Energia Nuclear

Eletronuclear projeta R$ 6 bi para Angra 3 até 2023

Reuters, 25/08/2021
25/08/2021 16:21
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Os investimentos nas obras da usina nuclear de Angra 3 desde dezembro de 2020 até 2023 deverão somar 6 bilhões de reais, apontou em apresentação nesta quarta-feira a Eletronuclear, subsidiária da estatal Eletrobras (ELET3).

Os aportes para a usina, que deverá funcionar em 2026, mostram o compromisso da companhia em finalizar o empreendimento, disse a diretora financeira da Eletrobras, Elvira Presta.

"Estamos comprometidos (com a usina), todos entendemos a relevância de Angra 3, inclusive para a segurança energética", afirmou ela, durante um seminário online.

Segundo o diretor técnico da Eletronuclear, Ricardo Pereira dos Santos, a maior parte dos investimentos deverá ser destinada à construção civil, montagem, complementação de projeto civil e eletromecânico e engenharia.

Santos também citou, durante apresentação em seminário internacional sobre energia nuclear, as dificuldades após vários contratos de suprimentos nacionais terem sido interrompidos em 2015, após a obra de Angra 3 ser paralisada em meio a investigações da Lava Jato.

O objetivo é ter Angra 3, cujo projeto remete originalmente à década de 1980, conectada ao sistema interligado nacional no final de 2026, à medida que o empreendimento está sendo retomado.

O progresso da obra civil de Angra 3, projetada para ter potencial instalada de 1.405 MW, é estimado atualmente de pouco mais de 65%.

No ano passado, a Eletrobras aportou cerca de 1 bilhão de reais e prevê destinar para Angra 3 mais aproximadamente 2,5 bilhões de reais em 2021, sendo que 850 milhões de reais já foram aportados no primeiro semestre, disse a diretora Elvira.

"Estamos trabalhando com a Eletronuclear no fluxo para a liberação do saldo", ressaltou Elvira.

A apresentação da executiva confirmou previsões de investimentos a realizar na usina de cerca de 18,4 bilhões de reais.

Considerando o cronograma de aportes, uma parte dos investimentos previstos já deverá ser feita com a Eletronuclear segregada da Eletrobras, que deverá ser privatizada até o início do próximo ano.

Como a energia nuclear precisa ser tutelada pelo Estado no Brasil, pelas regras previstas na privatização da Eletrobras uma nova estatal será criada para abrigar a Eletronuclear, além da binacional de Itaipu.

Mas a continuidade dos trabalhos demandarão uma empresa especializada, que possivelmente será estrangeira, formando um consórcio com companhias brasileiras, segundo especialistas presentes no evento.

A assinatura dos contratos de obras civis e montagem eletromecânica, com uma chamada empresa EPCista, especializada no setor nuclear, é esperada para dezembro de 2021.

A expectativa da Eletrobras é que este EPCista comece as obras em março de 2022.

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