Relatório

FMI reduz projeção de crescimento do Brasil em 2014 e 2015

Fundo aponta importância do país promover um “aperto de políticas”.

Valor Econômico
08/04/2014 11:27
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu mais uma vez as estimativas de crescimento para o Brasil em 2014 e 2015, apontando a importância de o país promover um “aperto de políticas”, como mais aumentos de juros e mais ajuste fiscal. Para o Fundo, também é necessário intervir no câmbio de modo mais seletivo e enfrentar os gargalos de oferta.
Em relatório divulgado nesta terça-feira, o FMI cortou a projeção de expansão do Brasil deste ano de 2,3% para 1,8% e a do ano que vem de 2,9% para 2,7%. São números inferiores à média dos emergentes, que devem avançar 4,9% em 2014 e 5,3% em 2015, e também menores que as taxas projetadas para a economia global, de 3,6% neste ano e 3,9% no ano que vem. Ao avaliar o fraco ritmo da atividade, o FMI diz que o Brasil deve continuar em marcha lenta neste ano, num cenário em que pesam sobre a economia restrições domésticas de oferta, especialmente na infra-estrutura, e o desempenho fraco do investimento privado, “refletindo a perda de competitividade e a baixa confiança do empresariado”.
“No Brasil, há uma necessidade de continuidade do aperto de políticas. Apesar dos aumentos substanciais dos juros no último ano, a inflação continuou na parte superior da banda. A intervenção no câmbio deve ser mais seletiva, usada basicamente para limitar a volatilidade e para prevenir situações desordenadas do mercado”, diz o relatório. Desde abril do ano passado, o BC elevou a Selic de 7,25% para 11% ao ano, mas a inflação continua pressionada. “O ajuste fiscal também pode reduzir a pressão da demanda doméstica e reduzir desequilíbrios externos, ao mesmo tempo em que contribuiria para reduzir uma relação entre a dívida e o PIB relativamente alta. Gargalos de oferta precisam ser enfrentados.”
Segundo o Panorama da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês), a expectativa é que a inflação continue na parte superior da banda da meta de inflação. O alvo no Brasil é de 4,5%, com teto de 6,5%. A limitada capacidade ociosa e a recente desvalorização do rela mantém elevadas as pressões sobre os preços. “O mix de políticas mudou no último ano em direção ao aperto monetário, com a política fiscal (incluindo os empréstimos do Tesouro para os bancos públicos) devendo manter um sinal amplamente neutro em 2014”, segundo o FMI.
Num outro trecho do relatório, o Brasil aparece, junto com a China e a Venuzuela, como um dos países em que é necessário ajustar a "atividade quase fiscal", uma referência, no caso brasileiro, aos empréstimos do Tesouro aos bancos públicos, como o BNDES. Segundo o FMI, essa atividade eleva os riscos contingentes ao orçamento e à dívida pública.
O FMI nota que a atividade no Brasil permanece contida. “A demanda é apoiada pela recente desvalorização do real e pelo crescimento ainda firme dos salários e do consumo, mas o investimento privado continua fraco, em parte refletindo a baixa confiança empresarial.”
Entre os emergentes de maior peso, o Brasil só deve crescer mais que a Rússia, que teve as suas estimativas de crescimento bastante reduzidas pelo Fundo para este ano, de 1,9% para 1,3%. Ainda assim, as previsões do FMI são mais otimistas do que as dos economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central, que projetam 1,63% para 2014 e 2% para 2015.
O relatório também traz as estimativas do Fundo para a inflação neste ano e no ano que vem, mas considerando a variação média em cada ano. Para 2014, o número é de 5,9% e para 2015, de 5,5%. Por esse critério, a inflação do ano passado ficou em 6,2%. As projeções de janeiro a dezembro aparecem no apêndice estatístico do WEO, cuja íntegra será divulgada nesta terça-feira. Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no ano ficou em 5,91%.
O FMI também divulgou estimativas para o déficit em conta corrente. Para 2014, o Fundo espera um rombo de 3,6% do PIB, maior do que os 3,2% do PIB que haviam sido projetados no WEO de outubro do ano passado. A projeção de 2015 é de 3,7% do PIB. No ano passado, o rombo ficou em 3,6% do PIB.
Nesta semana, o FMI e o Banco Mundial realizam o seu encontro de primavera, em Washington.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu mais uma vez as estimativas de crescimento para o Brasil em 2014 e 2015, apontando a importância de o país promover um “aperto de políticas”, como mais aumentos de juros e mais ajuste fiscal. Para o Fundo, também é necessário intervir no câmbio de modo mais seletivo e enfrentar os gargalos de oferta.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o FMI cortou a projeção de expansão do Brasil deste ano de 2,3% para 1,8% e a do ano que vem de 2,9% para 2,7%. São números inferiores à média dos emergentes, que devem avançar 4,9% em 2014 e 5,3% em 2015, e também menores que as taxas projetadas para a economia global, de 3,6% neste ano e 3,9% no ano que vem. Ao avaliar o fraco ritmo da atividade, o FMI diz que o Brasil deve continuar em marcha lenta neste ano, num cenário em que pesam sobre a economia restrições domésticas de oferta, especialmente na infra-estrutura, e o desempenho fraco do investimento privado, “refletindo a perda de competitividade e a baixa confiança do empresariado”.

