Tecnologia

Carro da GM rodará com três combustíveis

Valor Econômico
12/08/2004 00:00
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 A direção da General Motors vai apresentar, nesta sexta-feira (13/08), ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro modelo de automóvel tricombustível do país. Movido tanto a gasolina como a álcool ou a gás natural veicular (GNV), o novo carro estará no mercado "já neste mês", afirmou ontem em Porto Alegre o vice-presidente da empresa, José Carlos Pinheiro Neto.
A demonstração ao presidente da República será às 10h, no Palácio do Planalto, em Brasília. O executivo não adiantou detalhes do novo carro, mas disse que o sistema multicombustível será utilizado somente em um dos modelos fabricados pela empresa. Segundo Pinheiro Neto, a tecnologia para uso dos três tipos de combustíveis simultaneamente será fornecida pela Bosch do Brasil.
Há cerca de dois meses, a direção da Bosch revelou ao Valor que estava "de namoro" com os clientes (as montadoras) para o uso do equipamento tricombustível. O sistema agrega o uso do gás aos motores que podem funcionar com álcool, gasolina ou a mistura de ambos em qualquer proporção.
No sistema tricombustível, o uso do gás requer uma chave de conversão, acionada pelo próprio motorista. A Bosch anunciou que também estava preparando o lançamento de kits de conversão para venda direta ao consumidor. Segundo a Bosch, a soma da autonomia de um carro com tanque para álcool/gasolina e mais um cilindro a gás pode alcançar 900 quilômetros.
Os carros que funcionam com gasolina, álcool ou a mistura de ambos começaram a ser lançados em março de 2003. E já ocuparam o lugar dos modelos movidos exclusivamente a álcool. De janeiro a julho deste ano, foram vendidas no país 150.872 unidades do chamado carro bicombustível, o que representou cerca de 28% do mercado total de automóveis e comerciais leves.
Mas o resultado não representa exclusivamente a boa aceitação do consumidor. A própria indústria está direcionando esse mercado, já que determinados modelos são produzidos apenas na versão bicombustível. Caso da picape Montana, da GM, ou do Fox, da Volkswagen.
O projeto do carro que roda com gasolina ou álcool foi desenvolvido pela engenharia brasileira há cerca de nove anos. Mas as montadoras só se interessaram em começar a fabricar modelos com esse sistema depois que convenceram o governo, há dois anos, a cobrar nesse tipo de veículo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) igual ao do carro a álcool - dois pontos percentuais abaixo do IPI do modelo a gasolina.

Companhia já tem o protótipo de novo modelo
 
O protótipo do novo carro que a General Motors produzirá no Brasil a partir do primeiro semestre de 2007 já está sendo apresentado a clientes internacionais da empresa. "Estamos recebendo comitivas", disse ontem o vice-presidente da empresa, José Carlos Pinheiro Neto. A GM vai ampliar a fábrica de Gravataí (RS) para abrigar a nova linha de montagem.
O modelo está pronto, no centro de desenvolvimento tecnológico da companhia, em São Caetano do Sul (SP). Mas, por enquanto, as demonstrações são estáticas, sem teste de direção.
No próximo ano, o protótipo entrará em fase de testes no campo de provas, em Indaiatuba (SP). Mas a apresentação aos concessionários ocorrerá somente em 2007, explicou o executivo. Ele não revela detalhes do carro, desenvolvido integralmente pela GM no Brasil. Mas diz que o modelo deverá ter motorização entre 1.3 e 1.6 litro.
Hoje a fábrica de Gravataí produz quase exclusivamente carros Celta 1.0, com exceção de alguns modelos 1.4 exportados para a Argentina. Segundo Pinheiro Neto, com os investimentos de US$ 240 milhões em equipamentos e instalações, a produção da unidade será elevada de 120 mil para 220 mil veículos por ano, o equivalente a um carro por minuto. Dos 100 mil adicionais, cerca de 20% serão destinados ao mercado externo.
Parte das exportações, incluindo os embarques para a China, será sob a forma de carros desmontados (CKD), explicou o vice-presidente. Para o México, que no ano passado importou 80 mil carros da General Motors (Meriva, Astra e Corsa), irão produtos montados.
Neste ano, a empresa deve fabricar cerca de 630 mil carros no Brasil. O volume representará um crescimento 10% superior a 2003, prevê Pinheiro Neto.
O executivo acredita em uma produção total do setor no país superior a 2 milhões de unidades, sendo até 1,6 milhão para o mercado interno. Para 2005, ele estima um crescimento de mais 8% para a GM. A marca é líder do mercado brasileiro nas vendas acumuladas neste ano.
Conforme o executivo, a empresa adiou por um ano os planos de aquisição de energia no mercado livre para a fábrica de Gravataí. A montadora estava preparando a contratação de dois lotes de energia, de 8,5 e 2,4 megawatts (MW) médios, a partir de setembro, mas alterou a programação por razões de "caráter técnico", afirmou.

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