Infraestrutura

Novo Canal do Panamá: participação de vários países

O programa de expansão do canal de Panamá é um exemplo da interdependência cada vez maior entre as economias no mundo contemporâneo. Os trabalhos de projeto se concentram em Chicago, nos Estados Unidos, mas também há atividades nessa área sendo r

Valor Econômico
31/05/2011 07:53
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O programa de expansão do canal de Panamá é um exemplo da interdependência cada vez maior entre as economias no mundo contemporâneo. Os trabalhos de projeto se concentram em Chicago, nos Estados Unidos, mas também há atividades nessa área sendo realizadas na Bélgica, Argentina, França e Panamá, disse Alberto Alemán Zubieta, administrador da Autoridade do Canal de Panamá (ACP), entidade ligada ao governo panamenho que administra, opera e mantém essa via fluvial entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
 

O primeiro navio transitou pelo canal em 1914, segundo registros da ACP. Segundo a entidade, o sonho de construir um canal através do istmo do Panamá, unindo Atlântico e Pacífico, tem origem no começo do século XVI. A ideia surgiu quando Vasco Núñez de Balboa descobriu, ao cruzar o Panamá em 1513, que somente uma estreita faixa de terra separava os dois oceanos. Mas foi o conde francês Ferdinand de Lesseps quem inaugurou as obras de escavação em 1880 com a explosão no "Corte Culebra", o trecho mais estreito do canal que receberá investimentos no atual programa de expansão.
 
 
Zubieta mencionou outros exemplos da característica internacional da obra. Há equipamentos de válvulas sendo construídos na Coreia, pela Hyundai, e as comportas estão a cargo da Cimolai, na Itália. As obras civis são de responsabilidade de um consórcio formado por companhias da Itália, Espanha, Bélgica e Panamá. O consórcio ganhou contrato de US$ 3,3 bilhões que inclui desenho e construção do canal. Há ainda contratos de dragagem sob responsabilidade de empresas da Holanda e da Bélgica. Todo o leito do canal será alargado e aprofundado.
 

Os trabalhos de escavação, do lado do Pacífico, foram divididos em vários contratos. Dois deles foram concluídos por empresas do Panamá e do México, mas há outros trabalhos neste segmento que envolvem, além de mexicanos, companhias da Costa Rica e Espanha. "Todos os contratos foram feitos abaixo do preço e dentro do prazo para que a obra seja entregue no fim de 2014", disse Zubieta. Ele afirmou que empreiteiras brasileiras se interessaram pelo programa de expansão do canal, unindo-se a empresas europeias na disputa, mas, no final, decidiram não participar.
 

Ele afirmou que do custo total da expansão, de US$ 5,25 bilhões, US$ 2,3 bilhões serão financiados por cinco organismos multilaterais: Banco Europeu de Investimentos; JBIC, do Japão; BID; CAF; e IFC, do Banco Mundial (Bird). O contrato foi assinado em dezembro de 2008, em plena crise econômica, o que demonstrou a solidez do programa, disse Zubieta. Os restantes cerca de US$ 3 bilhões cabem à própria ACP, que, no exercício 2010-2011, deve faturar US$ 2 bilhões. Nesse período, a autoridade deve gastar US$ 300 milhões nas obras de expansão.
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