Combustíveis

Entenda por que a ANP definiu novos padrões para a gasolina à venda no Brasil

Redação/Boletim SCA
13/07/2020 13:16
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O proprietário abastece seu carro toda a semana no mesmo posto, mas um dia percebe que o consumo entre um tanque e outro aumentou, apesar de o veículo estar em ordem e a rotina diária ter sido mantida.

Adulteração? Nem sempre. O problema pode estar nas especificações do combustível, muitas vezes importado, adquirido pelo revendedor. Sem padronização, surgem diferenças que prejudicam o consumo e a eficiência energética dos motores. Por isso a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) promove mudanças na legislação.

A partir de agosto, a gasolina comum que será fornecida aos postos no Brasil deverá se enquadrar em novas normas. Sua massa específica, ou densidade, terá um padrão mínimo e deverá render mais. Porém, o preço tende a ser maior.

Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), diz que a evolução dos motores ---pautada por regras ambientais--- precisa ser acompanhada pela melhora da gasolina. Sem isso, não é possível reduzir as emissões de poluentes.

Além da poluição, gasolina de baixa qualidade aumenta o risco de defeitos. Segundo Gonçalves, algumas montadoras tiveram problemas com detonação: a explosão da mistura ar-combustível ocorria de forma desordenada, e houve casos de quebras graves e caras.

Durante testes, a AEA verificou que a baixa densidade era uma das causas do mau funcionamento, por isso a necessidade de criar um padrão. Pela nova regra, a massa específica deverá ser de, no mínimo, 715 kg/m³. E a medição de octanagem também vai mudar.

O número de octanas determina o quanto o combustível é resistente à detonação, e um valor abaixo do necessário também leva a falhas de funcionamento e quebras. O Brasil passa a adotar a classificação RON (sigla em inglês para número de octanas por método de pesquisa), o mesmo padrão usado na maior parte do mundo.

A octanagem mínima permitida para a gasolina comum será de 92 RON. A partir de janeiro de 2022, o valor base passará para 93 RON.

Gonçalves afirma que, a partir de queixas sobre consumo elevado, foi feito um estudo com a gasolina. O resultado mostrou que o aumento no gasto poderia estar relacionado à gasolina importada de diferentes países. Como não havia as especificações RON e de massa, um combustível de baixa densidade conseguia atender às normas vigentes e ser vendido normalmente.

Até o fim do ano, todos os postos do país deverão ter a nova gasolina à venda ---haverá um período de 90 dias para zerar os estoques, e a fiscalização será intensificada.

O novo combustível será também a base das opções aditivadas vendidas em postos de diferentes bandeiras.

Cada marca define seu próprio pacote de detergentes e redutores de atrito. Já o teor de etanol anidro na composição não será alterado, permanecendo em 27% na gasolina comum e 25% nas opções premium.

Os novos padrões devem facilitar a identificação de combustível adulterado e, talvez, inibir fraudes como a adição de solventes.

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