Pré-sal

Fornecedores da Petrobras temem monopólio na compra

Valor Econômico
02/09/2009 03:13
Visualizações: 701

A indústria fornecedora de peças e equipamentos para exploração e produção de petróleo ficou preocupada com o rumo dado pelo governo para a futura lavra dos hidrocarbonetos da camada pré-sal. Empresários e executivos ouvidos pelo Valor manifestaram especial apreensão com o trecho dos projetos enviados pelo governo ao Congresso Nacional que elege a Petrobras operadora única dos futuros blocos exploratórios de petróleo e gás, embora reconheçam que a estatal tem sido até hoje uma estimuladora da indústria nacional na condição quase que de compradora única.

 

"A gente pode dizer, no geral, que, se elimina a competitividade, não é bom", afirma o diretor-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloy Fernández y Fernández. Ele disse que ainda é cedo para emitir opiniões mais profundas, mas ressaltou que quando uma empresa tem vários clientes, suas condições de atuação no mercado são sempre melhores.

 

Segundo Fernández, até para permitir que os fabricantes brasileiros de componentes para a indústria do petróleo atinjam capacidade para competir internacionalmente, é importante que esses fabricantes tenham condições de fornecer domesticamente para várias empresas com atuação internacional. Ele disse que o fato de a Petrobras ser uma empresa globalizada, que faz suas compras segundo padrões internacionais, é um ponto positivo a ser considerado neste contexto.

 

Marcelo Bueno, diretor-executivo para a América Latina da empresa alemã Schulz, fabricante de tubos para a indústria offshore, com quatro fábricas no Brasil, disse que para o desenvolvimento da indústria a concentração nas mãos de uma só operadora "pode trazer limitações". Segundo ele, a Petrobras tem limitações de pessoal e de processos para qualificar fornecedores, característica que tende a se exacerbar com a concentração de todas as áreas do pré-sal em suas mãos.

 

"Vai ser criado um gargalo que é próprio da burocracia interna da Petrobras. Não estou seguro que seja bom para o Brasil e para a cadeia de fornecedores", afirmou. Segundo Bueno, atualmente é mais fácil qualificar uma unidade localizada no exterior do que uma fábrica nacional para fornecer à estatal brasileira do petróleo. "Para nós é mais interessante que haja outros participantes (do mercado) porque nós já estamos qualificados em todos eles", disse.

 

O empresário Raul Sanson, presidente da PWR Mission, tradicional fornecedora de válvulas e bombas centrífugas, e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), disse que no momento atual, a quase totalidade das compras feitas pelo setor de petróleo aos fornecedores brasileiros vem da Petrobras, direta ou indiretamente. Segundo ele, as empresas estrangeiras que já estão produzindo no país têm dado preferência ao mercado externo, até pelas condições favoráveis da taxa de câmbio.

 

O problema da regulamentação do pré-sal, para o empresário, é que ela está atrasando a continuidade do desenvolvimento do setor, atrasando novas encomendas da Petrobras ou de outros participantes do mercado. Sanson ressaltou que desde a oitava rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizada e depois suspensa, que o andamento normal da indústria vem sendo travado. Com a regulamentação diferente para o pré-sal, ele avalia que vai demorar muito até que os investidores voltem a se sentir seguros para retomar os investimentos, atrasando ainda mais o ritmo de encomendas aos fornecedores.

 

Tanto Fernández quanto Bueno e Sanson concordaram que se não for feita uma política industrial que assegure à indústria nacional competitividade em relação aos concorrentes externos, o Brasil estará deixando escapar mais uma vez a oportunidade de tornar-se um membro competitivo da indústria de petróleo como um todo. Para Fernández, o foco das ações do governo deve ser nas questões tributárias, na disponibilidade de financiamento e de tecnologia e na desburocratização.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Navalshore
Firjan SENAI apresenta o Rede de Oportunidades para Forn...
17/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana bate recorde de países visitantes e...
17/08/26
Etanol
Aprovação do PLP 114 representa avanço para o setor de e...
17/08/26
Combustíveis
Etanol encerra a semana em alta, com forte recuperação d...
17/08/26
Margem Equatorial
Poço Morpho: Petrobras descobre hidrocarbonetos em águas...
15/08/26
Fenasucro
Necta destaca biometano como alternativa ao diesel duran...
14/08/26
Fenasucro
Binatural defende ampliação do uso de biodiesel em setor...
14/08/26
Petrobras
Ao completar 20 anos, ativo de Tupi alcança produção acu...
14/08/26
Fenasucro
Do biobunker ao biometano, bioenergia avança sobre novos...
14/08/26
ANP
Participação Especial: valores referentes à produção do ...
14/08/26
Evento
IBP discute os impactos da tecnologia e inovação no futu...
14/08/26
Premiação
Tereos é destaque no prêmio MasterCana com projetos de i...
14/08/26
Firjan
BR Offshore apresenta na Firjan Norte Fluminense projeto...
14/08/26
Evento
UDOP participa de mesa redonda no Conexão Cana 2026
13/08/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Equilíbrio entre oferta e demanda estabili...
13/08/26
Descomissionamento
Descomissionamento: ANP realiza audiência pública sobre ...
13/08/26
Geração de Energia
Campo Grande recebe quatro dias de debates sobre bioener...
12/08/26
Biometano
Com salto de 75% na produção, setor de biometano lança d...
12/08/26
Agronegócio
Firjan comemora aprovação do Programa de Desenvolvimento...
12/08/26
Internacional
KPMG: consumo de combustível fóssil cai, apesar da parti...
12/08/26
Fenasucro
Abertura da Fenasucro & Agrocana destaca liderança do Br...
12/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.