Meio ambiente

Florestas mostram desempenho igual na mitigação de gases de efeito estufa

Forbes, 18/08/2021
18/08/2021 12:29
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Estudo da Embrapa Cerrados (DF) conduzido por 26 meses no Distrito Federal demonstrou que áreas de vegetação nativa de Cerrado e campos agrícolas substituídos por plantações de eucalipto apresentam comportamentos semelhantes em relação à mitigação de gases de efeito estufa (GEEs). A pesquisa comprovou que as emissões de óxido nitroso (N2O) e metano (CH4) se mantiveram baixas em ambas as áreas no período avaliado, mesmo com diferentes manejos e datas de plantio. Esse resultado demonstra que as florestas plantadas podem ser uma alternativa eficaz para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa, contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Divulgação

"O resultado representa uma importante contribuição para a melhor compreensão da dinâmica dos fluxos de GEEs em plantações de florestas comerciais na região do Cerrado", afirma a pesquisadora Alexsandra Oliveira, responsável pelo estudo, descrito no artigo "CH4 and N2O fluxes from planted forests and native Cerrado ecosystems in Brazil", publicado na revista Scientia Agricola, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

O trabalho conduzido por pesquisadores da Embrapa Cerrados, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e da Universidade de Brasília (UnB) avaliou a dinâmica dos fluxos de CH4 e de N2O em solos sob plantações de eucalipto e vegetação nativa do Cerrado, além de possíveis interações entre fatores ambientais e esses fluxos.

DivulgaçãoJá se sabe que a mudança de uso da terra promove alterações nas propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, levando a mudanças nos fluxos dos GEEs, e que os solos de florestas podem ser emissores de N2O e normalmente atuam como drenos de CH4 e de gás carbônico (CO2). No entanto, enquanto o CO2 é o mais estudado com relação aos efeitos, ainda são poucos os estudos sobre o potencial de emissão ou consumo de GEEs (CH4 e N2O) por florestas nativas e plantações comerciais de eucalipto no bioma Cerrado.

Segundo os pesquisadores, era necessário realizar essas avaliações, pois o eucalipto é o segundo gênero de espécie florestal mais plantado no Brasil, atrás apenas do pinus. Graças especialmente ao eucalipto, o país é o maior exportador de celulose do mundo -- mais de 13,4 milhões de toneladas (pouco mais de US$ 5 bilhões) foram exportadas entre janeiro e outubro de 2020, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Solo sequestrador de metano

Durante o período do estudo, os fluxos médios de metano (CH4) se mantiveram negativos, o que indica potencial de mitigação, enquanto valores positivos correspondem às emissões para atmosfera.

Na média agrupada, as florestas de eucalipto absorveram cerca de 1,5 kg de CH4/ha/ano, enquanto a área de Cerradão absorveu 1,1 kg de CH4/ha/ano. O estudo aponta que esses valores estão de acordo com os relatos na literatura científica de que florestas e savanas indicam captação de metano da atmosfera, uma vez que a quantidade consumida pelo ambiente foi maior que a produzida.

Baixas emissões acumuladas de óxido nitroso

Já as emissões acumuladas de N2O nas três áreas foram iguais ou inferiores a 0,85 kg/ha/ano nos dois anos. Dessa forma, as emissões acumuladas de N2O foram em média 0,53 kg/ha/ano para florestas de eucalipto e 0,33 kg/ha/ano no Cerrado nativo.

Institucional

Esses valores são considerados baixos se comparados aos observados em sistemas agrícolas convencionais no Cerrado, normalmente superiores a 1 kg N2O/ha/ano -- no caso do milho em monocultivo, por exemplo, pesquisas observaram emissões superiores a 2,3 kg N2O/ha/ano.

A pesquisadora Eloisa Ferreira, uma das autoras do trabalho, ressalta que o estudo deixou claro que as florestas plantadas podem ser uma alternativa para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa e ainda ocupar áreas marginais, contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Por outro lado, ela pondera que a pesquisa somente é válida dentro das condicionantes adotadas pelos pesquisadores. "Não é prudente extrapolar os resultados para plantios a serem implementados", diz Ferreira, ressaltando que, no período de pesquisa, as áreas plantadas de eucalipto e de Cerrado nativo não foram adubadas com nitrogênio, estando submetidas apenas à ciclagem natural de nutrientes. "Se houvesse adubação nitrogenada durante a pesquisa, os resultados seriam diferentes. Muito provavelmente, a emissão do N2O seria maior."

Variáveis ambientais

No estudo conduzido pela Embrapa Cerrados, nenhuma variável ambiental se destacou como elemento-chave na emissão significativa de GEEs. "Os resultados indicam que a falta de efeitos ambientais consistentes pode se dever tanto à baixa emissão intrínseca de GEEs pelo solo como à variabilidade dos fatores de solo e clima, em função da marcada sazonalidade apresentada pelo Cerrado, com estações seca e chuvosa bem definidas, além das características próprias (qualidade, decomposição, ciclagem, entre outros) dos ambientes florestais nativos e cultivados", declara Alexsandra Oliveira.

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