Refino

Manguinhos reduziu em 40% produção de gasolina

Os aumentos sucessivos no preço do petróleo no mercado internacional levaram a direção da refinaria de Manguinhos, no Rio, a reduzir a produção de gasolina em 40% a partir de ontem (24/05). Outra refinaria privada, a Ipiranga, também já fez o corte de 40% na produção.

Valor Econômico
25/05/2004 00:00
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Os aumentos sucessivos no preço do petróleo no mercado internacional levaram a direção da refinaria de Manguinhos, no Rio, a reduzir a produção de gasolina em 40% a partir de ontem (24/05). A decisão foi anunciada por Marcus Vasconcellos, diretor de Assuntos Corporativos da refinaria controlada pelo grupo brasileiro Peixoto de Castro e pela Repsol YPF.
Segundo Vasconcellos, Manguinhos vai reduzir o processamento de gasolina dos atuais 15,5 mil barris/dia para 9 mil barris/dia porque "o preço (da gasolina) está artificialmente baixo". Os sócios também reavaliam investimento de US$ 40 milhões para modernizar a planta.
Vasconcellos calcula em 30% a defasagem dos preços da gasolina no Brasil em comparação ao mercado externo e frisou que não há como competir com as refinarias da Petrobras, que além de produzir petróleo detém 98% do refino.
No primeiro momento, o diretor admite que a decisão é positiva porque reduz prejuízos, mas é ruim no médio prazo porque a refinaria não poderá atender os clientes. O diretor explicou que a redução da produção é apenas a primeira medida de emergência a ser tomada. Segundo ele, dentro de duas semanas será decidido se a planta será desligada. Esse é o tempo de duração do atual estoque. Caso não haja aumento pela Petrobras, Manguinhos não poderá comprar óleo para refinar.
Segundo Vasconcellos, a refinaria só teve lucro no primeiro trimestre porque tinha estoques. "Agora, com certeza, estamos perdendo pois não conseguimos pagar os custos fixos mensais que são de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões", explicou o diretor, reclamando que a gasolina refinada no Brasil está US$ 2 mais barata que o próprio petróleo. "Isso sem considerar o frete e outros custos", ressalta.
Ele lembra que no dia 1º de agosto de 2003 a gasolina no Brasil custava o equivalente a US$ 37 o barril, acima da cotação do petróleo tipo WTI, que era vendido por US$ 32. Ontem, a gasolina estava sendo vendida no Brasil pelo equivalente a US$ 36,50 o barril, preço mais barato que a cotação do petróleo WTI, que ontem superava novamente a barreira de US$ 41. Para Vasconcellos, o problema que as empresas do setor é bem claro. "Estamos em um jogo em que não sabemos qual é a regra", disse.
A refinaria Ipiranga, também privada, já reduziu sua produção. No início do mês a diretora-superintendente da área de refino do grupo Ipiranga, Elizabeth Tellechea, anunciou o corte de 40%. O economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), calcula em 37% a atual defasagem na gasolina e em 20% no diesel vendidos no Brasil.
Pires ressalta que do ponto de vista da Petrobras, o problema começou no início de março, quando o petróleo subiu, sendo acompanhado pelo câmbio. "Se os preços e o câmbio se mantiverem, acho que nos próximos dez dias a Petrobras terá que aumenta preços para não afetar a meta de superávit.
A estatal reiterou que ainda não tem elementos para concluir que o petróleo atingiu um novo patamar de preço.

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