Exportações

Exportações do Brasil em contêineres sobem no 3º tri puxadas por agronegócio

Reuters, 23/11/2016
23/11/2016 09:04
Exportações do Brasil em contêineres sobem no 3º tri puxadas por agronegócio Imagem: Divulgação Visualizações: 1446

As exportações do Brasil em contêineres subiram 2,9 por cento no terceiro trimestre deste ano, puxadas principalmente por embarques de produtos do agronegócio, enquanto o volume de importações reduziu o ritmo de queda, apontou nesta terça-feira um relatório setorial da Maersk Line, maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo. 

O volume de contêineres refrigerados na exportação subiu 0,8 por cento no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015, disse o relatório. 

A alta neste tipo de contêiner, que carrega majoritariamente carnes congeladas e frutas, foi de 28,4 por cento para a Ásia, compensando quedas nos embarques para Europa, África e Oriente Médio. 

"Ao longo deste ano inteiro vimos crescimento da carga refrigerada, principalmente para Ásia. O driver principal é o aumento de consumo chinês. A mudança de hábito de alimentação do chinês é muito encorajadora, e isso veio para ficar", disse o diretor de Trade e Marketing da Maersk Line na Costa Leste da América do Sul, João Momesso. 

Já o volume na exportação em contêineres de carga seca, que engloba desde produtos manufaturados até commodities agrícolas (exceto carnes e frutas), subiu 3,6 por cento no período de julho a setembro deste ano, ante o mesmo período em 2015. 

"Uma commodity que teve peso muito forte no trimestre foi o açúcar. Alguns mercados do Sudeste Asiático tiveram que ser supridos pelo açúcar brasileiro", disse Momesso, salientando que o volume embarcado com açúcar em contêineres subiu 49,5 por cento no trimestre. 

O algodão, que tem uma grande participação no número total de contêineres exportados, subiu 6,1 por cento no período. 

A madeira, que responde por um sexto de todos os contêineres de carga seca exportados pelo país, teve alta de 44,3 por cento no trimestre, com fortes vendas para Índia e Vietnã. 

Numa tendência oposta, o uso de conteineres para exportações de soja caiu 72,3 por cento no trimestre, segundo a Maersk Line, devido a um encarecimento dos fretes. 

Os custos para exportar em contêineres tem subido desde o fim do ano passado, porque o volume de importações do país caiu, fazendo com quem sobrem menos linhas marítimas e menos contêineres vazios para fazer os embarques e os fretes de retorno a partir do Brasil. 

Com isso, houve uma retração dos exportadores de soja que vinham experimentando usar contêineres para suas vendas no exterior, em um setor margens muito apertadas e sensível a alterações de custos. 

"O relatório mostra que, devido à falta de espaço para Ásia, algumas das commodities tiveram que deixar o contêiner", comentou Momesso.  

Importações 

Termômetro da atividade econômica do país e do poder de compra dos consumidores, as importações por contêineres continuaram recuando no terceiro trimestre, embora em um ritmo menor, apontou a Maersk Line. 

As chegadas de contêineres no país caíram 8,6 por cento no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2015, que já tinha sido um período de desaceleração nos negócios. 

Nos dois primeiros trimestres do ano, a retração de importações havia sido de 31,2 e 17,6 por cento, segundo o relatório. 

"Não está recuperando ainda, mas a velocidade da queda diminui. Para o atual trimestre, nossa expectativa é que pare de cair. Pelo menos os volumes estão estabilizando", destacou o executivo. 

Segundo o relatório, as importações declinaram menos graças à melhoria na demanda por bens europeus e asiáticos.

 

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