Energia

Estudo da Firjan alerta para capacidade de armazenamento de água do sistema elétrico

Capacidade cresceu 21% de 2001 a 2012.

Agência Brasil
06/08/2013 09:42
Visualizações: 618

 

Estudo técnico divulgado ontem (5) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) alerta para a gradual diminuição da capacidade de regularização do sistema elétrico que está ocorrendo no Brasil. A capacidade de armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 21% no período de 2001 a 2012, mas a demanda de energia aumentou 55% no mesmo período, indica o estudo.
De acordo com o documento, considerando que os reservatórios das usinas hidrelétricas estivessem 100% cheios, a capacidade de armazenamento de água no Brasil atingia 6,27 meses, em 2001, o que permitia atender à demanda do SIN, sem necessidade de recorrer à geração complementar a partir de outras fontes de energia. Já o que se observou em 2012 foi uma queda da capacidade de regularização para 4,91 meses. E as estimativas para os próximos anos não são favoráveis.
Projeções feitas pela Firjan apontam para uma perda ainda mais significativa, tendo em vista que a demanda continuará ascendente e a maioria das usinas programadas para o país será a fio d'água, ou seja, elas não terão reservatórios de acumulação, que possam estocar água no período de cheia dos rios para utilização nos períodos secos. De acordo com a entidade, a capacidade de regularização do sistema alcançará 3,35 meses, em 2021. O dado representa uma queda de 50% em relação a 2001 e de 32% em comparação ao ano passado. Tomando por base o nível mínimo dos reservatórios registrado em setembro de 2001 (23,2%), a capacidade de armazenamento dos reservatórios atingirá 0,78 mês, em 2021.
A Firjan lembra que o Plano Decenal de Expansão de Energia 2021, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que a capacidade de armazenamento dos reservatórios no SIN aumentará em torno de 5% entre 2012 e 2021, enquanto a demanda deverá crescer cerca de 46%.
O presidente do Conselho Empresarial de Energia do Sistema Firjan, Armando Guedes Coelho, vê esse problema com preocupação. “A grande vantagem que o Brasil tinha nesse segmento era, exatamente, o sistema de geração hidrelétrica por conta dos reservatórios. Há alguns anos, mesmo que em alguns meses você tivesse zero de chuva, conseguia manter o sistema todo atendido. Isso está decrescendo violentamente, porque as usinas novas são todas a fio d'água”, explicou em entrevista à Agência Brasil.
Guedes alertou que a opção pela construção de usinas a fio d'água no país vai ampliar a necessidade de utilização da geração térmica para atendimento à demanda crescente, trazendo, em consequência, aumento dos custos de geração e maior emissão de gás carbônico na atmosfera. “Os reservatórios atuais vão ser diluídos, na medida em que essa energia cresce”.
Ele acrescentou que a construção de usinas a fio d'água atende a exigências da área ambiental, “em detrimento do grosso da população'. A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, por exemplo, disse, terá capacidade equivalente à metade do que seria se tivesse reservatório, “porque a chuva lá é muito concentrada em um determinado período”. Isso significa que, se Belo Monte tivesse reservatório (de regularização), “você armazenava essa água e a utilizaria quando a fluência do rio caísse”. Sendo uma usina a fio d'água, “ela vai operar com o que o rio estiver correndo”.
Guedes avaliou que essa política é errada e deve ser reformulada. Defendeu que a sociedade seja informada sobre o assunto, “e se manifeste com veemência, porque as gerações futuras vão cobrar”.
O estudo mostra que do total de projetos hidrelétricos previstos para o país entre 2017 e 2012, 89,6% serão localizados na Região Norte, totalizando potência de 17.627 megawatts (MW). O Norte brasileiro responde ainda por 51,4%, ou 80.824 MW, do potencial hidráulico nacional disponível hoje, que soma 157.226 MW.

Estudo técnico divulgado ontem (5) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) alerta para a gradual diminuição da capacidade de regularização do sistema elétrico que está ocorrendo no Brasil. A capacidade de armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 21% no período de 2001 a 2012, mas a demanda de energia aumentou 55% no mesmo período, indica o estudo.


De acordo com o documento, considerando que os reservatórios das usinas hidrelétricas estivessem 100% cheios, a capacidade de armazenamento de água no Brasil atingia 6,27 meses, em 2001, o que permitia atender à demanda do SIN, sem necessidade de recorrer à geração complementar a partir de outras fontes de energia. Já o que se observou em 2012 foi uma queda da capacidade de regularização para 4,91 meses. E as estimativas para os próximos anos não são favoráveis.


Projeções feitas pela Firjan apontam para uma perda ainda mais significativa, tendo em vista que a demanda continuará ascendente e a maioria das usinas programadas para o país será a fio d'água, ou seja, elas não terão reservatórios de acumulação, que possam estocar água no período de cheia dos rios para utilização nos períodos secos. De acordo com a entidade, a capacidade de regularização do sistema alcançará 3,35 meses, em 2021. O dado representa uma queda de 50% em relação a 2001 e de 32% em comparação ao ano passado. Tomando por base o nível mínimo dos reservatórios registrado em setembro de 2001 (23,2%), a capacidade de armazenamento dos reservatórios atingirá 0,78 mês, em 2021.


A Firjan lembra que o Plano Decenal de Expansão de Energia 2021, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que a capacidade de armazenamento dos reservatórios no SIN aumentará em torno de 5% entre 2012 e 2021, enquanto a demanda deverá crescer cerca de 46%.


O presidente do Conselho Empresarial de Energia do Sistema Firjan, Armando Guedes Coelho, vê esse problema com preocupação. “A grande vantagem que o Brasil tinha nesse segmento era, exatamente, o sistema de geração hidrelétrica por conta dos reservatórios. Há alguns anos, mesmo que em alguns meses você tivesse zero de chuva, conseguia manter o sistema todo atendido. Isso está decrescendo violentamente, porque as usinas novas são todas a fio d'água”, explicou em entrevista à Agência Brasil.


Guedes alertou que a opção pela construção de usinas a fio d'água no país vai ampliar a necessidade de utilização da geração térmica para atendimento à demanda crescente, trazendo, em consequência, aumento dos custos de geração e maior emissão de gás carbônico na atmosfera. “Os reservatórios atuais vão ser diluídos, na medida em que essa energia cresce”.


Ele acrescentou que a construção de usinas a fio d'água atende a exigências da área ambiental, “em detrimento do grosso da população'. A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, por exemplo, disse, terá capacidade equivalente à metade do que seria se tivesse reservatório, “porque a chuva lá é muito concentrada em um determinado período”. Isso significa que, se Belo Monte tivesse reservatório (de regularização), “você armazenava essa água e a utilizaria quando a fluência do rio caísse”. Sendo uma usina a fio d'água, “ela vai operar com o que o rio estiver correndo”.


Guedes avaliou que essa política é errada e deve ser reformulada. Defendeu que a sociedade seja informada sobre o assunto, “e se manifeste com veemência, porque as gerações futuras vão cobrar”. O estudo mostra que do total de projetos hidrelétricos previstos para o país entre 2017 e 2012, 89,6% serão localizados na Região Norte, totalizando potência de 17.627 megawatts (MW). O Norte brasileiro responde ainda por 51,4%, ou 80.824 MW, do potencial hidráulico nacional disponível hoje, que soma 157.226 MW.

 

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