Energia

Governo aciona térmicas a óleo para poupar reservatórios do Nordeste

Serão acrescentados cerca de 2 mil MW médios.

Valor Online
18/10/2012 11:56
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Os reservatórios da região Nordeste chegaram a um nível considerado crítico pelo governo e levaram o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a tomar uma medida emergencial para poupar água das hidrelétricas.
A partir desta quinta-feira (18), serão ligadas usinas térmicas movidas a óleo combustível para acrescentar cerca de 2 mil megawatts (MW) médios à geração de energia do país, seguindo determinação do ONS.
De acordo com fontes de mercado, estão sendo acionadas as termelétricas a óleo que têm preço de operação de até R$ 711 por megawatt-hora. Essas térmicas são as mais caras e poluentes do sistema elétrico. Para efeito de comparação, as usinas hidrelétricas que estão passando por processo de prorrogação das concessões têm preço médio de R$ 95 por megawatt-hora. As eólicas leiloadas nos últimos dois anos ficaram em torno de R$ 100.
O diretor-presidente do ONS, Hermes Chipp, confirmou ao "Valor" a determinação de acionar as térmicas a óleo. Segundo ele, são cerca de 1.100 MW no Nordeste e de 800 a 900 MW no Sudeste/Centro-Oeste. O objetivo, mesmo quando a geração ocorre fora do Nordeste, é aumentar o fornecimento de energia à região.
"Estávamos esperando água (chuva). Como ela não veio, estamos tomando essa medida para evitar que se ultrapasse a curva de aversão ao risco, em dezembro", disse Chipp. A curva de aversão ao risco (CAR) representa o nível mínimo de segurança para operação dos reservatórios. No fim de dezembro, os reservatórios no Nordeste devem estar com pelo menos 34% de sua capacidade. Hoje, estão com 37,4%. O reservatório da usina de Sobradinho, por exemplo, está com apenas 25,7% de sua capacidade máxima.
Com a estiagem, o ONS já havia determinado que fossem ligadas térmicas a gás e até a carvão, mas isso ocorre com frequência nesta época do ano. O acionamento das usinas movidas a óleo é uma medida bem menos frequente. Agora, segundo Chipp, passou a ser necessária como medida de prevenção porque o nível-meta dos reservatórios (um pouco acima da CAR) está ameaçado.
De acordo com Chipp, estão sendo ligadas as térmicas a óleo com potência entre 140 MW e 160 MW. Ele não confirmou a informação de que o preço-teto é de R$ 711 por megawatt-hora. Mas deixou claro que se trata de uma medida preventiva. "Como está demorando para chegar a água, vale a pena".
Fontes do mercado dizem que essa situação cria um problema logístico porque as usinas não tinham estoque de óleo combustível em quantidade necessária para gerar tanta energia. O acionamento das usinas demanda a movimentação de centenas de caminhões-tanque.
Uma das últimas vezes em que as térmicas a óleo foram acionadas em larga escala ocorreu em 2008, quando houve um atraso no início do período chuvoso.
Uma associação empresarial do setor elétrico, que pediu para não ser identificada, calcula em R$ 35 milhões por dia o custo adicional com encargos cobrados dos consumidores para acionar essas usinas. O Encargo de Serviços do Sistema (ESS) chegou a R$ 1,4 bilhão em 2011. A conta é repassada aos consumidores, no reajuste anual das distribuidoras de energia elétrica, no ano seguinte.

Os reservatórios da região Nordeste chegaram a um nível considerado crítico pelo governo e levaram o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a tomar uma medida emergencial para poupar água das hidrelétricas.


A partir desta quinta-feira (18), serão ligadas usinas térmicas movidas a óleo combustível para acrescentar cerca de 2 mil megawatts (MW) médios à geração de energia do país, seguindo determinação do ONS.


De acordo com fontes de mercado, estão sendo acionadas as termelétricas a óleo que têm preço de operação de até R$ 711 por megawatt-hora. Essas térmicas são as mais caras e poluentes do sistema elétrico. Para efeito de comparação, as usinas hidrelétricas que estão passando por processo de prorrogação das concessões têm preço médio de R$ 95 por megawatt-hora. As eólicas leiloadas nos últimos dois anos ficaram em torno de R$ 100.


O diretor-presidente do ONS, Hermes Chipp, confirmou ao "Valor" a determinação de acionar as térmicas a óleo. Segundo ele, são cerca de 1.100 MW no Nordeste e de 800 a 900 MW no Sudeste/Centro-Oeste. O objetivo, mesmo quando a geração ocorre fora do Nordeste, é aumentar o fornecimento de energia à região.


"Estávamos esperando água (chuva). Como ela não veio, estamos tomando essa medida para evitar que se ultrapasse a curva de aversão ao risco, em dezembro", disse Chipp. A curva de aversão ao risco (CAR) representa o nível mínimo de segurança para operação dos reservatórios. No fim de dezembro, os reservatórios no Nordeste devem estar com pelo menos 34% de sua capacidade. Hoje, estão com 37,4%. O reservatório da usina de Sobradinho, por exemplo, está com apenas 25,7% de sua capacidade máxima.


Com a estiagem, o ONS já havia determinado que fossem ligadas térmicas a gás e até a carvão, mas isso ocorre com frequência nesta época do ano. O acionamento das usinas movidas a óleo é uma medida bem menos frequente. Agora, segundo Chipp, passou a ser necessária como medida de prevenção porque o nível-meta dos reservatórios (um pouco acima da CAR) está ameaçado.


De acordo com Chipp, estão sendo ligadas as térmicas a óleo com potência entre 140 MW e 160 MW. Ele não confirmou a informação de que o preço-teto é de R$ 711 por megawatt-hora. Mas deixou claro que se trata de uma medida preventiva. "Como está demorando para chegar a água, vale a pena".


Fontes do mercado dizem que essa situação cria um problema logístico porque as usinas não tinham estoque de óleo combustível em quantidade necessária para gerar tanta energia. O acionamento das usinas demanda a movimentação de centenas de caminhões-tanque.


Uma das últimas vezes em que as térmicas a óleo foram acionadas em larga escala ocorreu em 2008, quando houve um atraso no início do período chuvoso.


Uma associação empresarial do setor elétrico, que pediu para não ser identificada, calcula em R$ 35 milhões por dia o custo adicional com encargos cobrados dos consumidores para acionar essas usinas. O Encargo de Serviços do Sistema (ESS) chegou a R$ 1,4 bilhão em 2011. A conta é repassada aos consumidores, no reajuste anual das distribuidoras de energia elétrica, no ano seguinte.

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