Meio ambiente

Ibama confirma petróleo venezuelano nas praias do Nordeste, mas causa segue incerta

Reuters, 17/10/2019
17/10/2019 17:01
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O governo do Brasil confirmou que o petróleo que misteriosamente atinge as praias do Nordeste é venezuelano, mas isso não significa necessariamente que a Venezuela seja a responsável pelo vazamento, disse nesta quinta-feira o chefe da agência ambiental Ibama.

“Este óleo é venezuelano. O DNA é venezuelano. É uma certeza, é uma afirmação, não uma especulação”, disse o presidente do Ibama, Eduardo Bim, em uma audiência no Senado na quinta-feira.

“Significa que a Venezuela é responsável? Não, isso é uma outra questão.”

Bim disse que a agência estava cautelosa ao divulgar linhas de investigação para evitar “más informações” e “problemas diplomáticos”.

Desde setembro, o governo investiga o petróleo que continua se espalhando por centenas de quilômetros da costa brasileira em nove Estados.

Um relatório da Petrobras indicou primeiramente que o produto tinha propriedades do petróleo venezuelano, mas o governo posteriormente conduziu sua própria análise confirmando as características do óleo, disse Bim.

A Venezuela negou responsabilidade no caso.

Não há dúvida de que o derramamento de óleo tem natureza criminosa, pois, caso contrário, o vazamento teria sido relatado internacionalmente, disse Bim.

Mas ainda não se sabe de onde está vindo o petróleo, disse ele.

“Acho que uma transferência de navio a navio (“ship to ship”) é a mais provável, mas temos que investigar e não descartamos nenhuma causa possível”, disse Bim.

As transferências de navio para navio ocorrem quando o óleo é transferido entre embarcações no mar.

As barreiras para impedir que o óleo chegue à praia, por exemplo, não têm sido eficazes, admitiu ele.

A melhor resposta por enquanto é limpar o óleo assim que ele chega às praias, o que Bim disse que os Estados brasileiros têm feito bem, com a ajuda de equipes treinadas pela Petrobras, que deverá ser ressarcida pelo trabalho.

A Petrobras coletou mais de 200 toneladas de resíduos oleosos, informou a companhia na quarta-feira, ressaltando ter mobilizado cerca de 1.700 agentes ambientais para limpeza das áreas impactadas na região e mais de 50 empregados para planejamento e execução da resposta às manchas.

O volume de óleo nas praias permanece relativamente estável e não está claro se está aumentando ou diminuindo, disse o presidente do Ibama.

Até agora, as autoridades não conseguiram prever para onde o petróleo deve seguir, disse Bim.

“Saber de antemão onde aparecerão (as manchas) não é tão fácil quanto parece”, disse ele.

Na véspera, o Ibama atualizou dados sobre as manchas de petróleo, dizendo que até aquele momento eram 178 localidades afetadas, contra 167 na terça-feira, em nove Estados.

A afirmação do presidente do Ibama vai na linha do que disse à Reuters, nesta quinta-feira, uma fonte da Petrobras.

“Enquanto não soubermos o que de fato aconteceu, vai ficar difícil prever quando o vazamento vai parar... se afundou um navio com grande carregamento de óleo, o vazamento pode ainda estar acontecendo”, disse a fonte, que preferiu não ser identificada.

 

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