Gás

Estatal de petróleo da Bolívia mal ressurgiu e já vive um escândalo

Valor Econômico
25/08/2006 00:00
Visualizações: 786

Pouco mais de três meses após tentar nacionalizar o setor de hidrocarbonetos do país, o governo da Bolívia tem de enfrentar acusações de corrupção na estatal de petróleo YPFB - o que deu novo fôlego à oposição, que conseguiu até aprovar uma moção de censura contra o ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada.

O presidente boliviano, Evo Morales, afirma que, se houve corrupção, ela está sendo apurada e que as acusações estão sendo usado politicamente pela oposição.

O caso vem se desenrolando desde junho, quando a YPFB contratou a IberoAmerica Trading como intermediária para a venda de 2 mil barris diários de petróleo para o Brasil. Pelos termos do negócio, a IberoAmerica pagaria à YPFB um preço abaixo do praticado no mercado, mas poderia vender a quem quisesse, pelo preço que quisesse. Vendeu à brasileira Univen Petroquímica, grupo que é sócio da IberoAmerica.

No mês seguinte, uma auditoria do Ministério de Hidrocarbonetos anulou as licenças de exportação da IberoAmerica sob a alegação de que o decreto que nacionalizou o setor proíbe a intermediação de uma empresa privada num negócio de exportação de petróleo. Além disso, a auditoria apontou não ter havido nenhum tipo de licitação no processo de contratação.

O advogado da estatal não teria nem mesmo participado do ato da assinatura do contrato, e a estatal não teria informado o ministério sobre a contratação da empresa, como exige a legislação do país.

Morales e Soliz Rada não demitiram o presidente da YPFB, Jorge Alvarado. Disseram haver uma investigação em curso e que não demitiriam Alvarado sem provas.

O ministério calcula que, se realizado plenamente, o negócio de venda de petróleo traria prejuízos de quase US$ 40 milhões em um período de dois anos.

Na mesma investigação, o ministério acusa a YPFB de comprar da Univen óleo diesel a preços acima do de mercado.

Alvarado afirma que um erro de contas levou ao cálculo de prejuízos. Ele defendeu a importação de diesel como uma necessidade de emergência para garantir o abastecimento do país.

Por causa desse imbróglio, senadores da oposição conseguiram anteontem aprovar a censura ao ministro Soliz Rada por negligência- o que o obrigaria a renunciar. Soliz apresentou sua renúncia, mas foi reconfirmado no cargo por Evo Morales.

A partir de então, tanto Soliz quanto Morales aumentaram o tom. O presidente boliviano chamou os senadores da oposição que aprovaram a censura de "traidores do povo, assassinos e servidores das multinacionais".

Em visita oficial ao Brasil, o vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, disse que o Senado de seu país é "o último reduto das forças conservadoras".

Ontem, o ministro acusou a oposição de conluio com as principais petroleiras estrangeiras, inclusive a Petrobras, de haver promovido a moção de censura para tentar parar o processo de nacionalização dos hidrocarbonetos.

Ele disse que a Petrobras estaria "arrecadando fundos para fazer fracassar o processo de nacionalização", num momento em que o governo se prepara para negociar os preços do gás exportado para o Brasil. O ministro disse ainda que a empresa brasileira seria a responsável pelo atual desabastecimento de diesel na Bolívia.

Uma fonte diplomática ouvida pelo Valor pondera que a oposição na Bolívia estaria apenas se aproveitando do mau gerenciamento que o governo fez em relação às investigações de corrupção. Seria a oportunidade que os oposicionistas teriam para atingir a popularidade de Morales, que, segundo uma pesquisa do mês passado, estaria perto de 75%. Além disso, o diplomata considera as acusações em relação à Petrobras "absurdas".

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
Combustíveis
Distribuidoras de combustíveis cobram avanço imediato do...
23/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: Tecnologias da Embrapii fortalecem a...
22/06/26
Energy Summit
Biodiesel e combustíveis renováveis entram no centro da ...
22/06/26
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
Inteligência Artificial
Impacto industrial: Executivo brasileiro integra novo co...
20/06/26
Indústria Naval
Ecovix assina contrato para a construção de quatro navio...
19/06/26
Exportações
Para ONIP tributação sobre exportações de petróleo compr...
18/06/26
Aviação
Fórum IBP SAF reúne setor privado e agentes públicos par...
18/06/26
Pré-Sal
Consórcio de Libra liderado pela Petrobras contrata Cepe...
18/06/26
Eólica Offshore
Com representante no Comitê Diretor da CEM, o WFO reforç...
18/06/26
Combustíveis
ANP realiza segunda parte de audiência pública sobre car...
18/06/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 187 mil barris por ...
18/06/26
ANP
ANP faz pesquisa para aprimorar sua Carta de Serviços
17/06/26
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
Hidrogênio Verde
SENAI CIMATEC, HYTRON e PETROGAL BRASIL (JV Galp/Sinopec...
17/06/26
Apoio Offshore
Transporte aéreo no setor do petróleo cresce 21% em dois...
17/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.