Política

Indústria naval está na agenda positiva de Dilma

Desde a campanha eleitoral de 2010, Dilma Rousseff vem sinalizando que uma de suas prioridades é conservar os esforços iniciados nos governos Luiz Inácio Lula da Silva para reestruturar a indústria naval brasileira. Na próxima sexta-feira (4), a presidenta par

Valor Econômico
30/04/2012 10:39
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A presidente Dilma Rousseff participará na sexta-feira (4) do lançamento da pedra fundamental do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) e batismo da plataforma P-59 da Petrobras, na Bahia. O evento será mais uma demonstração de que a presidente está decidida a impulsionar a indústria naval nacional e tentar acelerar a exploração do petróleo da camada pré-sal, além de manter uma agenda positiva que afaste do Palácio do Planalto as discussões sobre a CPI do Cachoeira.

Localizado em Maragojipe, a cerca de 45 quilômetros de Salvador, o Estaleiro Enseada do Paraguaçu é um projeto de 2010 da Odebrecht, OAS e UTC que receberá investimentos de R$ 2 bilhões. O estaleiro começou a ser construído no ano passado, e deve iniciar suas operações em 2014. A expectativa é que sejam gerados 3 mil empregos diretos durante a construção do EEP e 5 mil em sua operação, quando se prevê o processamento de até 36 mil toneladas de aço por ano.

Na quinta-feira, o 'Valor' revelou que o EEP assinou carta de intenção com a Sete Brasil, holding financeira dedicada a gerir portfólios de ativos voltados para o setor de petróleo e gás, para construir seis navios-sonda utilizados em perfuração de poços de petróleo, uma encomenda de US$ 4,8 bilhões. O estaleiro também acertou contrato de licenciamento com a holandesa Gusto, que vai fornecer o projeto das sondas, e está em negociações, embora não comente o assunto, com a japonesa Kawasaki para tê-la como sócia estratégica no empreendimento. A carta de intenção é um instrumento que permite à Sete BR e aos seus fornecedores antecipar etapas para reduzir eventuais atrasos até a assinatura de um contrato firme.

Desde a campanha eleitoral de 2010, Dilma Rousseff vem sinalizando que uma de suas prioridades é conservar os esforços iniciados nos governos Luiz Inácio Lula da Silva para reestruturar a indústria naval brasileira. A presidente costuma dizer que o Brasil já foi o segundo país em importância internacional no setor. No entanto, lamenta, na década de 1980 e 1990 as crises econômicas que o país enfrentou reduziram a posição brasileira nessa área. Agora, Dilma quer fortalecer a cadeia produtiva da indústria naval e evitar que investimentos e a geração de empregos sejam transferidos para o exterior, uma vez que a Petrobras assegura uma demanda aos fabricantes da área e precisa aumentar sua capacidade de produção para acelerar a exploração do petróleo encontrado na camada pré-sal.

"No que depender de mim, vocês podem ter certeza de uma coisa: eu assumo e reitero, mais uma vez, o meu compromisso com a indústria naval brasileira. Eu assumo o compromisso de sempre querer melhorar o conteúdo nacional", discursou a presidente Dilma em junho de 2011, durante cerimônia de batismo da plataforma P-56, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. "Nós, agora, temos de querer estabelecer no Brasil uma indústria de "navipeças". Assim como tem a indústria de autopeças para os automóveis, nós queremos que aqui dentro do Brasil se produza cada peça dessa plataforma".

Além de Dilma, devem participar da cerimônia ministros, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.
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