“No Brasil, há uma necessidade de continuidade do aperto de políticas. Apesar dos aumentos substanciais dos juros no último ano, a inflação continuou na parte superior da banda. A intervenção no câmbio deve ser mais seletiva, usada basicamente para limitar a volatilidade e para prevenir situações desordenadas do mercado”, diz o relatório. Desde abril do ano passado, o BC elevou a Selic de 7,25% para 11% ao ano, mas a inflação continua pressionada. “O ajuste fiscal também pode reduzir a pressão da demanda doméstica e reduzir desequilíbrios externos, ao mesmo tempo em que contribuiria para reduzir uma relação entre a dívida e o PIB relativamente alta. Gargalos de oferta precisam ser enfrentados.”

Segundo o Panorama da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês), a expectativa é que a inflação continue na parte superior da banda da meta de inflação. O alvo no Brasil é de 4,5%, com teto de 6,5%. A limitada capacidade ociosa e a recente desvalorização do rela mantém elevadas as pressões sobre os preços. “O mix de políticas mudou no último ano em direção ao aperto monetário, com a política fiscal (incluindo os empréstimos do Tesouro para os bancos públicos) devendo manter um sinal amplamente neutro em 2014”, segundo o FMI.

Num outro trecho do relatório, o Brasil aparece, junto com a China e a Venuzuela, como um dos países em que é necessário ajustar a "atividade quase fiscal", uma referência, no caso brasileiro, aos empréstimos do Tesouro aos bancos públicos, como o BNDES. Segundo o FMI, essa atividade eleva os riscos contingentes ao orçamento e à dívida pública.

O FMI nota que a atividade no Brasil permanece contida. “A demanda é apoiada pela recente desvalorização do real e pelo crescimento ainda firme dos salários e do consumo, mas o investimento privado continua fraco, em parte refletindo a baixa confiança empresarial.”

Entre os emergentes de maior peso, o Brasil só deve crescer mais que a Rússia, que teve as suas estimativas de crescimento bastante reduzidas pelo Fundo para este ano, de 1,9% para 1,3%. Ainda assim, as previsões do FMI são mais otimistas do que as dos economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central, que projetam 1,63% para 2014 e 2% para 2015.

O relatório também traz as estimativas do Fundo para a inflação neste ano e no ano que vem, mas considerando a variação média em cada ano. Para 2014, o número é de 5,9% e para 2015, de 5,5%. Por esse critério, a inflação do ano passado ficou em 6,2%. As projeções de janeiro a dezembro aparecem no apêndice estatístico do WEO, cuja íntegra será divulgada nesta terça-feira. Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no ano ficou em 5,91%.

O FMI também divulgou estimativas para o déficit em conta corrente. Para 2014, o Fundo espera um rombo de 3,6% do PIB, maior do que os 3,2% do PIB que haviam sido projetados no WEO de outubro do ano passado. A projeção de 2015 é de 3,7% do PIB. No ano passado, o rombo ficou em 3,6% do PIB.
Nesta semana, o FMI e o Banco Mundial realizam o seu encontro de primavera, em Washington.

 

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