Pré-Sal

Petrobras enfrenta atrasos na entrega de equipamentos

Um dos obstáculos para o cumprimento de metas de produção da Petrobras nos próximos dois anos é a entrega de equipamentos para desenvolvimento da produção do pré-sal. Na Conferência de Energia promovida pelo banco Credit Suisse em Londre

Valor Econômico
18/06/2012 11:35
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Um dos obstáculos para o cumprimento de metas de produção da Petrobras nos próximos dois anos é a entrega de equipamentos para desenvolvimento da produção do pré-sal. Na Conferência de Energia promovida pelo banco Credit Suisse em Londres, na quinta-feira, um representante da estatal explicou que a Petrobras enfrenta atrasos na entrega de árvores de natal molhadas e trabalha com adiamento de um ano de toda a programação de entrega das plataformas "replicantes". Esse é o modo como a estatal define as oito FPSOs idênticas destinadas ao pré-sal e cujos cascos serão construídos no complexo naval de Rio Grande (RS), da Engevix.
 
 
O problema com as árvores de natal foi confirmado na sexta-feira pela presidente da Petrobras, Graça Foster, depois de participar da abertura do Fórum de Sustentabilidade Corporativa, evento da Rio+20. Graça mencionou o investimento em 2012, de R$ 83,2 bilhões, R$ 11 bilhões maior que o de 2011, e afirmou que a execução depende exclusivamente da capacidade física dos fornecedores, acrescentando que os fabricantes internacionais "devem mais em termos de atraso que os nacionais, diga-se de passagem".
 

O atraso nesses dois equipamentos essenciais vão interferir nos planos de aumento da produção de petróleo e gás nos campos supergigantes da bacia de Santos, incluindo Lula Nordeste e Cernambi. Emerson Leite, analista do Credit Suisse, disse que a Petrobras informou que trabalha com a possibilidade de um atraso na rampa de produção do pré-sal em 2012 e 2013 principalmente devido ao risco de atraso na entrega das árvores de natal molhadas, encomendadas à norueguesa Aker Solutions. A árvore de natal molhada é um conjunto de conectores e válvulas usado para controlar o fluxo do óleo e gás produzidos ou injetados dentro do reservatório, que é instalado na cabeça do poço.
 

"As FPSOs desse período [2012-2013] estão no prazo, mas as árvores de natal, especialmente as previstas para 2013, atrasarão e, com isso, a entrada dos poços em produção [também]", explicou Emerson Leite ao Valor.
 

A Petrobras também informou em Londres que toda a agenda de entrega das replicantes foi adiada em uma ano. Assim, o que estava previsto para 2015 "escorregou" para 2016, o que era previsto para 2016 "escorregou" para 2017 e assim por diante. Ao divulgar as linhas mestras do plano estratégico 2012-2016, que será detalhado apenas na próxima segunda, dia 25, a estatal reduziu em quase 600 mil barris/dia sua meta de produção. No plano anterior se previa 3,070 milhões de barris de óleo e LGN por dia em 2015 e agora a meta de 2016 é de 2,5 milhões de barris diários.
 

Essa redução na produção e manutenção do orçamento bilionária piorou o humor do mercado. E levou Graça Foster a admitir, na sexta-feira, pela primeira vez desde que assumiu o cargo quatro meses atrás, a necessidade de um reajuste no preço da gasolina e diesel. "É necessário, sim, um reajuste de combustíveis", disse Graça.

"Este ano nós tivemos uma suave queda do brent com uma relevante subida do dólar aos patamares de R$ 2,00 em uma depreciação do real. Nós continuamos com uma defasagem de preço", frisou. Segundo a executiva, a atual defasagem "continua muito próxima" à que existia quando a cotação do brent estava em torno de US$ 125 por barril e o dólar estava valendo entre R$ 1,65 e R$ 1,70.
 

Analistas ouvidos pelo Valor na semana passada esperam que o reajuste saia ainda esta semana, antes da presidente da Petrobras iniciar um "road show" internacional para apresentação do plano no dia 26 de junho. A avaliação unânime de analistas de grandes bancos de investimento sobre o plano de negócios converge para a necessidade urgente um aumento dos preços dos combustíveis para a nova gestão da companhia recuperar a confiança dos investidores.
 

Gustavo Gattass, do BTG Pactual, afirma que, sem isso "a Petrobras está em uma colisão clara com seu balanço e é um investimento pouco atraente sob múltiplos pontos de vista". Em uma analogia com adaptações hollywoodianas, Gattass concede ao novo plano da Petrobras o sugestivo título: "Episódio IV, Uma Nova Esperança". A esperança se baseia na expectativas de mudanças com a nova presidência.
 

Na opinião de Gattass, sem um aumento de preços da ordem de 15%, "as avaliações da Petrobras não são atraentes e seu balanço está em grave risco". Isso mesmo se considerado a hipótese de investimento menor, de US$ 208,7 bilhões prevista no plano estratégico 2012-16, e não a totalidade do plano, que chega a US$ 236,5 bilhões se somados os projetos ainda em fase inicial que devem ser postergados. Gattass avalia que se o investimento for o maior, os ratings de crédito da companhia serão "desintegrados" em 2013.
 

Em relatório com o sugestivo título "Alguém tem que ceder", o Credit Suisse afirma que metas de produção decrescentes, com aumento no investimento e um real mais fraco não são uma boa combinação para a geração de caixa da Petrobras. "Uma mensagem forte da gestão (mostrando boas intenções) e um aumento dos preços dos combustíveis (mostrando ação) provavelmente seria necessária para mudar a percepção [dos investidores]", diz o relatório do banco.
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