Abastecimento

Petrobras vê defasagem de 10% no preço do combustível

O diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, admitiu ontem existir uma defasagem nos preços internos dos combustíveis em relação às cotações externas, o que reforça as previsões de analistas de que ocorrerá reajustes da gasolina e do diesel ainda este ano. "A diferença dos derivados

Gazeta Mercantil
16/08/2006 00:00
Visualizações: 852

Analistas prevêem reajustes na gasolina e no diesel, de 10% a 15%, depois das eleições de outubro. A diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, admitiu ontem existir atualmente uma defasagem nos preços internos dos combustíveis em relação às cotações internacionais, o que reforça as previsões de analistas de que ocorrerá reajustes da gasolina e do diesel ainda este ano, provavelmente depois das eleições de outubro. "A diferença dos derivados em relação ao preços externos está em torno de 10%", diz o executivo da estatal, que participou de reunião com investidores em São Paulo, promovida pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-SP).

Segundo Barbassa, até junho de 2006, o preço médio de realização dos derivados negociados no Brasil ficou em US$ 70,7 por barril, enquanto nos Estados Unidos, balizador do mercado do internacional, o valor médio dos combustíveis girou em US$ 80 o barril.

A Petrobras não altera os preços da gasolina e do diesel desde setembro do ano passado, período em que as cotações internacionais do petróleo atingiram a casa dos US$ 60 barril - o valor atual da commodity supera os US$ 70 (ontem, o barril da WTI negociado em Nova York seguiu a tendência de baixa verificada na segunda -feira, mas, mesmo assim, fechou o dia cotado a US$ 73,05). Para os analistas consultados por este jornal, a defasagem entre os preços domésticos e externos da gasolina gira atualmente em cerca de 20%, enquanto que, para o diesel, a diferença está em torno de 15%. Tal discrepância, dizem os especialistas, acendeu um sinal de alerta entre os dirigentes responsáveis pela política de preços da Petrobras, que agora estão à espera apenas do fim das eleições para colocar em prática os reajustes necessários.

"Por conta do pleito eleitoral, a Petrobras deixará para mexer nos preços dos combustíveis somente no último bimestre do ano", afirma Alex Agostini, economista da Austin Rating, que prevê um repasse na gasolina entre 10% e 15% nas refinarias, o que resultaria em uma elevação de 5% a 7% para os consumidores finais.

Fabiana D’Atri, da Tendências Consultoria, também aposta na alteração de preços dos dois combustíveis após o período de eleições. "O repasse é "inevitável", diz ela, para quem o reajuste da gasolina será de 12% nas refinarias e de 6% nas bombas. "Para Rafael Castro, analista da LCA Consultores, e Adriano Pires, do Unibanco, caso as cotações externas do petróleo permaneçam no patamar atual, "dificilmente" a Petrobras deixará de ajustar os preços internos".

Um consultor de um banco de investimentos diz que o governo "usou a campanha da auto-suficiência na produção de petróleo para promover o candidato à presidente Luiz Inácio Lula da Silva" e, por isso, o reajuste dos combustíveis antes da eleições não seria uma "atitude sensata" por parte dos responsáveis pela estatal. "Dizer primeiro que o Brasil assumiu a independência na produção de petróleo, para depois ter de explicar o motivo dos reajustes nos combustíveis, não seria a melhor maneira de promover a candidatura do presidente", justifica a fonte, que não quis se identificar.

No entanto, apesar da defasagem nas cotações, Barbassa não confirma a possibilidade de reajustes na gasolina e no diesel e diz que a alteração dos preços dependerá de oscilações mais consistentes do petróleo no mercado internacional. "No momento, o petróleo vêm subindo por fatores temporais, como a crise no Oriente Médio e aumento no consumo de motivado pelo verão nos Estados Unidos, associado aos baixos estoques", diz Barbassa.

Impacto na inflação

Segundo os analistas, o repasse esperado de 5% a 7% nos preços da gasolina e do diesel vendidos aos consumidores não resultará em impactos expressivos na inflação deste ano, tampouco comprometerá a meta de preços definidos pelo banco central, de 4,5% (IPCA), com variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. "A ocorrência de ajustes não altera o cenário de cumprimento da meta de inflação deste ano", o economista da Austin, Alex Agostini.

Para a analista Fabiana, da Tendências Consultorias, o impacto no IPCA do possível aumento de 6% da gasolina nas bombas seria em torno de 0,4%. "Trata-se de um impacto modesto, que seria diluído nas taxas de inflação dos últimos meses do ano", afirma.

Segundo previsão do analista da Austin Rating, o índice oficial de inflação fechará o ano em 4,07% com uma folga de 0,43 ponto percentual em relação à meta central. "A Petrobras pode reajustar os combustíveis sem medo", ressalta o analista.

Para Adriano Pires, do Unibanco, o reajuste de preços este ano ajudaria a aliviar o comportamento de preços em 2007. "Além de melhor a receita da Petrobras, o aumento de preços ajudaria a diminuir as preocupações em relação ao comportamento de preços no ano que vem", afirma o analista.

Rafael Castro, da LCA Consultores, também não enxerga problemas na meta da inflação caso ocorra a alteração de preços da gasolina e do diesel ainda este ano. "O IPCA deverá ficar em 4,4% caso haja um reajuste de 7% na gasolina.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
Neoenergia renova mais três concessões e anuncia investi...
08/05/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: inscrições abertas at...
08/05/26
Cobertura OTC
ANP participa de uma das maiores conferências do mundo s...
08/05/26
Firjan
Voto pela inconstitucionalidade da lei dos royalties é o...
08/05/26
Mão de Obra
Censo 2026 vai mapear perfil socioeconômico de trabalhad...
07/05/26
Internacional
ANP e PPSA realizam evento exclusivo em Houston para pro...
07/05/26
Workshop
ANP faz workshop para dinamizar a exploração de petróleo...
07/05/26
Parceria
Halliburton e Shape Digital firmam colaboração estratégi...
06/05/26
ROG.e
ROG.e 2026 reunirá CEOs de TotalEnergies, Galp, TGS e Ry...
06/05/26
Oportunidade
CNPU 2025: ANP convoca candidatos de nível superior a se...
06/05/26
Combustíveis
Atualização: Extensão do prazo de flexibilização excepci...
06/05/26
Gestão
ANP publica Relatório de Gestão 2025
06/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI SESI expande atuação s...
06/05/26
Energia Elétrica
Modelo simplificado viabilizou 70% das migrações ao merc...
06/05/26
Investimentos
Biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB
05/05/26
Bacia de Santos
Acordos de Individualização da Produção (AIP) das Jazida...
05/05/26
Energia Solar
ENGIE investirá R$ 5 milhões em três projetos para inova...
05/05/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Média de abril é a mais baixa em quase doi...
05/05/26
Pessoas
Josiani Napolitano assume presidência da ABiogás em mome...
05/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI realiza edição interna...
04/05/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
04/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.