Gás Natural

Falta de gás argentino e boliviano paralisa usinas

O Estado de São Paulo
12/07/2010 10:20
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Duas usinas termelétricas (AES Uruguaiana e Termocuiabá), com capacidade de 1.169 megawatts (MW) de energia, estão paradas por causa do rompimento de contratos de fornecimento de gás natural da Bolívia e Argentina. Enquanto isso, o Brasil contratou nos últimos anos dezenas de térmicas a óleo diesel e óleo combustível, mais caras e extremamente poluentes, para garantir o abastecimento do País.
 

No caso da AES Uruguaiana, instalada no Sul do País, o caso foi parar na Câmara Internacional de Comércio. Os problemas começaram em 2005, com a interrupção do gás da Argentina que provocou prejuízos milionários para a empresa, afirma o diretor da AES Tietê, Ricardo Cyrino. A outra usina foi a Termocuiabá, que teve o fornecimento de gás interrompido pela Bolívia. Para cumprir contratos, a usina chegou a operar com óleo diesel. Mas hoje está parada.
 

Segundo especialistas, a deficiência da infraestrutura dos países vizinhos põe em risco o mercado brasileiro. Foi o que ocorreu recentemente com o racionamento da Venezuela. Na década de 90, o Brasil optou por abastecer a capital de Roraima com a energia da Venezuela e construiu uma linha de 211 km. O acordo era de 200 MW por 20 anos. Mas o país vizinho só conseguia mandar 100 MW, até cortar 60% do total por causa de uma crise local. Para evitar apagões, o Brasil reativou uma térmica a óleo. Como o problema foi causado pela falta de chuva, a Venezuela não vai arcar com o prejuízo.
 

No governo, ninguém admite que os acordos têm sido descumpridos. "Todos os acordos foram cumpridos. Nunca houve interrupção do fornecimento de gás ou energia", diz o diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, André Corrêa do Lago, Ele reconhece que algumas revisões feitas nos acordos, de Itaipu ou da Bolívia, têm o objetivo de contribuir para o desenvolvimento dos vizinhos. "Para o Brasil, não interessa crescer sozinho."
 
 
O secretário de Minas e Energia, Altino Ventura, tem opinião semelhante: "Estamos assumindo o custo para a sociedade, mas é difícil dizer se houve prejuízo. Afinal, usamos mais de 90% da energia de Itaipu."
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