Gás Natural

Demanda paulista incentiva produção em Santos

O mercado brasileiro é considerado de grande potencial e nem a falta de lei do gás desestimula os investimentos em exploração no setor, avalia analista.


02/03/2005 00:00
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A Petrobras poderá investir até US$ 3,2 bilhões em São Paulo até 2010. Entre os projetos de investimentos discutidos pela diretoria da empresa e o governo paulista, em reunião nesta quarta-feira (02/03), está o cronograma para a construção da rede de dutos para a distribuição do gás do campo de Mexilhão. A antecipação da produção na Bacia de Santos, no entanto, será objeto de uma nova reunião, na sexta-feira, entre o diretor da área de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer e do secretário de energia e recursos hídricos de São Paulo, Mauro Arce.
A expectativa do governo paulista é de que produção do campo seja iniciada em 2008 ou 2009 e o argumento para a antecipação é o crescimento de consumo de gás no estado, que tem atingido a faixa dos 15% ao ano, alcançando a marca de 13 milhões de m³ por dia atualmente.
O argumento do governo paulista de que o mercado crescente pode viabilizar a produção de Santos está alinhado com o comentário do presidente da Devon Energy do Brasil, Murilo Marroquin, durante a audiência pública da Sétima Rodada de Licitações: "Comercializar aqui é mais fácil, se tiver comprador." O professor do grupo de economia da energia da UFRJ, Edmar Almeida, também concorda que o desenvolvimento de um mercado interno e de infra-estrutura de transporte de gás são os principais incentivos para o investimento na exploração dos campos gasíferos.
Na opinião de Almeida, o Brasil é o principal mercado potencial da América Latina para o combustível e por isso nem a falta de uma lei do gás supõe um grande problema para que as empresas participem da Sétima Rodada de Licitações, focada em áreas de exploração de gás. "Nós temos indústrias e isso é mercado. Se uma empresa encontra uma "bacia de Santos" no Equador ou no Peru terá mais dificuldade de vender o gás", exemplifica.
Segundo o professor, os executivos das empresas sabem da tendência de crescimento de mercado do gás natural no país. "O Brasil tem espaço para consumir o gás de Santos e continuar com a importação do gás boliviano", calcula.
Segundo Marroquin, o Brasil tem potencial para ser um grande mercado, mas ainda é uma incógnita e por isso a participação da Devon na Sétima Rodada está em estudos. Até agora a empresa só adquiriu ativos em áreas petrolíferas, na Bacia de Campos e no Maranhão. O executivo admite, no entanto, que é mais barato vender localmente do que liqüefazer. "Para justificar o investimento em uma planta de liqüefação de gás para exportação é preciso que haja muito gás", avalia.
Marroquin também analisa que as estimativas de evolução de consumo de gás natural nos Estados Unidos apontam para um aumento fantástico e para a necessidade de toda a América do Norte importar gás, mas a possibilidade de o Brasil ser um exportador não pode ser antecipada. "A Argentina consome quase tudo o que produz, em Trinidade Tobado, o consumo nunca vai superar a oferta. É um país pequeno, com pouca gente para muito gás, o Brasil não se sabe."

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