Gás natural

Governo descarta racionamento imediato

Valor Econômico
11/04/2006 00:00
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O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, descartou a possibilidade de racionamento de gás às distribuidores e aos consumidores pelo menos até quinta-feira. A diretoria da Petrobras fez ontem uma avaliação mais otimista e não acredita no contingenciamento.

A hipótese de um racionamento na regiões Sul e Sudeste está sendo discutida dentro do governo desde o rompimento de uma tubulação de gás na Bolívia, ocorrida na noite de 1º de abril. A tubulação não resistiu a uma enxurrada e ao desabamento de uma encosta, devido a fortes chuvas na província de Gran Chaco, na Bolívia.

Rondeau explicou que, desde a semana passada, já está ocorrendo um racionamento no consumo de gás pelas refinarias da Petrobras e pelas termelétricas. Nas refinarias o racionamento é equivalente a 51% do consumo diário e nas termelétricas, 72%.

O ministro acredita que o governo boliviano e a Petrobras conseguirão restabelecer o funcionamento normal do gasoduto até quinta. Caso não consigam, haverá um racionamento para as distribuidoras, equivalente a 9% do que elas consomem de gás. "Mas, isso não deverá ocorrer", prometeu o ministro. "Estamos otimistas para resolver o problema", completou Rondeau.

As distribuidoras consomem 25,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia. São as maiores consumidoras do produto no Brasil. As termelétricas ficam com apenas 6,3 milhões e as refinarias com 4,5 milhões. São consumidos, ao todo, 36 milhões de metros cúbicos de gás no Brasil. Destes, 26 milhões vêm da Bolívia. Outros 10 milhões são produzidos no Brasil.

O acidente afetou um duto pelo qual passavam 11 milhões de metros cúbicos de gás. Mas, a capacidade total de transporte de gás deste duto não foi afetada. Rondeau calcula que o duto está trabalhando com um pouco mais da metade transportada anteriormente. Após o acidente, o Brasil passou a receber entre 18 e 21 milhões de metros cúbicos de gás, ao invés dos 26 milhões diários.

O racionamento está descartado num primeiro momento porque o Brasil tem reservas de gás, disse o ministro. E, depois, pelo fato de as obras para a reconstrução do duto já terem sido iniciadas. O prazo para a conclusão final das obras é de 30 dias. Mas Rondeau acredita que o duto estará funcionando normalmente até quinta-feira. A previsão da estatal brasileira é de que o fornecimento normal só seja restabelecido em um mês.

Apesar disso, a Petrobras acredita que não será necessário colocar em prática o plano de contingenciamento de gás para as distribuidoras estaduais que consomem o gás importado. Segundo o diretor da área de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer, o governo da Bolívia praticamente garantiu que as exportações do insumo para o Brasil não vão baixar dos atuais 21 milhões de metros cúbicos/dia. Com isso a estatal poderá administrar a redução da oferta para o mercado, que caiu entre 5 milhões e 6 milhões de metros cúbicos/dia, apenas reduzindo o consumo nas suas termoelétricas e refinarias do Sudeste.

As distribuidoras CEG e CEG Rio, que têm o segundo maior consumo de gás no país depois da paulista Comgás, também já trabalhavam ontem com a possibilidade de não precisar reduzir o fornecimento em 9,3%, como previa notificação recebida ontem. A catarinense SCGás também descartou o racionamento imediato. O plano de contingência das distribuidoras cariocas prevê a entrega de menos gás para grandes consumidores industriais, evitando afetar o consumo residencial e de gás natural veicular (GNV).

"Achamos que o mercado não vai sentir nada, pois não vamos reduzir a entrega. O contingenciamento seria necessário se a importação caísse para 15 milhões, mas isso não deve acontecer. Temos tido todo apoio do governo boliviano e as obras no duto começaram no sábado", informou Ildo Sauer.

Para administrar a redução da oferta de gás no Brasil a Petrobras desligou as térmicas Três Lagoas (MS), Arjona (MS) e Canoas (RS). A estatal deve atrasar o cronograma de retorno ao sistema de térmicas que estavam paradas, como é o caso da Norte Fluminense, da Light, no Rio. Na Bolívia, a estatal já começou a fazer os reparos nos dutos que romperam com a chuva, impedindo o escoamento de líquidos tanto do campo de San Antonio, operado pela Petrobras, como Margarita, operado pela Repsol.

Para apressar o conserto a Petrobras vai fazer um "by pass", instalando um duto menor que vai servir como uma emenda e permitir desviar o gás para um trecho alternativo. Também ajudou a decisão da boliviana YPFB de fazer um corte interno de consumo, se necessário, para que o Brasil tenha pelo menos 21 milhões de metros cubicos/gás. "Nesse momento temos um grau de conforto, sem impactar o mercado porque a Petrobras vai absorver sozinha o impacto. Por isso, a chance de iniciar o contingenciamento é reduzida", disse Sauer.

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