Evento

Interconexão energética na América Latina promove segurança do sistema e reduz custos de energia

Os caminhos para o melhor aproveitamento da energia do continente serão debatidos por alguns dos mais importantes especialistas no assunto durante o evento Interconexões 2009 - Seminário Internacional Interconexões e Negócios de Geração e Transmissão, que começa hoje (14) e vai até esta se

Redação
14/10/2009 09:23
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A interconexão dos sistemas energéticos da América Latina tem avançado em diversas frentes, a despeito de algumas dificuldades, e pode ser um fator essencial para a garantia de segurança de fornecimento de energia e a avançar também na modicidade tarifária, em benefício dos países da região. Os caminhos para o melhor aproveitamento da energia do continente serão debatidos por alguns dos mais importantes especialistas no assunto durante o evento Interconexões 2009 - Seminário Internacional Interconexões e Negócios de Geração e Transmissão, que começa hoje (14) e vai até esta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro.


Organizado pelo Bracier (Comitê Nacional Brasileiro da Comissão de Integração Energética Regional - CIER) e com apoio da Eletrobrás e da ISA/Cteep, o encontro terá a presença de autoridades governamentais, agentes reguladores, empresas públicas e privadas do setor, e investidores, que analisarão alternativas para a expansão e fortalecimento das interconexões energéticas no continente.


Estudos da CIER apontam para uma economia anual da ordem de US$ 1 bilhão no preço das tarifas caso se realize uma gestão integrada e eficiente dos sistemas energéticos latino-americanos. Com foco na complementaridade existente entre os sistemas nacionais, os países poderiam transferir energia entre mercados, permitindo sua otimização, provendo de segurança e regularidade de fornecimento e, além disso, proporcionando menores custos de tarifas. “É importante considerarmos as características climáticas de cada país e a complementaridade que poderia ser empregada ao sistema”, observa Pedro Jatobá, coordenador-técnico do evento e executivo da Eletrobrás.


O regime pluviométrico brasileiro, por exemplo, é praticamente oposto ao dos países andinos. Nos momentos de seca no Brasil, há, inversamente, maior disponibilidade de água nos andinos. Portanto, maior quantidade de energia nos reservatórios das hidrelétricas. Nesse cenário, essa abundância de energia poderia ser transferida aos brasileiros, resultando em custo menor se comparado aos valores de produção no País, naturalmente mais elevados nos momentos de seca. “No nosso período chuvoso, somos obrigados, depois que os reservatórios estão cheios, a verter água, inclusive porque o mercado doméstico está plenamente atendido. Com investimentos na ampliação de capacidade de geração e transmissão, via interconexão de sistemas, poderíamos gerar mais energia e destiná-la aos mercados vizinhos que sofrem de escassez no mesmo momento em que temos sobras”, argumenta Jatobá.


A interconexão é, portanto, um fator importante da infraestrutura para o melhor aproveitamento do potencial energético latino-americano. Entre os avanços significativos já realizados, estão as exportações de gás natural da Bolívia para Brasil e Argentina; o intercâmbio regular de energia entre Argentina e Brasil; a transferência de eletricidade da Colômbia para o Equador; e o intercâmbio de eletricidade entre os países da América Central. Fruto de um importante empreendimento de interconexão, Itaipu Binacional gera energia elétrica que supre cerca de 25% do mercado brasileiro e 90% do paraguaio.


Os diagnósticos sobre as interconexões já existentes e as perspectivas futuras para o setor estão sendo abordados pelo Projeto “CIER 15”, cujo relatório de conclusão da sua segunda fase vai ser apresentado e debatido durante o Interconexões 2009. Mesmo as dificuldades físicas e de adequação técnica da energia têm sido superadas nos últimos anos, como, por exemplo, na construção de linhas de transmissão interligando a Colômbia e o Panamá.


Ainda que, momentaneamente e em casos isolados, disputas de natureza política dificultem os avanços em empreendimentos de transferência de energia, várias experiências e novos projetos em discussão revelam que as perspectivas envolvendo a interconexão são promissoras. E essa evolução tem permitido, inclusive, o desenvolvimento de discussões técnicas para a viabilização de uma integração energética regional, coordenada e interdependente. “A lógica econômica tende a prevalecer. O Chile enfrenta problemas de abastecimento de energia, enquanto a Bolívia conta com sobras de gás. Esse é um dos vários exemplos que pretendemos discutir para encontrar soluções e viabilizar um mercado regional de energia”, relata José Vicente de Camargo, coordenador internacional da CIER.


O avanço da integração energética do continente passa por definições importantes entre os países, algumas como ajustes em marcos regulatórios, criação de mecanismos de cobertura de riscos, elaboração de tratados internacionais e métodos de precificação de energia conforme a matriz de geração. Todo esse esforço pode contribuir, na visão da CIER e do Bracier, na atração de investimentos públicos e privados para a integração, além da obtenção de financiamentos de organismos multilaterais, caso do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial (Bird) e Cooperação Latina de Fomento (CAF), entre outros.
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