Porto

Indústria automotiva teme perder espaço no porto de Santos

A indústria automotiva está preocupada com a possibilidade de perder áreas para movimentação de veículos no porto de Santos (SP) na reforma portuária. O cais santista é a principal porta das exportações do setor, com dois terminai

Valor Econômico
24/06/2013 08:22
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A indústria automotiva está preocupada com a possibilidade de perder áreas para movimentação de veículos no porto de Santos (SP) na reforma portuária. O cais santista é a principal porta das exportações do setor, com dois terminais dedicados a esse nicho. Mas o contrato de um deles - o da Deicmar - termina em 31 de maio de 2014 e, pela nova Lei dos Portos, não poderá ser renovado.

Sozinho, o TEV, o outro terminal especializado, não tem capacidade para absorver toda a demanda de veículos destinada ao porto. Cada qual responde, normalmente, por 50% da movimentação de veículos no porto.

Além disso, a nova lei dos portos, diferentemente da antiga, não cita o termo "roll-on-roll-off", nomenclatura que designa cargas rolantes, o que enseja dúvidas se nas novas licitações o segmento será contemplado. Ao 'Valor', o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, disse que firmará contratos emergenciais para manter as operações até que o novo licitante assuma e garantiu que haverá áreas para embarque e desembarque de veículos. "Não vai faltar terminal para movimentar veículos. Se precisar vamos alocar áreas. Que temos demanda muito grande de veículos, isso eu sei". Cristino, contudo, não especificou quantas áreas serão nem onde. Isso deverá ser apontado pelos Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTEs), que precedem as licitações e estão em fase de elaboração pela Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP).

"O problema é a falta de informação. Não sabemos o que o governo planeja em termos de 'ro-ro' porque o plano de desenvolvimento e zoneamento do porto [mapa que mostra qual tipo de carga será movimentada em cada área] não é público", afirmou um armador. "Não há 'plano B' ao porto de Santos. A hinterlândia [área de influência] automotiva está na região de São Paulo", afirma Miguel Malaguerra, diretor da Grimaldi Lines, armador de longo curso especializado no transporte de automóveis e cargas de grandes dimensões, como bens de capital.

Os navios da Grimaldi escalam regularmente de quatro a cinco vezes por mês o cais do Saboó, onde a Deicmar opera, além de veículos, cargas de projeto de grandes dimensões, como pás eólicas. Cada navio da Grimaldi transporta o equivalente a US$ 100 milhões em mercadorias.

Segundo a Anfavea, associação de montadoras, o porto de Santos é o de maior participação tanto em importação quanto em exportação para a indústria automobilística. "Considerando que temos uma meta de exportar 1 milhão de veículos até 2017, naturalmente essa participação tende a aumentar", diz Luiz Moan, presidente da entidade.

"Tenho convicção de que o administrador do porto tem condições de avaliar tecnicamente a demanda da indústria, portanto não acreditamos na redução da capacidade de armazenamento de veículos importados ou exportados", disse. De acordo com Moan, contudo, se Santos ficar com apenas um terminal especializado em veículos, a indústria teria onde buscar alternativas logísticas. Ele cita o porto de São Sebastião (SP), Rio de Janeiro e Paranaguá (PR) como opções.

O armador "K" Line Brasil, que também, opera "ro-ro", já sente falta de espaço em Santos. "Não há nenhum inconveniente e atraso para a nossa operação, neste momento. Mas sentimos uma falta crônica de espaço em Santos", disse o presidente da empresa, Kazuyasu Takahata.

A Deicmar disse que analisará as oportunidades de terminais que surgirão em decorrência do novo marco regulatório. Na região do Saboó está localizada a maioria dos terminais vencidos ou prestes a vencer de Santos - razão pela qual a área foi apelidada nos bastidores de "faixa de Gaza" - e que devem ser reordenados em uma única grande área a ser relicitada.

O diretor da empresa, Gerson Foratto, espera que o sistema "ro-ro" seja contemplado seja no reordenamento dos terminais de Santos ou nas novas licitações. "O que nós esperamos como operadores, seja num novo contrato ou num processo licitatório, são duas coisas: segurança jurídica e rentabilidade", disse o executivo.
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