Infraestrutura

Odebrecht já tem plano B para energia de Santo Antonio

Valor Econômico
25/03/2011 09:57
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Mesmo sem a garantia da volta imediata dos 16 mil operários ao canteiro de obras da usina Santo Antônio, em Rondônia, a Odebrecht Energia já planeja alternativas para distribuir a produção que será antecipada pela hidrelétrica a partir de dezembro deste ano.
 
 
Embora aguarde para breve o licenciamento ambiental do "linhão" do Madeira, a empresa líder do consórcio construtor da usina prepara-se para transportar a energia das duas primeiras turbinas pela linha de transmissão da Eletronorte entre Porto Velho e Mato Grosso.
 

"Vamos mandar metade dessa energia para Cuiabá. A outra parte vai ficar aqui mesmo, onde a demanda tem crescido com novas indústrias", informou o diretor-superintendente da empresa, José Bonifácio Pinto Junior. Votorantim, Alstom, Bardella e outras fornecedoras das usinas garantem o consumo.
 

A estratégia da Odebrecht dispensará, segundo o executivo, a necessidade de ter imediatamente pronto o "linhão" que transportará a energia de Santo Antônio, e da vizinha Jirau, por 2,5 mil quilômetros até Araraquara (SP). Porto Velho também deixaria de importar a energia que chega por essa mesma linha desde Mato Grosso. E ainda poderia "economizar" até 1 milhão de litros de óleo diesel consumidos diariamente pelas térmicas Termonorte, na capital, e Guascor, em Guajará-Mirim. A empresa calcula que essa medida evitará a emissão de 1,7 milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente.
 

"Há vários aspectos positivos nessa alternativa", diz Bonifácio. "E essa parada na usina não deve atrapalhar nossos planos. Estamos bem adiantados nas obras." Santo Antônio está há uma semana paralisada em razão do "contágio" pelos distúrbios ocorridos em Jirau e por uma disputa sindical pelo controle de 40 mil operários do setor.
 

A Odebrecht previa iniciar a geração de energia no fim de 2012, mas já formalizou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em duas ocasiões, a antecipação da produção - na última, fixou dezembro como meta. Até junho de 2012, Santo Antônio deve estar gerando 584 megawatts (MW) distribuídos em oito turbinas. Em 2015, as 44 turbinas previstas no projeto devem gerar 2.150 MW.
 

O consórcio Energia Sustentável, encabeçado pela GDF- Suez na usina de Jirau, também avalia, mas com algumas ressalvas, a venda da produção antecipada por meio da linha até Mato Grosso. Os incidentes no canteiro de obras devem adiar o planejamento de geração antes de janeiro de 2013. "Sem o linhão, teríamos como plano B mandar pela Eletronorte e repartir outra parcela para a carga local", afirma o diretor-presidente do consórcio, Victor Paranhos. Mas a empresa, que tem a Camargo Corrêa entre os sócios, avisa que não entrará em disputa com a Odebrecht pela alternativa. "Isso daria, no máximo, 300 MWs. Não vale a pena brigar para ficar com metade disso", avalia o executivo.
 

A usina de Jirau deveria gerar as primeiras cargas em março de 2012, mas o cumprimento desse prazo informal ficou mais distante em razão de destruição de dormitórios e refeitórios da obra na semana passada. Ainda assim, a empresa mantém a estimativa de ter ao menos 20 turbinas produzindo energia até início de 2013. "Não assinamos (a antecipação) com a Aneel. Só assino quando tiver certeza. Mas o governo sabe do nosso esforço. O papel é só um formalismo", diz Victor Paranhos.
 

O consórcio Energia Sustentável discorda da eventual "economia" de diesel consumido pelas térmicas. O Operador Nacional do Sistema (ONS), segundo Paranhos, não permitiria o desligamento da Termonorte por questões de segurança. "Não dá para desligar a Termonorte. Se der um problema, cai Porto Velho e Rio Branco (AC). O ONS é conservador, cauteloso. Não permitiria isso", aposta ele.
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