Produtos e Serviços

Novas regras sobre emissões de poluentes por parte de navios cargueiros movimentam mercado marítimo

Com a proximidade da data estabelecida pela Organização Marítima Internacional (OMI) para a entrada em vigor da nova regulamentação, players do setor avaliam alternativas para atendê-la

Redação/Assessoria
20/05/2019 15:17
Novas regras sobre emissões de poluentes por parte de navios cargueiros movimentam mercado marítimo Imagem: Divulgação Visualizações: 2510

A entrada em vigor do novo regulamento estabelecido pela Organização Marítima Internacional das Nações Unidas (OMI), no que diz respeito à redução do teor de enxofre nos combustíveis que abastecem os navios que realizam o transporte de cargas (dos atuais 3,5% para 0,5%), agendada para janeiro de 2020, agita o mercado marítimo mundial. Os principais players do setor seguem determinados a cumpri-lo, no entanto, os eventuais impactos que podem vir a ser causados pela adoção dessa medida, como um significativo aumento de custos e potenciais interrupções na cadeia de suprimentos, os leva a avaliar e a debater as melhores alternativas para tal.

Isso porque as novas regras, que visam proteger o meio ambiente e a saúde humana, por outro lado, afetam muitas partes das cadeias de fornecimento, incluindo os proprietários e operadores de navios, empresas que usam o transporte marítimo para movimentar seus produtos e provedores logísticos que oferecem soluções e serviços de frete marítimo, já que cerca de 90% do comércio mundial é feito por mar e o combustível rico em enxofre alimenta a frota mercante de aproximadamente 95 mil embarcações em todo o mundo, incluindo navios porta-contêineres.

Alternativas - Equipamentos e sistemas que limpam os gases de escape e de exaustão, purificando as emissões antes de serem lançadas na atmosfera, o que significa que os navios podem continuar a usar combustíveis com alto teor de enxofre e ainda assim cumprir o novo limite estipulado pela OMI, de 0,5%, são uma das opções. Mas os impactos que podem causar ao meio ambiente levantam dúvidas sobre sua real eficácia.

Embarcações que utilizam purificadores de circuito aberto, por exemplo, são as que ocasionam maiores discussões, pois descarregam resíduos na água, poluindo áreas marinhas sensíveis. Até então este é um tipo de equipamento permitido pela OMI, mas que enfrenta pressão de algumas regiões, sendo mais recentemente proibido na China e em Cingapura. Também há os purificadores de circuito fechado ou híbridos, que permitem o armazenamento temporário de resíduos e o posterior descarte.

Mesmo com o tema em constante debate, o segmento de purificadores está em alta. Segundo a Fact Market Research, uma das consultorias líderes mundiais em análise e pesquisa de inteligência de mercado, o mercado global desses equipamentos crescerá, em média, 20,4% entre 2018 e 2028, sendo avaliado em aproximadamente US$ 11 bilhões.

Outra opção são as fontes alternativas de combustíveis, como o Gás Natural Liquefeito (GNL), que possui menor índice de emissões de óxido de enxofre, mas os altos investimentos que exige e a baixa disponibilidade do produto podem pressionar ainda mais as taxas de frete.

De acordo com a consultoria norte-americana AlixPartners, os armadores poderiam considerar um adicional de US$ 10 bilhões em custos com combustíveis para atender ao novo limite imposto pela OMI, sem contar que com o novo regulamento o consumo pode ficar mais lento e pode ser necessário o uso de transbordo, já que as operadoras buscam atenuar os gastos esperados. O que está claro em tudo isso é que os debates sobre os prós e contras das diferentes alternativas continuarão à medida que o prazo limite se aproximar.

O Grupo Panalpina, por sua vez, um dos maiores provedores de soluções logísticas para a cadeia de suprimentos global, segue monitorando o desenrolar deste assunto e fornecendo proativamente a seus clientes e parceiros todo o trabalho de consultoria e de disponibilização de informações qualificadas sobre as novas regras e seus possíveis impactos no mercado.

“Estamos em constante contato com nossos clientes,  informando-os sobre a evolução dos preços em rotas comerciais específicas. Além disso, seguimos desenvolvendo um mecanismo transparente e competitivo, com o qual poderemos obter os valores mais efetivos dos armadores para os embarcadores, ajudando-os a evitar eventuais interrupções nas respectivas cadeias de fornecimento”, afirma o diretor global de frete marítimo FCL (Full Container Load – Contêineres Totalmente Carregados, em tradução literal), do Grupo Panalpina, Joerg Twachtmann.

Já a diretora de frete marítimo da Panalpina Brasil, Luciana Vulcano, comenta que tudo aquilo que vem em benefício do ecossistema é bem vindo, mas que a preocupação é como isso será feito. “Infelizmente, hoje tudo é muito caro, então a maior dificuldade dos armadores e companhias marítimas em geral são os altos custos para se adequar às modificações. Além disso, diversos fatores precisam ser levados em conta para que as adaptações possam ocorrer da melhor forma possível, como a idade do navio, a capacidade dele, a rota que atende, a distância que irá percorrer e etc”, diz.

“Dessa maneira, cada um entende a nova regra de um modo e a adapta à sua realidade. No caso da Panalpina, identificamos que a melhor estratégia é servir como orientadores a nossos clientes e parceiros, indicando os melhores caminhos que devem seguir. De qualquer forma, é uma mudança muito grande para esse mercado, que historicamente é bem tradicional. E daqui para frente, a tendência é que muitas outras ocorram”, finaliza Vulcano.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Produção de petróleo e gás em agosto de 2026 alcançou 6,...
01/10/26
ROG.e 2026
Petrobras e Petronect levam nova solução para compras de...
30/09/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de julho foram ...
29/09/26
Santa Catarina
Porto de Imbituba movimenta 5,19 milhões de toneladas at...
28/09/26
ROG.e 2026
Abertura da ROG.e 2026 destaca transição energética just...
26/09/26
ROG.e 2026
Sucesso! ROG.e 2026 fecha com 83 mil visitantes e injeçã...
25/09/26
ROG.e 2026
Presidente da Petrobras defende exploração ativa e prevê...
25/09/26
ROG.e 2026
Oil States destaca integração entre engenharia, fabricaç...
25/09/26
ROG.e 2026
Na ROG.e 2026, Shell destaca parcerias, inovação e disci...
25/09/26
ROG.e 2026
Constellation é reconhecida pela Petrobras como a melhor...
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e OceanPact assinam acordo para expansão de...
25/09/26
Terminais
Ultracargo é reconhecida pelo quarto ano consecutivo com...
25/09/26
ROG.e 2026
Mayekawa apresenta soluções para óleo, gás e energia na ...
25/09/26
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e Perenco Brasil assinam acordo para primei...
24/09/26
ROG.e 2026
Lideranças apontam o Brasil como pilar de segurança ener...
24/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI e Sebrae Rio conectam MPEs a grandes empres...
24/09/26
ROG.e 2026
Estudo da PPSA identifica boas práticas para apoiar deci...
24/09/26
ROG.e 2026
EAS participa da ROG.e 2026
24/09/26
PPSA
A parcela de petróleo da União foi de 328 mil barris por...
24/09/26
Apoio Offshore
Afretado pela Petrobras, o PSV Starnav Elektra é batizad...
24/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.