Pesquisa e Inovação

Exército vende ilha no Rio para construção de centros de pesquisa

Valor Econômico
16/12/2011 11:29
Visualizações: 1598
A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio está prestes a concluir as negociações com o Exército para a compra da Ilha do Bom Jesus, região integrada à Ilha do Fundão, zona norte do Rio. A área, de 130 mil metros quadrados, será vendida a cerca de dez grandes empresas para a construção de centros de pesquisa e desenvolvimento, não necessariamente com foco na área de petróleo, como acontece com o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A região, que abriga duas edificações seculares - elas serão preservadas -, receberá o primeiro Distrito Verde do país, onde as companhias terão que se comprometer com a sustentabilidade.

A subsecretária de Desenvolvimento Econômico, Renata Cavalcanti, espera que as negociações sejam concluídas até fevereiro. "A questão comercial já fechamos. Agora tem toda uma parte burocrática, cartorial, que não é simples." Depois que os terrenos forem vendidos, o estado passará ao parque a gestão do condomínio.

Doze empresas de grande porte já confirmaram a construção de centros de pesquisa e desenvolvimento na Ilha do Fundão. Incluindo a Ilha do Bom Jesus, os investimentos somam US$ 870 milhões na área. O levantamento foi feito pela Rio Negócios, agência de atração de investimentos da prefeitura. Grande parte do valor será investida nos próximos cinco anos.

O diretor comercial da Rio Negócios, Antonio Carlos Dias, afirmou que, além da General Electric, que já estava prevista, a L'Oréal também confirmou a compra de um dos terrenos na Ilha do Bom Jesus. A companhia pretende atuar em sinergia com a Faculdade de Medicina da UFRJ.

O levantamento indica que a L'Oréal tem investimentos totais estimados em US$ 40 milhões", explicou Dias. Procurada, a L'Oréal preferiu não dar detalhes. A Braskem, segundo o governo do estado, também analisa a possibilidade de se instalar na área. Em nota enviada ao Valor, a Braskem esclarece que "instalações de pesquisa fazem parte de seu planejamento estratégico, mas até o momento não há definição sobre onde e nem quando serão implantadas".

O diretor do Parque Tecnológico, Maurício Guedes, disse que há "uma dúzia de empresas conversando e manifestando interesse" em se instalar em Bom Jesus. Os terrenos só poderão ser utilizados para a construção e operação de centros de pesquisa.

No novo distrito tecnológico, as empresas serão comprometidas com a sustentabilidade. Nas áreas públicas, a iluminação será a LED, haverá geração de energia solar, tratamento da água das chuvas e das águas da Baía de Guanabara. Segundo Renata, o modelo do Distrito Verde poderá ser replicado em outras regiões do país.

No total, a Ilha do Bom Jesus tem 240 mil m², mas 50 mil m² serão comprados pela prefeitura e utilizados para a construção do centro de excelência da GE, que deverá estar pronto até março de 2013. Além dos 100 mil m² que serão entregues a novas empresas, a outra parte terá a memória preservada.

O acordo com o Exército prevê a preservação de edificações seculares existentes no espaço, cujas áreas não serão vendidas ao Estado. A Igreja de Bom Jesus da Coluna e o Convento de Bom Jesus - construídos no início do século XVIII - deram nome à atual Ilha do Bom Jesus, que foi aterrada e integrada à Ilha do Fundão nos anos 50.

Em meados do século XIX, o Convento dos Franciscanos foi transformado no Asilo dos Inválidos da Pátria para abrigar soldados que participaram da Guerra do Paraguai (1864-1870) e da Guerra de Canudos (1896-1897). As instalações estão desativadas desde 1968.

Os terrenos do Parque Tecnológico, excluindo a Ilha do Bom Jesus, estão sendo alugados para cerca de 35 empresas, sendo 10 de grande porte, por R$ 5 o metro quadrado por mês. Os contratos são de 20 anos, com possibilidade de renovação. As 35 empresas vão ocupar uma área de 350 m², onde apenas 100 mil m² serão construídos. Dessa forma, os aluguéis vão render cerca de R$ 6 milhões por ano para a UFRJ.

"A cobrança do aluguel não é o objetivo da universidade. O objetivo é ser uma universidade ainda melhor", ponderou Guedes. De acordo com o diretor do parque, cada grande empresa se comprometeu a investir R$ 3 milhões, por ano, em contratos de pesquisa com a universidade.

Além do aluguel, também será cobrada taxa de condomínio de R$ 4,5 por m², por mês. Por ano, cerca de R$ 5,4 milhões serão destinados à manutenção das áreas públicas, de domínio federal.

Guedes revelou que, na próxima quarta-feira, até seis empresas de médio porte poderão ganhar um espaço no Parque Tecnológico. "Temos seis candidatas que terão seus projetos avaliados", disse. Nos próximos três anos, o parque poderá abrigar mais uma centena de empresas de médio e pequeno porte, afirmou o diretor.

"Estamos sendo muito seletivos ao trazer empresas que vão ter uma interação com a nossa atividade de pesquisa", disse Guedes. "A ideia desse sistema é desenvolver conhecimento e aplicar na economia, gerando emprego e renda".
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25