Energia

Em 12 anos, empresas só pagam 38% das multas aplicadas pela Aneel

Autos de infração chegam a R$ 1,776 bilhões.

Valor Econômico
11/02/2014 10:24
Visualizações: 1165

 

Só 37,9% das multas aplicadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) às empresas de geração, transmissão e distribuição nos últimos 12 anos foram efetivamente pagas. De 2002 a novembro de 2013, segundo o banco de dados da agência reguladora, foram emitidos autos de infração que somavam R$ 1,776 bilhão.
As empresas conseguiram, por meio de recursos administrativos na própria Aneel, baixar esse valor para R$ 1,212 bilhão. Mas acabaram pagando apenas R$ 674,2 milhões - o restante é objeto de recursos judiciais, ou as companhias entraram em inadimplência com a União.
Um levantamento detalhado das penalidades impostas pela Aneel faz parte da dissertação de mestrado de Eduardo Rossi Fernandes, especialista em regulação da agência, no Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB). Ele identificou que as multas equivalem, em média, a 0,1% do faturamento anual das companhias sancionadas - o que abre margem à interpretação de que elas talvez não sejam suficientemente dolorosas para coibir a repetição de infrações.
Duas estatais do grupo Eletrobras - Furnas e Chesf - e a Coelce, responsável pela distribuição de energia no Ceará, estão no pódio das companhias mais multadas. Ao analisar o histórico da Aneel, Fernandes percebeu que a imposição de sanções "tornou-se uma atividade corriqueira da agência a partir de 2007" e o número de autos lavrados "consolidou-se em um patamar relativamente estável a partir de 2008".
Em suas conclusões, o especialista avaliou que há "grande margem de discricionariedade" na legislação que tipifica as sanções e define o valor das penalidades, sugerindo várias mudanças.
Quando se olha mais detidamente por que as empresas do setor elétrico estão buscando os tribunais contra as multas da Aneel, aparecem surpresas. O advogado André Edelstein, do escritório Waltenberg, identificou tendência que vê como "preocupante".
Os autos de infração no setor elétrico são aplicados inicialmente por uma das superintendências da Aneel, ou por agências estaduais com as quais tem convênios para atividades de fiscalização. Depois, esses autos podem ser reformados pela diretoria colegiada da Aneel, em instância final. Edelstein afirma que um dos princípios consagrados no direito é o de que uma decisão judicial ou administrativa nunca pode ser agravada pela instância superior que julgar seu recurso.
O advogado levantou pelo menos três casos em que houve aumento das multas entre a primeira e a última decisão. "À medida que impõe um risco às empresas de aumentar os valores devidos, isso intimida e desestimula o exercício ao direito de recorrer [administrativamente]".

Só 37,9% das multas aplicadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) às empresas de geração, transmissão e distribuição nos últimos 12 anos foram efetivamente pagas. De 2002 a novembro de 2013, segundo o banco de dados da agência reguladora, foram emitidos autos de infração que somavam R$ 1,776 bilhão.

As empresas conseguiram, por meio de recursos administrativos na própria Aneel, baixar esse valor para R$ 1,212 bilhão. Mas acabaram pagando apenas R$ 674,2 milhões - o restante é objeto de recursos judiciais, ou as companhias entraram em inadimplência com a União.

Um levantamento detalhado das penalidades impostas pela Aneel faz parte da dissertação de mestrado de Eduardo Rossi Fernandes, especialista em regulação da agência, no Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB). Ele identificou que as multas equivalem, em média, a 0,1% do faturamento anual das companhias sancionadas - o que abre margem à interpretação de que elas talvez não sejam suficientemente dolorosas para coibir a repetição de infrações.

Duas estatais do grupo Eletrobras - Furnas e Chesf - e a Coelce, responsável pela distribuição de energia no Ceará, estão no pódio das companhias mais multadas. Ao analisar o histórico da Aneel, Fernandes percebeu que a imposição de sanções "tornou-se uma atividade corriqueira da agência a partir de 2007" e o número de autos lavrados "consolidou-se em um patamar relativamente estável a partir de 2008".

Em suas conclusões, o especialista avaliou que há "grande margem de discricionariedade" na legislação que tipifica as sanções e define o valor das penalidades, sugerindo várias mudanças.

Quando se olha mais detidamente por que as empresas do setor elétrico estão buscando os tribunais contra as multas da Aneel, aparecem surpresas. O advogado André Edelstein, do escritório Waltenberg, identificou tendência que vê como "preocupante".

Os autos de infração no setor elétrico são aplicados inicialmente por uma das superintendências da Aneel, ou por agências estaduais com as quais tem convênios para atividades de fiscalização. Depois, esses autos podem ser reformados pela diretoria colegiada da Aneel, em instância final. Edelstein afirma que um dos princípios consagrados no direito é o de que uma decisão judicial ou administrativa nunca pode ser agravada pela instância superior que julgar seu recurso.

O advogado levantou pelo menos três casos em que houve aumento das multas entre a primeira e a última decisão. "À medida que impõe um risco às empresas de aumentar os valores devidos, isso intimida e desestimula o exercício ao direito de recorrer [administrativamente]".

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Construção Naval
Estaleiro Rio Grande recebe 11 mil toneladas de aço para...
10/07/26
ANP
Inscrições para Jornada Empreendedora PRH-ANP 2026 podem...
10/07/26
Rio de Janeiro
ANP estará presente na Rio Innovation Week
10/07/26
Apoio Offshore
Porto do Açu investe em gestão hídrica para impulsionar ...
09/07/26
Oportunidade
Equinor abre inscrições para Programa de Estágio 2026
08/07/26
Acordo
ANP e Petrobras assinam acordo para adequação de 335 poç...
07/07/26
Bacia de Pelotas
TGS inicia, em agosto, janela ambiental para proteção da...
07/07/26
Gasodutos
TBG e UTE Paulínia Verde firmam compromisso para transpo...
07/07/26
Multimodal
Ultracargo e bp ampliam capacidade de armazenagem para f...
07/07/26
Fenasucro
Frota pesada: biometano une potencial energético à baixa...
07/07/26
Logística
Vast Infraestrutura e Petrobras reforçam parceria e assi...
06/07/26
Energia Elétrica
Thymos Energia avalia Leilão de Transmissão da Aneel
06/07/26
Negócio
Supergasbras assina primeiro contrato de fornecimento de...
06/07/26
Posicionamento IBP
Mudança do instrumento não corrige as ilegalidades do Im...
06/07/26
Pessoas
Alessandro Cantarino assume o cargo de Vice-Presidente E...
06/07/26
Combustíveis
Etanol encerra a semana com mercado dividido entre queda...
06/07/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 11 milhões em infraestrutura de gás e...
06/07/26
Transpetro
Transpetro realiza primeiro abastecimento da frota com c...
06/07/26
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.