Petroquímica

Dúvidas sobre repasses da nafta afetam companhias do setor

Valor Econômico
21/07/2005 00:00
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A expectativa de resultados fracos no segundo trimestre das empresas do setor petroquímico - acompanhando o desempenho dos primeiros três meses do ano - tem segurado os preços das ações. Uma das explicações é justamente a dificuldade que essas indústrias já demonstraram no início do ano em repassar a alta internacional da nafta, derivado do petróleo e matéria-prima, para os seus clientes. No entanto, a expectativa de queda do petróleo até o fim do ano faz analistas projetarem melhora no desempenho das companhias.
Um exemplo da dificuldade em repassar os preços é que, enquanto a nafta subiu 21% no primeiro semestre, seu subproduto, o polipropileno, subiu apenas 6%, destaca o analista Luiz Otávio Broad, da Ágora Senior. O polipropileno é uma resina plástica produzida pelo setor e utilizada especialmente nas indústrias automotiva e de embalagens. A nafta segue o preço do petróleo no mercado internacional, que no ano já subiu 30,54%, considerando o barril do tipo WTI em Nova York.
Enquanto isso, as ações do setor caem, em média, mais de 16% desde janeiro. A maior perda é justamente das consideradas mais líquidas do segmento e com o maior número de recomendações entre os analistas, as preferenciais da série A (PNA) da Braskem. A perda acumulada é de 30,47% no ano, considerando o fechamento de ontem, a R$ 22,90, valor bem abaixo do avaliado como justo pelos analistas.
Já Copesul ON cai 16,57%, para R$ 29,90, e Suzano Petroquímica PN, 30,08% para R$ 4,52, ambas com potenciais praticamente de dobrar de preço levando em conta os preços alvos das corretoras.
"A alta do petróleo não foi acompanhada pelas resinas e isso resultou na queda das margens (de lucro)", avalia Broad. Já no início do mês, afirma, começou uma recuperação dos preços das resinas, mas a dependência ainda será do quanto o petróleo ainda cairá em relação aos US$ 56,72 o barril do encerramento dos negócios de ontem nos EUA, depois de ter chegado a US$ 62 nesse ano.
Do setor, Broad tem recomendação de compra para Copesul, Braskem e Suzano. Ele destaca a inauguração da Rio Polímeros, da qual a Suzano tem 33% e cujos resultados devem começar a ser incorporados no quarto trimestre. Além da compra de 50% da Polibrasil, o que deu à Suzano uma participação de 100% na subsidiária e poderá torná-la uma empresa operacional e não mais apenas uma holding. O fato de ser apenas uma empresa com participações em outra faz os papéis valerem menos do que valeriam se a mesma companhia fosse operacional.
Da Copesul, o analista destaca a distribuição de dividendos, correspondentes a 95% do lucro da companhia, acima dos 30% que a Suzano distribui e mesmo dos 50% que a Braskem tem como política se não onerar o seu fluxo de caixa.
Com relação à Braskem, a expectativa é pela conclusão da incorporação dos ativos da Petroquisa, controlada da Petrobras que possui uma opção de aumentar para até 30% sua participação no capital votante (ações ordinárias) da Braskem. Isso deve ser feito até o fim do ano e será pago com participação que a Petroquisa tem no Pólo Petroquímico de Triunfo (RS). Com isso, a Braskem - que controla a Copesul junto com a Ipiranga - poderá aumentar sua base de ativos no sul do país.
O analista Eduardo Kondo, da corretora Concórdia, acredita que a demanda por petroquímicos deve se manter alta no segundo semestre, com a expectativa de crescimento interno, de onde vem 70% da receita do setor. Isso favoreceria a recuperação das margens e dos lucros das empresas.

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