Energia
Afirmação foi feita pelo diretor da Aneel, Romeu Rufino.
Diário do Nordeste
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, avaliou que o aumento da segurança do sistema de transmissão de eletricidade, capacitando-o para suportar quedas simultâneas de linhas de transmissão tem um custo, que pode impactar as tarifas. "Contingenciar o sistema para uma ocorrência dupla custa mais e essa segurança não pode ser a qualquer custo. É preciso dosar a segurança com a modicidade tarifária", afirmou, em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
O apagão ocorrido na região Nordeste no fim de agosto ocorreu porque duas linhas foram atingidas por queimadas, enquanto o sistema nordestino suporta a queda de apenas uma linha. Rufino lembrou que a Aneel abriu processo de fiscalização sobre as empresas que administram as linhas afetadas - Taesa e Ienne - e explicou que algumas geradoras também estão sendo fiscalizadas para verificar o processo de recomposição do fornecimento de energia.
"A agência vai apurar os fatos de maneira rigorosa. O processo dá tempo para que os agentes se manifestem, e quem tiver culpa será responsabilizado", disse. Ele destacou que a Aneel determinou que as duas empresas limpassem imediatamente a vegetação das faixas das linhas de transmissão e enviou de maneira preventiva um alerta para todas as outras transmissoras.
Reforço no Nordeste
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse, ontem (11), que, depois de Brasília, o Nordeste deve ser a próxima o receber o sistema de "contingência dupla", chamado N-2.
Trata-se de um reforço nas linhas de transmissão em que o abastecimento é feito com três linhas, ou seja, ainda que falhem duas, a mesma área segue recebendo carga elétrica. "Acredito que depois de Brasília será a região Nordeste, porque faz a interconexão entre as regiões Norte e Sul", disse.
Além de Brasília - em que esse reforço está em processo de implantação - só Itaipu é conectada com sistema N-2. "Não existe país no mundo que utilize esse como um critério geral", completou, justificando o motivo pelo qual esse mesmo modelo não será implantado em todo país.
"Em Brasília os resultados são positivos. O investimento não foi tão grande, porque em algumas áreas isso não precisou ser feito. Se identificou que as chances de falha em alguns pontos eram muito pequenas, então não vale a pena", afirmou. "Nessas situações adota-se apenas medidas preventivas", disse.
Chipp disse também que vem defendendo maior uso de térmicas na matriz energética. Essas usinas são mais caras e mais poluentes, porque usam, carvão ou óleo combustível para operar. "(É importante aumentar esse uso) Especialmente na região Sul. Isso nos faria operar com maior segurança quando a hidrologia estiver desfavorável".
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