Opinião

Número de fusões e aquisições deve crescer em 2015, por Gustavo Sardinha

Redação / Assessoria
26/02/2015 11:15
Número de fusões e aquisições deve crescer em 2015, por Gustavo Sardinha Imagem: Divulgação Visualizações: 747

Quem acompanha o mercado financeiro brasileiro deve ter visto nos últimos dias os bons números sobre o mercado de fusões e aquisições – M&A, na sigla em inglês – no ano de 2014. Os dados positivos sobre o setor, divulgados recentemente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), contrariam as previsões mais pessimistas e o momento fúnebre em que a economia se encontra.

Incólume aos juros altos, inflação galopante, PIB pífio, e borbulhantes escândalos de corrupção, os números de M&A bateram recorde de quase R$ 193 bilhões no ano passado, um crescimento de 16,6% em relação ao ano de 2013, segundo a Anbima. Nove das dez maiores operações ultrapassaram a casa dos R$ 5 bilhões, o que, sem dúvida, alavancou o saldo positivo.

O crescimento no volume de fusões e aquisições se deu, principalmente, por grandes operações nos setores de Telecomunicações. Apenas a venda pela Oi do ativo Portugal Telecom para a Altice, e a compra da GVT pela Telefônica, somaram R$ 47,3 bilhões – 24,55% do total movimentado no ano passado. E esse número é, sem dúvidas, ainda maior.

Segundo relatório anual da PricewaterhouseCoopers (PwC), das 879 transações anunciadas em 2014, apenas 266 tiveram seu valor divulgado. A empresa mostrou que do total anunciado, 22 transações tiveram valor de compra acima de US$ 1 bilhão, totalizando US$ 79,83 bilhões. Já as transações de até US$ 100 milhões lideram o total de negócios com valor divulgado – 168 transações.

A região Sudeste ocupou o primeiro lugar no ranking de operações de M&A no ano de 2014, com 71,7% das transações, ampliando sua participação no mercado – em 2013, a liderança era de 68,6 %, com o estado de São Paulo detendo 59,6%.

Porém, se a economia vai tão mal, como se percebe claramente nas ruas com a crise hídrica e elétrica, somada ao alto custo do capital, a baixa produção industrial e a queda no consumo, quais motivos levaram as fusões e aquisições a crescer quase 17% em 2014?

Dois fatores merecem ser lembrados. Um deles é que a aquisição da GVT pela Telefônica foi fechada em 2013. Mas, a aprovação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) se deu apenas em 2014, o que engorda os números do respectivo ano.

O outro, e de enorme importância, se deve justamente ao cenário econômico ruim, crises elétrica e hídrica, e aos escândalos de corrupção. Com a operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga contratos superfaturados com a Petrobras, as construtoras envolvidas estão se desfazendo de ativos ou buscando consolidação em função de suas restrições de crédito.

A contribuição da crise energética e hídrica para os bons números de 2014 fica com as empresas de óleo e gás e o setor elétrico, ambos com dificuldades de financiamento. E por último, a crise econômica tem provocado a baixa taxa de ocupação dos imóveis comerciais e, por consequência, a redução dos ativos locais na Bolsa de Valores.

Em resumo, todos os pontos negativos na economia brasileira, se vistos de outra perspectiva, mostram que têm sim o seu lado próspero, onde a crise logo se torna oportunidade de negócio.

Assim, vemos que o mercado de M&A deverá continuar aquecido e em crescimento. A crise econômica e os escândalos de corrupção ainda perdurarão por um bom tempo. E com isso, inúmeras oportunidades de fusões e aquisições irão surgir pelos próximos meses.


Gustavo Sardinha é advogado especialista em M&A, avaliação de empresas e desenvolvimento de negócios, e sócio do escritório Limiro Advogados Associados

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Negócios
Vallourec conquista importante contrato com a Subsea7 pa...
16/09/26
KPMG
Fusões e aquisições no setor de Óleo e Gás recuam 48.6% ...
15/09/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 deve movimentar R$ 593 milhões na economia do...
14/09/26
KPMG
Fusões e aquisições no setor de Óleo e Gás recuam 48.6% ...
14/09/26
ROG.e 2026
PPSA realiza 12 palestras na ROG.e sobre seus próximos l...
12/09/26
Qualificação Profissional
Camorim forma nova turma de moço de máquinas para impuls...
10/09/26
Águas Profundas
Firjan promove Agrega+Indústria Especial SEAP II e SEAP I
10/09/26
ROG.e 2026
Merax confirma participação na ROG.e 2026 com soluções p...
10/09/26
ROG.e 2026
PRINER exibe na Rio Oil & Gas Energy o serviço de pintur...
05/09/26
Produtos e Serviços
Mancais e Vedações RiverTough
05/09/26
Apoio Offshore
OceanPact conclui a aquisição do Estaleiro Dock Brasil
04/09/26
Margem Equatorial
Ibama autoriza Petrobras a perfurar três novos poços na ...
04/09/26
Rio de Janeiro
Firjan lança recorte Norte Fluminense do Anuário do Petr...
04/09/26
PPSA
TotalEnergies e Petrobras vencem lotes do 8º Leilão Spot...
02/09/26
Bacia de Santos
Shell Brasil adquire participação no bloco exploratório ...
02/09/26
ANP
Produção de petróleo e gás em julho de 2026 foram de 5,8...
01/09/26
Royalties
ANP publica resolução sobre distribuição a municípios af...
28/08/26
Pré-Sal
P-80 e P-82, que vão operar em Búzios, são batizadas em ...
28/08/26
Royalties
Valores referentes à produção de junho foram distribuído...
27/08/26
Pré-Sal
Campo de Búzios bate recordes mensal e diário de exporta...
26/08/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reúne líderes globais para discutir o futuro ...
26/08/26
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25