Energia solar

Pesquisa brasileira avança na compreensão de materiais que são o futuro da energia solar

Redação/Assessoria
12/11/2019 17:02
Visualizações: 1187

As perovskitas são uma classe de materiais que transformou drasticamente o cenário de produção de energia com o seu uso em células fotovoltaicas nos últimos anos, recebendo, por isso, grande atenção da comunidade científica em todo o mundo. Do início das pesquisas, em 2009, chegou-se, em apenas cinco anos, a uma eficiência de conversão da energia solar em energia elétrica superior a 20%, valor que segue crescendo e, hoje, se equipara ao das células fotovoltaicas à base de silício, que dominam o mercado mundial. “Nunca uma tecnologia fotovoltaica cresceu tanto em tão pouco tempo, com a vantagem da sua fabricação ser mais rápida, simples e mais barata que a do silício, por exemplo”, afirma Ana Flávia Nogueira, docente do Instituto de Química da Unicamp e coordenadora de uma das divisões de pesquisa do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), centro de pesquisa em engenharia financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Shell.

Apesar dos avanços, restam desafios importantes para a aplicação comercial das células fotovoltaicas de perovskita. “Inicialmente, houve uma corrida pela eficiência, mas, agora que alcançamos índices satisfatórios, a comunidade de pesquisa na área está voltando um pouco, buscando compreender melhor esse material, com tanto potencial e sobre o qual ainda restam muitas questões em aberto”, situa Nogueira. Na Divisão de Portadores Densos de Energia (DEC) do CINE, coordenada pela pesquisadora, os estudos acontecem em três frentes principais: perovskitas sem chumbo, que apresenta o problema da toxicidade; produção de dispositivos em grande escala; e, justamente, estudos fundamentais da físico-química das perovskitas. E, com a ajuda do Laboratório Nacional de Luz Sincrotron (LNLS), o grupo acaba de conseguir “enxergar” o que ninguém antes havia visto: os grãos individuais em filmes de dois tipos de perovskita híbrida orgânica-inorgânica (CsFAMA e FAMA). Para tanto, utilizou uma técnica inovadora que, agora, poderá ser usada no mapeamento em escala nanométrica e, assim, na análise e produção de conhecimento sobre todo um conjunto de outros filmes.

Publicidade

Durante o preparo dos filmes, temos a formação de impurezas, ou de outras estruturas cristalinas, em um processo que não é inteiramente compreendido. Com as técnicas usuais, de raios-x, nós conseguimos saber que essas diferentes fases estão lá, mas não mapear a sua localização”, explica Nogueira. Dentre essas fases – que têm a mesma composição, mas arranjos diferentes dos átomos –, a pesquisadora descreve que há uma ativa, ou seja, promove o efeito fotovoltaico (chamada de black phase), e outra que não é fotoativa, a fase amarela (yellow phase). “No LNLS, usamos a radiação Sincrotron na região do infravermelho, concentrada na ponta do microscópio. Com esse uso pioneiro do chamado nanoinfravermelho, é possível escolher exatamente o grão que queremos analisar e, a partir do seu espectro de infravermelho, uma espécie de ‘impressão digital’, de ‘assinatura’ daquela fase, conseguimos saber onde ela está, em qual grão”, detalha. “Futuramente, essa compreensão pode permitir, por exemplo, que na síntese aumentemos a fase ativa nos filmes de perovskita”, conclui.

Os resultados do estudo foram publicados em 25 de outubro no periódico Science Advances, do grupo Science, no artigo intitulado “Nanoscale mapping of chemical composition in organic-inorganic hybrid perovskite films”. O primeiro autor é Rodrigo Szostak, cuja pesquisa de doutorado, sob orientação de Ana Flávia Nogueira e co-orientação de Hélio Tolentino e Raul de Oliveira Freitas, ambos do LNLS, levou aos resultados reportados. Além deles, também assinam a publicação outros pós-graduandos ligados ao Laboratório de Nanotecnologia e Energia Solar, coordenado por Nogueira, outros pesquisadores do LNLS e parceiros internacionais da Suíça (EPFL).

CINE

O Centro de Inovação em Novas Energias foi lançado em maio de 2018, com financiamento da Fapesp e da Shell e hub de coordenação sediado na Unicamp. Além da Unicamp, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) também lideram o centro, em colaboração com seis outras instituições nacionais e 14 de outros países. Além da Divisão de Portadores Densos de Energia (DEC) com foco na geração de hidrogênio e conversão de CO2 a partir da luz solar, o Centro conta com três outras divisões: Armazenamento Avançado de Energia (AES), Metano a Produtos (M2P) e Ciência Computacional de Materiais e Química (CMSC). Juntas, as quatro divisões conduzem mais de 20 projetos de pesquisa. Mais informações em cine.org.br.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
Internacional
Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia
18/03/26
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
Macaé Energy
Com recorde de público, feira e congresso do Macaé Energ...
17/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy debate segurança energética e inovação no s...
16/03/26
Macaé Energy
Firjan: congresso técnico é um dos pontos altos do Macaé...
16/03/26
Combustíveis
Etanol mantém leve alta no indicador semanal, enquanto P...
16/03/26
Petrobras
O diesel está mais caro
16/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23