Tecnologia

Petrobras negocia para testar produto novo na Fórmula 1

Valor Econômico
23/03/2006 00:00
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 A Petrobras, fornecedora oficial de gasolina para a equipe Williams de Fórmula 1, poderá passar, a partir de 2007, a usar óleo para motores na principal categoria do automobilismo mundial. O acerto depende de surgir a oportunidade de negócio, mas tecnicamente a Petrobras está apta a fornecer lubrificantes para motores à Williams ou outra equipe da F-1.

Parceira da Williams há oito anos, a Petrobras quer mostrar aos consumidores, no circo da Fórmula 1, que dispõe de tecnologia de ponta. A companhia forneceu lubrificantes para motores à Jordan por cerca de ano e meio, mas terminou rompendo o contrato por questões comerciais.

Na atual temporada, não houve possibilidade de fornecer óleo para os motores da Williams porque a equipe fechou contrato de um ano com a fabricante dos propulsores, a Cosworth. A Petrobras espera a Williams anunciar o fornecedor do motor em 2007 para avaliar as chances de abastecer a equipe com óleo, o que reforçaria a imagem da estatal como empresa tecnologicamente forte.

O avanço tecnológico na F-1 é um princípio que norteia não só a Petrobras, mas a própria categoria, considerada a vanguarda da indústria automobilística mundial. A F-1 permite que tecnologias desenvolvidas para os carros de corrida tenham aplicação comercial. Hoje, a Petrobras fornece à Williams gasolina com características físico-químicas que serão aplicadas ao combustível vendido comercialmente na Europa em 2009.

"A grande importância do envolvimento da Petrobras com a F-1, para o consumidor, é a certeza de um estudo constante para conhecer a fundo as propriedades das gasolinas e de outros insumos usados na composição dos produtos comerciais", diz Rogério Gonçalves, engenheiro responsável pela gasolina da Petrobras na F-1.

Ele diz que uma das tecnologias mais importantes desenvolvidas pela Petrobras na F-1 foi a montagem de um programa matemático de formulação de gasolinas. A primeira vez que esse programa foi utilizado para fins comerciais foi na formulação da gasolina Podium, lançada há três anos para atender carros "top" de linha.

A cada temporada da F-1, como a que está começando, a Petrobras produz cerca de 300 mil litros de gasolina para a Williams, incluindo gasolinas experimentais para testes e combustíveis para corridas e treinos, além de alimentar os bancos de prova do fabricante do motor. Os valores do contrato com a Williams são sigilosos. Segundo a Petrobras, há uma cláusula de confidencialidade.

O contrato com a Williams foi assinado em 2004 e é válido até 2008, mas em junho de 2006 a Petrobras tem a opção de dizer se continuará com a Williams em 2007. Pelo acordo, a Petrobras desenvolve e fornece a gasolina e tem direito à exposição de marca, direitos de propaganda e à imagem dos pilotos. A estatal também aproveita a F-1 para fazer marketing de relacionamento convidando investidores para assistir as diferentes corridas da temporada, diz Cláudio Thompson, gerente de patrocínio esportivo da Petrobras. "Soubemos do caso de um investidor que dois dias após assistir a um grande prêmio em Monza (Itália) comprou US$ 60 milhões em ações da Petrobras", diz Thompson.

Ele afirma que outro dos objetivos da participação da empresa na F-1 foi a internacionalização, processo que a Petrobras intensificou nos últimos anos.

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