Preços

Futuro dos preços do petróleo continua incerto mesmo com recuperação

The Wall Street Journal - 05/07/2016
05/07/2016 13:47
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Os preços do petróleo tiveram uma recuperação no segundo trimestre, depois de um mergulho histórico de dois anos, estimulados pela desvalorização do dólar e uma série de interrupções no fornecimento do Canadá e Nigéria, entre outros países.

Agora, os investidores estão diante de uma situação aflitiva: eles não sabem se o mercado está enfrentando um excesso de oferta ou um déficit.

"Temos agora uma incerteza maior do que antes, em termos de formação de preço" no mercado de petróleo, disse em uma entrevista Eldar Saetre, executivo-chefe da Statoil ASA, a grande companhia de petróleo da Noruega.

Os preços do petróleo subram US$ 9,99 nos Estados Unidos, ou 26%, no segundo trimestre, para US$ 48,33 o barril na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o melhor desempenho trimestral em termos porcentuais desde 2009. O petróleo do tipo Brent subiu US$ 10,08, ou 25%, para US$ 49,68 na ICE Futures Europe. Os preços do petróleo nos EUA encerraram o trimestre com uma alta acumulada no ano de 30%.

Os preços do gás natural também subiram. O contrato de gás natural negociado na Nymex avançou 49% para US$ 2.924 o milhão de unidades termais britânicas, cravando seu melhor desempenho trimestral em termos porcentuais desde 2005. A alta acumulada no ano é de 25%.

Os preços do petróleo oscilaram durante a maior parte de junho, com os investidores tentando avaliar se o Reino Unido deixaria de fato a União Europeia (UE) - um resultado que vinha sendo considerado desfavorável para o mercado por seu potencial de desacelerar o crescimento europeu e levar a uma reação do dólar. O dólar forte pode afetar as commodities denominadas na moeda americana, como o petróleo.

Os preços do petróleo caíram 4,9% no dia seguinte ao resultado do referendo que deu vitória à Brexit e se encontram voláteis desde então. Mas alguns investidores começam a olhar para além das consequências da decisão de deixar a UE.

A Brexit "certamente contribui para as incertezas em relação aos investimentos futuros" na produção de petróleo, diz Will Riley, um dos gestores de uma carteira de aplicações na Guinness Atkinson Asset Management, que gerencia cerca de US$ 300 milhões em investimentos de ações do setor de energia.

No entanto, "os elementos do lado da oferta que estão reequilibrando o mercado não são diferentes hoje do que eram antes do referendo", acrescenta Riley.

Os preços do petróleo estão próximos de US$ 50 o barril, cerca de metade do preço de dois anos atrás, mas um patamar que agora representa um alívio para os abalados produtores de petróleo e seus credores. Os investidores correram para o mercado de petróleo no primeiro semestre, com a reação dos preços dos contratos futuros dos menores níveis em 13 anos.

Os participantes do mercado estão divididos sobre o rumo que os preços vão tomar agora. A visão dos que têm uma visão altista do mercado é de que a produção diária terá dificuldade para acompanhar a demanda crescente. A produção dos EUA caiu de seus picos de alta, e interrupções não planejadas da oferta - em razão de granes incêndios no Canadá, atentados a instalações de produção na Nigéria e turbulências políticas na Líbia - retiraram do mercado milhões de barris da produção diária nos últimos meses.

Esse sentimento prevaleceu no mercado de petróleo no segundo trimestre, elevando os preços mesmo com as grandes nações produtoras não chegando a um acordo sobre um congelamento da produção em uma reunião realizada em maio.

A visão oposta é que os estoques globais ainda se encontram perto de patamares recorde, mantendo o mercado com um excesso de oferta mesmo com a produção diária em queda.

"Para nós, a principal dúvida é: `O que o reequilíbrio realmente significa?", diz Julius Walker, consultor sênior da JBC Energy em Viena. "Há períodos neste não, especialmente no terceiro trimestre, em que acreditamos que a oferta e a demanda vão se equiparar. Mas ainda assim ficamos com esse enorme excesso de estoque."

A oferta de petróleo nos EUA em 24 de junho estava em 130 milhões de barris, ou 33% acima do nível médio de cinco anos para essa semana, segundo a Energy Information Administration. A oferta total do petróleo comercial mantido pelas nações industrializadas foi recorde em abril, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Muitos investidores estão de olho nos grandes níveis de estoque. Analistas alertam que a produção da Venezuela está cada vez mais vulnerável aos problemas econômicos do país e a interrupções no fornecimento de energia. Além disso, a produção dos EUA vem caindo há mais de um ano e assim deverá continuar, uma vez que as companhias estão reduzindo os investimentos em novos poços.

"Com a produção americana devendo cair outras duas centenas de milhares de barris [por dia] nos próximos meses, isso provavelmente vai reequilibrar as coisas e estaremos produzindo menos do que consumindo, em termos globais", Diz Roland Morris, estrategista de commodities da VanEck, que gerencia US$ 31,7 bilhões em ativos.

Morris acredita que o preço do petróleo será negociado a perto de US$ 50 o barril no terceiro trimestre, devendo ultrapassar esse patamar nos últimos três meses do ano.

Will Nasgovitz, executivo-chefe da Heartland Advisors de Milwaukee, que gerencia US$ 2 bilhões em ativos de investidores, limitou a exposição de seus fundos às ações de energia em 2015. Este ano, ele mudou de posição e agora tem mais dinheiro aplicado em energia do que o recomendado pelos referenciais que ele acompanha.

"O que estamos vendo claramente é que a oferta norte-americana está caindo", diz ele. Entre os produtores de petróleo americanos, "alguns sujeitos estão em queda livre mesmo com o petróleo a US$ 50 o barril".

Mas investidores cautelosos apontam para 2015, quando uma forte reação dos preços no segundo trimestre não conseguiu se sustentar. Os produtores americanos aproveitaram os preços mais altos para colocar mais plataformas de perfuração para trabalhar, e a produção americana caiu menos lentamente que o esperado.

 

 

 

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