Infraestrutura

Déficit da balança comercial do setor de máquinas e equipamentos chega aos US$ 6,6 bilhões

Com o aumento dos juros e a manutenção de uma taxa de câmbio desfavorável ao setor, além da contínua elevação das importações oriundas, principalmente, da China, a previsão é de que o faturamento nominal da indústria de máquinas e equipamentos, que registrou aumento de 14,4% no primeir

Redação
28/07/2010 09:42
Déficit da balança comercial do setor de máquinas e equipamentos chega aos US$ 6,6 bilhões Visualizações: 898
Com o aumento dos juros e a manutenção de uma taxa de câmbio desfavorável ao setor, além da contínua elevação das importações oriundas, principalmente, da China, a previsão é de que o faturamento nominal da indústria de máquinas e equipamentos, que registrou aumento de 14,4% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2009, encontre dificuldades para continuar com o crescimento visto até aqui, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). 
 

Segundo a Associação, as exportações do setor de bens de capital mecânicos obtiveram um crescimento de 6,5% maior nos seis primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando US$ 4,0 bilhões FOB. Em compensação, o número de importações chegou à marca de US$ 10,6 bilhões FOB, com crescimento de 14,6% em comparação ao mesmo semestre de um ano atrás, elevando o déficit da balança comercial do setor para US$ 6,6 bilhões.
 
 
“Com isso, continuamos a apostar em um déficit comercial superior a US$ 12 bilhões até o fim de 2010, já que as exportações, dadas em ritmo mais ameno, correspondem a 20% do faturamento da indústria de máquinas e equipamentos”, aponta o presidente da entidade, Luiz Aubert Neto.
 

Porém, em relação ao ano de 2008, considerado um bom ano para a indústria, os números ainda preocupam. O faturamento no primeiro semestre de 2010 está 12,6% abaixo do mesmo período de 2008. As exportações caíram 24,6%, já as importações tiveram um aumento de 6,6%.
 

Para o representante da associação, a contínua elevação das importações e a falta de medidas e políticas para articular maior competitividade ao produto nacional no comércio exterior dificultam, ainda mais, a recuperação do setor frente à crise que ocorreu um ano atrás. “As importações de equipamentos chineses ao País, por exemplo, evoluíram a um ritmo de 57%, porém são produtos de baixo valor agregado e menor custo em relação ao produto brasileiro. Isso afeta, além de tudo, o nosso parque industrial”, argumenta.
 

Aubert Neto salienta que a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de elevar em 0,5 ponto a taxa básica de juros, passando para 10,75% ao ano, com a justificativa de conter a inflação por conta de um possível aquecimento da demanda, também foi decisiva para que o produto nacional perdesse espaço e investimentos.
 
 
“A atividade do nosso setor corresponde a apenas um turno de trabalho e ainda contamos com uma margem de ociosidade que foi deixada pela crise financeira”, pondera o executivo. O número de empregados no setor chegou a 244.651 em junho de 2010, número que é 5,8% maior que os 231.248 de junho de 2009.
 

Os dados da ABIMAQ apontam, também, para um crescimento de 9,6% no consumo aparente, em comparação entre os primeiros semestres de 2010-2009 e de 2,3% no nível de utilização da capacidade instalada, chegando a 82%, porém, mesmo com a expansão, não atingiu níveis superiores aos 86% que o setor detinha no período pré-crise.
 

Ainda segundo a associação, os pedidos em carteira mostraram um crescimento acima do faturamento nominal, atingindo 20,9%, evoluindo de 19,46 (registrados no primeiro semestre de 2009) para 22,08 semanas em média para atendimento dos pedidos. “Ao analisar os indicadores, é possível perceber certa positividade, no entanto, é preciso avaliar os números com maior destreza. A ocupação no setor precisa preencher quase oito mil postos de trabalhos para chegar ao bom nível calculado em outubro de 2008, quando havia 250 mil carteiras assinadas. Embora se mostrem de maneira positiva, a maioria dos indicadores não chegaram ao seu nível pré-crise”, afirma Luiz Aubert.

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