Aviação

O Brasil pode se tornar uma potência em SAF

Redação TN Petróleo/Assessoria IATÄ
08/06/2026 13:25
O Brasil pode se tornar uma potência em SAF Imagem: Divulgação Visualizações: 1041

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) destacou a oportunidade de o Brasil se tornar uma potência global em SAF (Combustível Sustentável de Aviação), no momento em que sua 82ª Assembleia Geral Anual se reúne no Rio de Janeiro. Isso transformaria o país em um player fundamental na descarbonização do transporte aéreo, fortaleceria a segurança energética e impulsionaria a economia brasileira.

Os principais pontos de destaque incluem:

  • As companhias aéreas precisarão de cerca de 500 milhões de toneladas de SAF para cumprir o compromisso de atingir emissões líquidas zero de CO2 até 2050.
  • O Brasil possui um dos maiores potenciais de matéria-prima de biomassa do mundo, estimado em cerca de 180 milhões de toneladas até 2050, o que poderia gerar em torno de 60 milhões de toneladas de SAF.
  • Olhando para 2030, o etanol de cana-de-açúcar de origem sustentável do Brasil, bem como matérias-primas de óleos residuais e virgens, poderiam atingir cerca de 18 milhões de toneladas, traduzindo-se em um potencial de produção de aproximadamente 12 milhões de toneladas de SAF. Isso equivale a cinco vezes a produção global estimada de SAF para 2026, que é de 2,4 milhões de toneladas.
  • Atualmente, o Brasil possui cerca de 15 projetos de SAF em andamento. Se todos forem concluídos, trarão cerca de 2 milhões de toneladas de SAF ao mercado.

"O Brasil tem todos os ingredientes para ser uma potência global de SAF. Possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, além de matéria-prima abundante. Como o segundo maior produtor de biocombustíveis líquidos do mundo, o país se beneficia de uma profunda expertise e de uma infraestrutura já desenvolvida. O Brasil tem uma oportunidade real de ser o líder global na descarbonização da aviação. Abraçar essa oportunidade gerará empregos, reduzirá a dependência de combustíveis fósseis estrangeiros, criará novas indústrias nos setores de energia e agricultura e fará a economia crescer. Com as políticas certas implementadas na ordem correta, o Brasil está pronto para dar o pontapé inicial nesse mercado", afirmou Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.
 

Vantagens competitivas e benefícios econômicos

Além da disponibilidade de matéria-prima, a experiência do Brasil na produção de etanol, bem como sua base de refino já estabelecida, conferem ao país diversas vantagens competitivas. Juntos, esses fatores criam uma base sólida para a escala do processo HEFA (Ésteres e Ácidos Graxos Hidro Processados) e de outras rotas tecnológicas avançadas de SAF, particularmente a etanol para jato, o que poderia permitir ao Brasil se tornar um exportador líquido de SAF.

Os benefícios econômicos podem ser transformadores. Novas indústrias e mercados surgiriam ao longo de uma cadeia de valor que abrangeria a agricultura e o desenvolvimento de matérias-primas, logística, infraestrutura, refino, produção de combustíveis avançados e novos produtos de exportação. Isso daria suporte à geração de empregos, à segurança e independência energética, à melhoria dos solos, à valorização do capital natural e ao fortalecimento das comunidades locais.
 

Concretizando o Potencial do Brasil

A produção de SAF no Brasil ainda está em estágio inicial. Atingir escala exigirá:

  • Infraestrutura: Implementação de tecnologias de conversão, investimentos em infraestrutura e melhorias logísticas para conectar o fornecimento de matéria-prima às unidades de produção.
  • Políticas Públicas: As políticas devem viabilizar o sucesso do setor com incentivos direcionados à produção, apoio a mecanismos de financiamento mais robustos e alinhamento com os padrões globais de sustentabilidade.
  • Abordagem Book-and-Claim: Os esforços para estabelecer um sistema de book-and-claim baseado em certificados de SAF negociáveis desempenharão um papel importante. É animador que o arcabouço do programa Combustível do Futuro do Brasil ( ProBioQAV) preveja a inclusão desses mecanismos paralelamente aos requisitos de uso de SAF pelas companhias aéreas. Essa abordagem criará conexões críticas com estruturas globais, como o CORSIA. O sequenciamento correto é fundamental para garantir que haja SAF suficiente disponível antes que quaisquer metas de uso obrigatório entrem em vigor.

"O Brasil possui muitas vantagens — tanto em termos de recursos naturais quanto de vasta experiência — que devem garantir ao país um papel de liderança mundial nos mercados de SAF. A escala do potencial brasileiro é tamanha que os retornos econômicos podem ser transformadores. Aplicar políticas já testadas e comprovadas na ordem sequencial correta é necessário para alcançar escala e as reduções de preço que vêm com ela; pular etapas na construção das cadeias de suprimento e ir direto para a imposição de mandatos obrigatórios não trará esse resultado. Alinhar as políticas com os padrões globais e programas como o CORSIA permitirá ao Brasil aproveitar ao máximo seu grande potencial", declarou Marie Owens Thomsen, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA.

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