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Cotação final do petróleo fica perto dos US$ 64 o barril

Valor Econômico/Ag.
09/08/2005 00:00
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Ameaça à embaixada dos EUA na Arábia Saudita aumentou receio sobre abastecimento futuro

O preço do petróleo bruto subiu e alcançou o recorde de US$ 63,94 o barril ontem em Nova York devido a uma ameaça à embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita, que intensificou o receio de que a produção do país árabe, o maior exportador mundial de petróleo, possa estar em risco.
Em Nova York, os contratos com entrega em setembro subiram US$ 1,63, cotados a US$ 63,94 por barril, depois de atingir US$ 64 por barril, o maior valor registrado desde o lançamento dos contratos futuros em 1983. Em Londres, os contratos do tipo Brent fecharam cotados a US$ 62,70 por barril, com uma alta de US$ 1,63. Na máxima do dia, o petróleo foi negociado a US$ 62,76 em Londres.
A embaixada americana em Riad e os consulados dos EUA nas cidades sauditas de Jedá e Dhahran ficarão fechados durante todo o dia de hoje devido a uma ameaça feita contra prédios do governo dos EUA na Arábia Saudita. O fechamento ocorre após a morte do rei saudita Fahd, em 1º de agosto, e aumenta as especulações sobre a estabilidade da produção da região. Os contratos futuros de gasolina se aproximaram de seu recorde em meio ao fechamento temporário de várias refinarias.
A queda nos estoques de petróleo nos Estados Unidos anunciada semana passada foi provocada, em grande parte, pelo fechamento inesperado de algumas refinarias nos últimos 15 dias. Os maiores problemas foram verificados na unidade da ExxonMobil em Joliet, Illinois, com capacidade de 245 mil barris por dia, e na refinaria da BP na cidade do Texas, na qual foram fechadas duas unidades de produção. Também persistem os temores com a época de furações no Atlântico, o que vem impulsionando os preços.
Na sexta-feira, os preços do petróleo nos Estados Unidos estavam próximos do recorde de US$ 1,86 por galão (3,785 litros) registrado no mês passado. "O sistema está muito estreito e esse é o motivo pelo qual a preocupação com a oferta está elevando os preços", observou Catherine Arnfield, do Credit Suisse First Boston.

Cotação do Brent bateu em US$ 64 durante o pregão de ontem em Nova York 

"Estamos preocupados com a interrupção do fornecimento", disse Don Morton, vice-presidente-sênior do setor de comercialização de energia da americana Advest. "Estamos vivendo um momento de enfraquecimento com a troca da guarda na Arábia Saudita. Essa mudança pode se apresentar como uma oportunidade de desafiar a estrutura política saudita", disse ele.
O sucessor do rei Fahd, o príncipe herdeiro Abdullah, está à frente dos assuntos cotidianos do país desde que o monarca sofreu um acidente vascular cerebral, em 1995. A Arábia Saudita detém aproximadamente 25% das reservas mundiais comprovadas de petróleo.
Apesar da alta, se corrigido pela inflação, o preço do petróleo teve uma elevação maior durante a década de 1970. Os preços do petróleo subiram em 1974, após a adoção de um embargo que se seguiu à Guerra Árabe-Israelense de 1973, também conhecida como Guerra do Yom Kipur, e entre 1979 e 1981, após o Irã cortar suas exportações do produto. Em 1981, o custo médio do petróleo utilizado pelas refinarias americanas era de US$ 35,24 o barril, segundo o Departamento de Energia dos EUA, ou US$ 75,44 em valores atuais.

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