Petroquímica

Mesmo com o impacto do câmbio, Braskem aumenta receita líquida

Valor Econômico
27/01/2006 00:00
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A Braskem, maior indústria petroquímica do país, registrou receita líquida próximo dos R$ 12 bilhões em 2005, apesar do cambio desfavorável, informou ontem seu presidente, José Carlos Grubisich.

O executivo disse que a receita cresceu em linha com os resultados de 2004, quando o faturamento chegou a R$ 11 bilhões, mesmo com o impacto negativo de mais de 20% da valorização do real frente ao dólar. O balanço será divulgado no dia 8.

Para 2006, Grubisich está otimista. Acredita que até meados do ano estarão maduros os projetos com petroquímicas da Bolívia e Venezuela, para se entrar então na fase de viabilização técnica, econômica e política de alianças envolvendo US$ 1,7 bilhão.

Embora considere "dogmática" a política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva, reconhece que ela traz vantagens para empresas brasileiras nos países de Evo Morales e Hugo Chavez. "O ambiente mais volátil afastou os estrangeiros, e o Brasil se beneficia, criando oportunidades para empresas brasileiras", disse, referindo-se ao temor entre investidores internacionais com os rumos dos governos de Morales e Chavez.

Nesse cenário, a Braskem mostra-se confortável para buscar alianças regionais com fornecedores competitivos como a Bolívia e a Venezuela. No primeiro, está em negociação o chamado projeto gás-quimico, para produzir principalmente polietileno, plástico usado sobretudo em embalagens do setor alimentício.

A empresa discutiu o projeto com Evo Morales antes de sua eleição. O novo presidente disse estar interessado em assegurar valor para o gás disponível. O projeto deve ser instalado entre Corumbá e Santa Cruz de la Sierra (Bolívia). Do custo de US$ 1,4 bilhão, só o setor petroquímico representa cerca de US$ 800 milhões. A YPFB, companhia boliviana, poderá ter participação minoritária, o que reduz o risco, avalia o executivo. Sua expectativa é de que a construção poderia começar em 2007.

Também o projeto de parceria com o braço petroquímico estatal da Venezuela, a Pequiven, deverá ter sua modelagem societária decidida até julho. O projeto é estimado em US$ 300 milhões, para produção conjunta de polipropileno. Emissões que a empresa pensa em fazer no mercado internacional este ano vão depender desses projetos.

Enquanto todo mundo está com os olhos voltados para a China, Grubisich deixa claro que a prioridade da Braskem é, primeiro, o mercado doméstico, em razão de remuneração maior, e, segundo, a América Latina. De US$ 1 bilhão exportado no ano passado, as vendas para a China representaram US$ 100 milhões.

Essa situação deve continuar assim, até pela estrutura do comércio de petroquímicas. Os chineses têm produção própria e compram de fornecedores mais próximos para reexportar em forma de artefatos, inclusive para o Brasil.

A Braskem triplicou as exportações em três anos, mas o executivo diz que a situação fica difícil com o cambio atual. Ele diz ter ouvido de empresários até ameaças de deslocar produção para outros países.

Grubisich mostra-se entusiasmado com os resultados da companhia. Diz que a receita dobrou em três anos. Em 2002, o valor de mercado era de US$ 200 milhões. Chegou US$ 4,5 bilhões e fechou o ano passado a US$ 3,8 bilhões, devido à volatilidade no preço do petróleo.

Presente ao Fórum de Davos, o executivo se disse otimista, mas frustrado com a ausência do Brasil na agenda. Sem se posicionar, ele vê a eleição presidencial deste ano como uma escolha de modelo entre o PSDB, de eficiência no gasto, e Lula, que poderia tentar resgatar a hipoteca social, o que ainda não fez, devido ao ajuste fiscal.

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