Investimento

Noble Group lança terminal de R$ 100 milhões em Santos

Com previsão de faturar aproximadamente US$ 45 bilhões este ano no mundo, o Noble Group, uma das maiores tradings globais da cadeia de suprimentos agrícolas, minerais e de energia, inaugurou na última semana um terminal graneleiro no Porto de Santos (SP), com investime

DCI
13/10/2010 11:45
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Com previsão de faturar aproximadamente US$ 45 bilhões este ano no mundo, o Noble Group, uma das maiores tradings globais da cadeia de suprimentos agrícolas, minerais e de energia, inaugurou na última semana um terminal graneleiro no Porto de Santos (SP), com investimentos na ordem de R$ 100 milhões. Com o novo investimento, a empresa, com sede em Hong Kong, na China, afirma que espera aumentar sua presença no País e ver seus negócios no Brasil chegarem a render, até o final deste ano, mais de R$ 1 bilhão, ante os R$ 637 milhões obtidos em 2009.
 
 
O grupo, que atua da originação e produção ao transporte, conta agora com um terminal para grãos de 10 mil metros quadrados que tem capacidade de armazenamento de 90 mil toneladas de açúcar, soja, milho e farelo de soja.
 
 
A expectativa é de que o terminal movimente 2,3 milhões de toneladas de carga por ano. Desde julho, quando começou a operar em período de testes, já foram exportadas mais de 600 mil toneladas de commodities, em especial açúcar.
 
 
Segundo o fundador da empresa, Richard Elman, a Noble ainda espera expandir seus negócios no porto santista. "Temos a intenção de expandir nossos negócios aqui, no Porto de Santos; entretanto não consigo prever quando isso vai acontecer: pode ser hoje, ou amanhã, depende muito das oportunidades", garantiu o empresário.
 
 
Em visita ao Brasil, Elman também afirmou que o investimento realizado em Santos é um bom exemplo de como o grupo pretende integrar a produção das principais commodities com os mercados de destino. "As operações no porto se encaixam perfeitamente como plataforma de exportação de nossas usinas de açúcar localizadas no interior do Estado de São Paulo. Já investimos mais de R$ 1 bilhão em nossos negócios no Brasil, e continuaremos a investir o quanto for necessário se o negócio certo for encontrado: com o suporte adequado e que nos dê rentabilidade, lá estaremos", frisou.
 
 
Deste R$ 1 bilhão constam, além do novo terminal, duas usinas de açúcar e álcool no interior paulista, além de armazéns para estocagem de produtos. O grupo ainda está investindo em uma unidade de esmagamento de soja que será inaugurada em Mato Grosso entre 2011 e 2012, e um terminal de combustíveis no Porto de Itaqui, no Maranhão, que será inaugurado ainda este ano.
 
 
A expectativa da empresa é de que o crescimento de seus negócios no Brasil supere a marca de 20% ao ano. "Estamos expandindo nossos negócios no País, procurando novas oportunidades, e com isso esperamos superar a marca de 20% de crescimento anual nos próximos anos. O Brasil nos surpreende muito", comentou.
 
 
Já o presidente executivo da Noble Group, Tobias Brown, afirmou que a maior dificuldade encontrada no Brasil não é relativa a infraestrutura, mas a falta de mão de obra especializada. "O mais difícil para uma economia que cresce como a do Brasil é encontrar gente talentosa, mão de obra especializada, tanto que estamos contratando", brincou ele.
 
 
Brown também frisou que a empresa está investindo no mundo inteiro, o que explica o crescimento do faturamento: de US$ 31 bilhões no ano passado, para os US$ 45 bilhões esperados este ano. "Por conta dessas expansões que estamos experimentando no mundo, nossos números deram um salto: em média, crescemos 20% no mundo", finalizou ele.
 
 
Problemas no porto
 
 
Mesmo com a expectativa de crescimento de movimentação de carga no Porto de Santos, que saltará dos 83 milhões de toneladas movimentados no ano passado para 95 milhões este ano, a Companhia dos Portos do Estado de São Paulo (Codesp) continua às voltas com os problemas logísticos da área portuária santista.
 
 
Ao ser indagado sobre o estudo para retirada das áreas de armazenagem de produtos importados do porto, que chegam a permanecer até 9 dias no porto, o presidente da entidade, José Roberto Serra, afirmou que o estudo existe, e ajudaria muito a operação logística do porto.
 
 
"O porto tem de ser entendido como uma área de transito, não uma área de armazenagem. De fato o que estamos estudando é a retirada dessas grandes áreas de armazenagem do porto, e sua transferência a outros locais, para que possamos ter uma logística muito mais eficiente dentro do porto", afirmou ele.
 
 
Quanto à falta da estrutura de coordenação em relação a datas e horários de atracação de navios no porto, conhecidas como "janelas de atracação", Serra contou que este é um problema sem solução imediata.
 
 
"Janelas de atracação são o que todo navio quer no porto, então janela é o ideal e todo mundo quer, mas nem sempre conseguimos dispor delas por diversas dificuldades; é preciso ter paciência, porque os terminais estão crescendo", despistou ele.
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