de metros cúbicos de gás boliviano por dia, em média. A proximidade da fonte de matéria-prima é a principal justificativa para a construção do pólo na fronteira que, em princípio, produziria 600 mil toneladas por ano de polietilenos (resina básica para a fabricação de plástico).
A produção do pólo teria como principal mercado consumidor as indústrias do Estado de São Paulo, devendo servir de base também para o desenvolvimento da indústria petroquímica no Mato Grosso do Sul.

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